sábado, 31 de julho de 2010

Projeto de Lei quer regularizar os blogs brasileiros

Proposta prevê a obrigatoriedade da moderação dos comentários e ainda exige que os donos de blogs sejam responsabilizados por todos os textos anônimos comentados.
Está em trâmite no Congresso Nacional um projeto de lei que prevê regular a atividade nos blogs brasileiros. Segundo o texto, os usuários devem ser obrigados a moderar os comentários publicados em suas páginas e todos os conteúdos comentados por anônimos serão de responsabilidade do blogueiro.
A proposta de número 7.131 foi apresentada no dia 14 de abril e é de autoria do deputado federal Gerson Peres (PP-PA). O projeto prevê que, com as novas medidas, os comentários sem autores também possam ser respondidos legalmente. Caso a lei entre em vigor, os donos de blogs que não concordarem com as novas regras poderão ser multados pelo Poder Judiciário em até R$10 mil.
Outra obrigação imposta pelo projeto é a identificação de todos os blogs brasileiros publicados na internet. Os responsáveis pelas páginas deverão ser cadastrados no site Registro.br, informando nome, RG e CPF.
A proposta argumenta que as medidas são necessárias devido à possibilidade de difusão de calúnias, injúrias e difamações por meio dos blogs. A regularização tentaria reduzir esses impactos na web.

sábado, 17 de julho de 2010

Timidez excessiva pode ser doença

Grande parte das pessoas sente-se ansiosa em situações de exposição social. Alguns ficam nervosos nas famosas entrevistas de emprego ou exposição de seminários no local do trabalho. Outros são tímidos para convidar alguém para um encontro pra lá de especial. O coração pulsa forte e acelerado, o rubor facial delata a timidez, as mãos tremem e ficam com sudorese, os músculos ficam tensos, tem-se um nó na garganta e um sentimento de frio na barriga.
Quando tal ansiedade é normal, logo ela passa. Outros podem ficar com memórias negativas de tais situações estressoras, ficando ansiosos pela simples lembrança de tais episódios. Tais pessoas costumam ter medo de serem avaliadas, criticadas ou julgadas de forma negativa. Projetam que os outros a recriminam, a julgam severa e vorazmente, considerando- as incompetentes ou incapazes.
Nas situações em que a ansiedade, perante situações sociais, torna-se intensa, incapacitante e paralisante, prejudicando as atividades do dia a dia e os relacionamentos interpessoais, com grande sofrimento psíquico, podemos fazer o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social (TAS) ou Fobia Social (FS). Portanto, o TAS é muito mais que timidez.
A timidez é uma ansiedade normal que diminui com a exposição e a experiência de vida, podendo até contribuir para um desempenho melhor nas situações sociais. Só falamos em fobia social quando a ansiedade é persistente, de alto grau e incapacitação plena.
Há várias situações temidas, tais como falar em público, comer em público, assinar cheques na frente de terceiros, freqüentar banheiros públicos, abordar uma possível paquera.
A ansiedade excessiva pode estar restrita a uma ou poucas situações, sendo chamada, neste caso, de “circunscrita”, ou então, pode ocorrer em várias funções sociais (falar com estranhos, comer em público, expor um trabalho para chefias), sendo aqui conhecida como “generalizada”.
O TAS acomete cerca de uma em cada oito pessoas. As mulheres são, ligeiramente, mais acometidas do que os homens, sendo os quadros femininos mais propensos ao uso indiscriminado de benzodiazepínicos (tranqüilizantes) , enquanto os homens abusam do álcool. O início do quadro de FS, nas mulheres, costuma ocorrer no final da adolescência, enquanto no sexo masculino, logo no início.
A biologia da ansiedade inclui o medo condicionado, processado por vias ou conexões existentes entre algumas estruturas do cérebro como o tálamo, o córtex sensorial e o sistema límbico (amídala e hipocampo). Este último rege as emoções e sentimentos. Humanos com lesão na amídala cerebral (não confundir com a outra “amídala”, a da garganta), não conseguem reconhecer o medo na face de uma pessoa e não identificam os estímulos que levam ao perigo. Poderíamos dar o nome de “circuito do medo” às conexões entre tais estruturas cerebrais. A ativação da amídala cerebral - principal estrutura responsável pela sensação do medo -, parece ter um componente genético responsável, com vários mensageiros químicos cerebrais envolvidos como a serotonina, a norepinefrina, o glutamato e o GABA).
O TAS pode levar a pessoa a deixar o trabalho ou a escola, pode impedir que as pessoas façam novos amigos, enfim, trazer enormes prejuízos sócio-funcionais às mesmas. Tais pessoas começam, em qualquer contexto social, a ter pensamentos automáticos negativos, como “vou dar vexame”, “vão me considerar incapaz ou despreparado”, “vou ter um branco ou gaguejar”. Tais pensamentos já produzem o medo que leva à resposta de ansiedade, com todos os sintomas físicos já citados. Com tanto sofrimento, alguns comportamentos de esquiva e mesmo evitação são realizados, mudando a rotina de vida de tais pessoas.
Geralmente, os pacientes com FS têm também depressão e abuso de álcool ou drogas.
A terapia comportamental cognitiva costuma ser útil no tratamento, envolvendo quatro etapas importantes:
1) Psicoeducação: É importante que o paciente tenha um conhecimento aprofundado sobre o transtorno, tendo, através de um aprendizado pleno mais confiança e determinação para superar o problema.
2) Reestruturação cognitiva: Faz com que o paciente entenda o quanto os pensamentos automáticos negativos influem na ansiedade gerada, ensinando técnicas de combate a tais pensamentos.
3) Treinamento de habilidades sociais e técnicas de controle de ansiedade: Técnicas úteis para um melhor desempenho nas situações sociais
4) Exposição: Enfrentamento progressivo das situações temidas.
Quanto às medicações utilizadas, incluímos os beta-bloqueadores (controlam sintomas específicos como o tremor e a taquicardia) e os antidepressivos. Os antidepressivos mais utilizados são os que atuam sobre a serotonina, ou os conhecidos de duplo mecanismo de ação, que atuam tanto sobre a serotonina quanto sobre a noradrenalina.
É importante que as pessoas não se decepcionem, durante o curso do tratamento, com eventuais recaídas. Isso pode acontecer, é normal. Qualquer ser humano, durante o processo de novos aprendizados comete equívocos ou falhas, isso é típico. A família também é uma forte aliada. O paciente precisa ter um papel ativo na recuperação, não pode ficar de braços cruzados jamais.
No final, todo esforço valerá a pena.

sábado, 10 de julho de 2010

Para que serve uma relação

Para que serve uma relação?
Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil. Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom e merece ser desenvolvido. Algumas pessoas mantêm relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração.
Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toque sou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e,quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa ... principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.