Caridade é uma das virtudes teologais e uma das sete virtudes. Tem o mesmo significado que o Ágape.
É um sentimento que pode ter dois sentidos, o sentimento para si mesmo, e ao próximo.
O Cristianismo afirma que a caridade é o "amar ao próximo como a si mesmo". E afirma que se uma pessoa não se amar adulterando e mentindo a si mesma sobre as coisas que a rodeia, defendendo somente o seu ponto de vista sem pensar no ponto de vista divino, pode estar "amando" o seu próximo, mas da sua maneira, pois quanto mais buscar o esclarecimento divino sobre como amar a si mesma, maior poderá ser o amor desta pessoa pelo seu próximo.
E afirma que nos dias actuais muitos estão buscando a Cristo, mas da sua "maneira", não procurando arrepender de suas acções, pois em si mesmos não acham culpa alguma, pois defendem os seus próprios pontos de vista. Esquecem-se que o salário de pecado é a morte, e quem não se ama (caridade) peca, pois quem exerce a caridade, não peca, pois acaba amando à Deus mais do que a si mesma, ouvindo assim a sua voz e colocando em prática a Verdade que recebe. Dizendo, que quem ama a Cristo, confirma também o Senhorio de Cristo sobre a si mesma, abandonando tudo por Ele, pois um Servo abandona tudo pelo seu Senhor, vivendo somente para ele.
Aliás, Jesus Cristo ordenou: "Amar a Deus sobre todas as coisas", isto para os cristãos constitui a parte fundamental da caridade.
Quem tem o amor, prova, não somente com palavras mas sim com acções. Abrindo mão dos costumes dos gentios por amar a Deus sobre todas as coisas, seguindo a sua voz e os seus mandamentos.
Resumindo e usando as palavras do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, "a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da lei. A caridade é «o vínculo da perfeição» (Col 3,14) e o fundamento das outras virtudes, que ela anima, inspira e ordena: sem ela «não sou nada» e «nada me aproveita» (1 Cor 13,1-3)".
São Paulo disse que, de todas as virtudes, "o maior destas é o amor" (ou caridade). O Amor é também visto como uma "dádiva de si mesmo" e "o oposto de usar".
Este ponto é muito interessante, visto que, existe uma aceitação muito forte de que caridade significa ter piedade de alguém, quer dizer, dar alguma coisa para que alguém sane sua fome, ou mate sua sede, ou se agasalhe, como fazem as pessoas todos os dias, quando passam por alguém que pede nas ruas. O simples ato de pedir muitas vezes não é para matar a fome de alguém, pode-se dizer que seria até um mau costume que se adquiriu na infância que dificilmente se libertará, haja vista que, este vício tem proliferado muito, nas grandes e médias cidades. Observe que é lucrativo pedir, quando as doações são feitas em dinheiro, e é o que costumeiramente acontece, obviamente, no final do dia, ou do mês, a soma arrecadada de um pedinte sempre ultrapassa os ganhos forçados de quem ganha um salário mínimo, ou rendimentos advindos da roça.
Muitas pessoas vêem caridade como uma passagem para se conseguir o reino celestial, como coisa que uma esmola que se dê a alguém possa transformar o interior do ser humano que continua a praticar todo tipo de iniqüidade, e transtornos para com todos que estão ao seu lado. Matar a fome de um ser que passa em sua residência, com um convite para um almoço, deixando-o saciado dessa dificuldade, é uma ajuda, entretanto, deve-se ficar claro que aquela refeição não é o bastante para toda uma vida. O mais desgastante, é que, a humilhação de pedir venha sempre com a resignação de quem está sofrendo por qualquer ato praticado no passado, e necessita suportar tais tipos de coisas para que se trabalhe alguma inferioridade que de livre e espontânea vontade, que não conseguiu se libertar.
A ajuda mútua, ou doações às pessoas que pedem não constituem caridade, mas, um dever como ser humano que deve ter sempre dentro de si o princípio de cooperação, de irmandade, de amparo, àqueles que se encontram no caminho do sofrimento, e da dor material com fome e frio. Sabendo-se que todos têm a obrigação natural como ser social a ajudar a todos que o cercam, constitui uma obrigação que todos têm e não podem fugir, porque o princípio do amor, da felicidade, da benevolência deve estar sempre aflorando no coração de todos. A esmola que muitas pessoas dão, tem imediatamente a exigência de que tal fato seja convertido em caridade, cujos impulsos normalmente, são reclamações do passado que as pessoas não entendem, mentalizando que a prática de ajudar ao próximo seja fazer caridade.
Muitas pessoas dizem: olha, quando eu passo por perto de um pedinte que não dou esmola, fico apavorada, volto e faço a minha doação àquele irmão que pediu tão humildemente, e a pessoa quando faz isto, realmente deve estar precisando muito. Veja que algumas outras pessoas, passam, jogam qualquer quantia no prato do mendigo, e continuam sempre arrogantes, imaginando que já fizeram a sua caridade, ao aliviar a dor de um irmão que não precisa somente de comer e sanar seu frio, que é uma constante; todavia, muitos outros problemas que não são esmolas, que vão resolver a contento as suas dificuldades, por toda a vida real, que é a que continua. Muitos seres humanos foram enquadrados para virem na forma de pessoas miseráveis, para tentar se libertar da prepotência, do egoísmo, ou de algo semelhante, mas não suportam.
A caridade ultrapassa a tudo isto que foi colocado, não é esmola, não é doação de comida, não são doações de restos de roupas e cobertores que vão caracterizar uma caridade, que a humanidade ainda não compreendeu o seu real significado. A caridade é benevolência, é amor, é simplicidade, é misericórdia, e são todas as coisas que servem para a evolução do espírito que precisa ser testado em sua trajetória de evolução; não um teste pejorativo de querer derrubar o mais próximo, mas de sentir que tem condições de caminhar sozinho. A caridade é sentir e respeitar as fragilidades dos outros, na medida do possível orientando e auxiliando, para que haja a felicidade entre todos que precisam de luz e amparo nas suas vivências materiais e espirituais.
As pessoas surgiram no planeta para viverem, e viverem muito bem, quer estejam no mundo espiritual, quer estejam no mundo material, não devendo existir a preocupação de quando estiver no mundo espiritual, e nem tão pouco quando estiver no mundo material. A vida deve prosseguir em qualquer estágio, é claro, observando sempre os princípios de amor, de paz, de felicidade, sem se macular por ser espírito inferior, pois as inferioridades que são imanentes, devem ser esquecidas, dando lugar a tudo de bom que existe. Entretanto, sinta que vibrando no que é bom, tudo muda em seu modus vivendi; a paz conta para o equilíbrio interior, e os trabalhos cotidianos fluem com mais acertos, mais cooperação, e fraternidade entre todos que aceitaram em seu coração um viver correto e salutar para sempre.
As substâncias materiais não criam transformações por si só, para evolução da vida, entretanto, o seu uso é de grande importância para que as pessoas possam compreender o porque das dores e dos sofrimentos, como algumas derrocadas que as pessoas passam e não sabem porque estão naquela situação. É aí onde entra a caridade, devido o uso de tudo que a matéria utiliza sem consistência, a não ser que se tenha como ajuda a todos aqueles que necessitam de tais esclarecimentos para a compreensão de seu processo de evolução em toda a sua trajetória. Compreendendo as relações existentes entre as pessoas e espíritos, é que se pode praticar a caridade em seu real sentido, e não da forma como se utiliza normalmente, como uma compra de um cantinho no céu, como coisa que a moral das pessoas se comprasse com qualquer ínfima doação monetária.
Em mensagem da irmã FRANÇA(1862), que consta no Evangelho Segundo o Espiritismo, há uma explicação bastante interessante quando revela que,deveis amar os infelizes, os criminosos como criaturas de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como a vós mesmos, pelas faltas que cometeis contra sua lei. Pensai que sois mais repreensíveis, mais culpados que aqueles aos quais recusais o perdão e a comiseração, porque freqüentemente, eles não conhecem Deus como vós o conheceis, e lhes será pedido menos que a vós.
Esta explanação mostra a todos, o mais completo conceito de caridade, quando conclama a todos para que se desperte para este conhecimento que se inicia com aqueles que perseguem e maltratam, mas que devem ser compreendidos pelos sábios.
Aquilo que se sente de piedoso, de vontade de ajudar e de um sofrer, por ver alguém com dificuldade, não constitui bondade interior, nem tão pouco é caridade que se tem para com os demais ao suprir deficiências que alguém por ventura venha a ter em sua caminhada. Esses sentimentos podem ser uma resposta do passado quando se praticou nos outros quaisquer tipos de sofrimento, cujas insistentes remorsos que aparecem, naqueles que estão com tais sintomas, é uma lembrança forte do que fez no passado ou praticou com algum em seu pretérito. A caridade se apresenta de maneira simples, onde qualquer benevolência que se exercite, não tenha o sentido de recompensa, nem tão pouco do sentimento porque alguém está sofrendo a dor da fome e frio, porém, a necessidade de mãos amigas para o progresso secular.
Um outro exemplo de caridade vem de LAMENNAIS (1862), citado também no Evangelho Segundo o Espiritismo, quando ele pergunta se um homem muito ruim, vai morrer, pode escapar, e voltar para praticar muito outros crimes; você o salvaria dessa morte? Veja que para as pessoas que não têm consistência na sua evolução espiritual é uma situação difícil de ter uma resposta, mas esse irmão diz que a morte, talvez, chegue muito cedo para ele; a reencarnação poderá ser terrível; lançai-vos, pois, homens! vós a quem a ciência espírita esclareceu; lançai-vos, arrancai-o à sua condenação, e então, talvez esse homem que morreria vos insultando, se atirará em vossos braços. Todavia, não é preciso perguntar-vos se o fareis ou não, mas ide em seu socorro, porque salvando-o, obedeceis a essa voz do coração que vos diz: 'Tu podes salvá-lo, salva-o!
Em verdade, a morte não elimina a idiossincrasia de um ser humano, em seus momentos de prática do mal; ela apenas adia a oportunidade de aprendizado em um corpo físico para acumular alguns conhecimentos em seu progresso.
Aí está a caridade que sobrepõe a uma simples pena de uma fome, de um frio, ou de qualquer sofrimento que estar servindo para uma melhora de uma consciência, sem masoquismo, nem auto-flagelo que muitas pessoas praticam sem entender o seu porque verdadeiro. A caridade é está em frente a um desafeto, e aceitá-lo tal qual ele é, sem nenhum tipo de rancor, nem mágoa, pois, muitas pessoas dizem perdoar o seu irmão, mas não desejam nunca o ver, que ele fique para lá, e eu para cá, e aí não há caridade, nem tão pouco o perdão. Neste contexto, não houve caridade, porque caridade é amor, é benevolência e é, sobretudo, esquecimento do passado, como também a certeza de somente fazer o bem em todos os instantes, na busca de que todos sintam amor e felicidade numa linha de progresso.
As pessoas caridosas não têm dentro de si, nenhum tipo de discriminação, tal como existe no mundo inteiro do branco contra o negro, ou vice versa, das mulheres bem casadas contra as prostitutas, dos homens contra os homossexuais, do pobre contra o rico, enfim, dos seres humanos que devem ser vistos dentro de uma situação qualquer. Enquanto isto perdurar, não haverá como se exercer a caridade, nem tão pouco o amor uns para com os outros, e a guerra vai continuar alimentando as ignorâncias individualizadas por muitos e muitos séculos. Finalmente, a caridade começa e termina na máxima que atribuem a JESUS, quando foi claro ao pronunciar: amemo-nos uns aos outros e façamos a outrem o que quereríamos que nos fosse feito.
Fonte:
http://wikipedia.org/wiki/caridade
sábado, 25 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
Atendimento Psicólogico de crianças e adolescentes em situação de violência sexual IV
Aspectos específicos do atendimento a crianças e adolescentes em
situação de exploração e tráfico para fins sexuais – sujeitos em
situação de vulnerabilidade com direitos violados
Em primeiro lugar, é preciso considerar o fenômeno com o qual se está
trabalhando. Conforme já referenciado anteriormente, esse tema deve
ser abordado a partir da perspectiva de esse fenômeno constituir uma
violação dos direitos humanos de crianças e adolescentes, direitos que
estão descritos na Constituição Federal, na Lei Orgânica da Assistência
Social (LOAS) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): direito à
saúde, à convivência familiar e comunitária, à cultura, à educação e ao
desenvolvimento biopsicossocial, dentre outros.
A violência sexual é produto de relações sociais desiguais, onde a
interação dos atores envolvidos se estabelece numa dinâmica em que
o(a) autor(a) da agressão tem alguma condição de vantagem, seja física,
emocional, econômica seja social, sobre a vítima. Como afirma Chauí
(1985), a violência é a transformação dos diferentes em desiguais e
dessa desigualdade em uma relação de poder: do mais forte sobre o
mais fraco, do maior sobre o menor, do homem sobre a mulher, do
adulto sobre a criança.
Além disso, essa violência está configurada em um contexto
multidimensionado, com aspectos relacionados à sociedade, à cultura,
à economia e às características psicoemocionais dos indivíduos
envolvidos.
Nesse contexto, é preciso considerar que os sujeitos submetidos a
essa situação geralmente são pessoas afetadas por fatores de riscos
que contribuem para o processo de sua vulnerabilização. Considerase
que esses fatores são eventos que, quando presentes, impactam
negativamente sobre o sujeito, aumentando a probabilidade de a criança
ou o adolescente apresentar dificuldades físicas, sociais e emocionais.
Separação dos pais, perda de entes queridos, acidentes e violência
doméstica são exemplos de fatores de risco. Esses fatores isoladamente
não têm o poder de determinar a vivência de uma situação de violência,
mas, quando se apresentam de maneira associada, podem facilitar o
processo de vulnerabilidade do sujeito.
Sendo assim, a exposição a fatores de risco durante a infância e a
adolescência pode promover um processo de vulnerabilização, que
dificulta que crianças e adolescentes tenham condição de se estruturar
de forma a dar respostas adequadas a situações adversas, tornandose
mais suscetíveis à inserção em situações como a exploração sexual,
como exemplo.
Nesse sentido, ao pensar no atendimento a crianças e adolescentes
em situação de exploração sexual, deve-se considerar fundamental
fazer o levantamento da história de vida, a partir da fala da pessoa
atendida, para avaliar o grau de vulnerabilidade e risco a que a criança/o
adolescente está sujeita(o). Esse procedimento é muito importante para
o planejamento da intervenção que indicará as etapas necessárias para
a situação apresentada.
Além dos fatores de risco, é importante também fazer o levantamento
dos chamados fatores de proteção. Esses fatores referem-se aos aspectos
que podem favorecer a resiliência. São recursos que auxiliam o sujeito
a enfrentar as situações estressoras e conseguir bons resultados, e
estão relacionados a: 1) características individuais, como autoestima
e competência social; 2) apoio afetivo transmitido por pessoas da
família ou da rede social – os vínculos positivos, 3) apoio social externo,
representado por pessoas ou instituições da comunidade com quem o
sujeito pode contar – recursos materiais ou humanos que atuam como
suporte ou fator de proteção social. O apoio profissional consistente,
durante o atendimento, insere-se justamente nesse terceiro aspecto, e
pode ser fundamental como fator de proteção.
Nesse contexto de vulnerabilização de crianças e adolescentes
sujeitos especialmente à exploração sexual, dois aspectos centrais devem
ser trabalhados no atendimento: a sexualidade e a estigmatização
relacionada à prática da prostituição .
Com relação à sexualidade, é importante considerar a vivência que
a criança/o adolescente tem nessa área, quais os fatores de risco e
de proteção. É fundamental trabalhar não só com a fala da vivência
sexual mas também com a forma como o corpo se apresenta e se
relaciona com o mundo e as pessoas. O atendimento deve possibilitar
a reflexão de que a violência sexual é violação da sexualidade, e que é
possível vivenciar a sexualidade como um direito. Em complementação
a esse trabalho de fala, é necessário trabalhar o corpo na perspectiva
do projeto de vida em construção.
No tocante ao estigma da prostituição, a exploração sexual envolve
crianças e adolescentes em cenas de comercialização das relações sexuais,
geralmente com homens adultos, que lhes imprimem marca associada
à figura da prostituta, o que interfere de maneira decisiva no processo
de formação da identidade, especialmente por se tratar de sujeitos em
desenvolvimento. O atendimento deve possibilitar a reflexão sobre essa
vivência e sobre como ela afeta a identidade do sujeito atendido.
A abordagem sobre identidade é fundamental, pois cada pessoa é
constituída por uma identidade pessoal (a forma como ela se percebe)
e por uma identidade social (aquilo que a sociedade lhe atribui a
partir de sua inserção em determinada posição ou status social).
Crianças e adolescentes envolvidos em situação de violência sexual,
pelo fato de ainda se encontrar em processo de desenvolvimento, não
conseguem distinguir bem a identidade pessoal da social. O exercício
da sexualidade pautado pela violência poderá afetar diretamente a
construção dessa identidade.
A vivência de estigmatização permanente pode configurar um dos
aspectos que possibilitam a manutenção da criança ou do adolescente na
situação de exploração sexual por inviabilizar outras formas de inserção
social. Além disso, esse aspecto constitui uma das grandes dificuldades
apresentadas no desenvolvimento de metodologias de atendimento
psicossocial e, por isso mesmo, estas devem ser levadas em consideração
no planejamento de qualquer ação voltada para esse público.
Atendimento aos autores de agressões sexuais
A incorporação do atendimento aos autores de agressões sexuais se
torna indispensável ao trabalho com crianças e adolescentes em situação
de violência sexual, principalmente pelo fato de todo o trabalho ter sido
planejado considerando a centralidade na família, em especial por ser
esse um direito da criança ou do adolescente violado. Nesse sentido,
os laudos endereçados ao sistema de Justiça ou de responsabilização
devem demonstrar, sempre que possível, o alcance e a importância de
isso de fato se efetivar e sua repercussão no equilíbrio futuro da criança
ou do adolescente.
É imprescindível que as redes locais constituam alternativas para esse
tipo de atendimento, especialmente no âmbito das políticas públicas da
saúde, pois, em sua grande maioria, os agressores revelam transtornos de
personalidade, com atitudes que indicam tratamento em saúde mental.
O CREAS poderá realizar esse atendimento desde que:
1 – Priorize o atendimento de crianças e adolescentes;
2 – Tenha efetivo de profissionais suficiente para atender tanto as
crianças e os adolescentes quanto para atender os autores de agressão
sexual;
3 – Estabeleça agenda, cronograma, que não coloque crianças e
adolescentes em situação de constrangimento e risco (encontrar autores
de agressão sexual no CREAS/Serviço de Proteção nos mesmos dias e
horários, por exemplo). O atendimento à vítima e ao agressor deve ser bem diferenciado, com profissionais para cada atendimento. O fato de
o atendimento ocorrer no mesmo local já é um entrave, e pior seria se
acontecesse em horários semelhantes; deve haver dias específicos para
cada um, vítimas e agressores. Isso muda de perspectiva apenas nos
centros que trabalham com psicoterapia familiar. O não cumprimento
desses cuidados mínimos pode trazer constrangimento, medo e acabar
não efetivando o vínculo necessário à terapia.
CREAS1, seguem abaixo, de forma sistematizada, algumas de suas
atribuições.
• “Coordenar os grupos de apoio, de orientação e de atendimento
psicológico às crianças e aos adolescentes e seus familiares”;
• “Assim, durante a semana também realizo sessões grupais, que
trabalham questões relativas a violência, conflitos, direitos, formas de
superação, entre outros”;
• Desenvolver as atividades psicossociais individuais e em grupo de
acordo com sua área de formação;
• “Atendimento individual à criança e adolescente; atendimento
individual aos pais ou responsáveis; mensalmente, atendimento em
grupos de mães e adolescentes [...]”;
• Coordenar sozinho e/ou com o assistente social os grupos de apoio
às famílias;
• “Eventualmente, também realizo [...] oficinas para pais”;
Realizar entrevistas de revelação;
• Encaminhar os casos que necessitarem de psicoterapia para a rede
de proteção local;
• “[...] encaminhamento da família a outros serviços da rede [...]”;
• “Falta de psicólogo na rede de saúde para desenvolver o trabalho
com as vítimas [...]”;
• Acompanhar crianças e adolescentes nas audiências nas delegacias
e no Fórum;
Fonte:
Brasil(2009)- Serviçode Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias:Referências para a atuação do Psicólogo
situação de exploração e tráfico para fins sexuais – sujeitos em
situação de vulnerabilidade com direitos violados
Em primeiro lugar, é preciso considerar o fenômeno com o qual se está
trabalhando. Conforme já referenciado anteriormente, esse tema deve
ser abordado a partir da perspectiva de esse fenômeno constituir uma
violação dos direitos humanos de crianças e adolescentes, direitos que
estão descritos na Constituição Federal, na Lei Orgânica da Assistência
Social (LOAS) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): direito à
saúde, à convivência familiar e comunitária, à cultura, à educação e ao
desenvolvimento biopsicossocial, dentre outros.
A violência sexual é produto de relações sociais desiguais, onde a
interação dos atores envolvidos se estabelece numa dinâmica em que
o(a) autor(a) da agressão tem alguma condição de vantagem, seja física,
emocional, econômica seja social, sobre a vítima. Como afirma Chauí
(1985), a violência é a transformação dos diferentes em desiguais e
dessa desigualdade em uma relação de poder: do mais forte sobre o
mais fraco, do maior sobre o menor, do homem sobre a mulher, do
adulto sobre a criança.
Além disso, essa violência está configurada em um contexto
multidimensionado, com aspectos relacionados à sociedade, à cultura,
à economia e às características psicoemocionais dos indivíduos
envolvidos.
Nesse contexto, é preciso considerar que os sujeitos submetidos a
essa situação geralmente são pessoas afetadas por fatores de riscos
que contribuem para o processo de sua vulnerabilização. Considerase
que esses fatores são eventos que, quando presentes, impactam
negativamente sobre o sujeito, aumentando a probabilidade de a criança
ou o adolescente apresentar dificuldades físicas, sociais e emocionais.
Separação dos pais, perda de entes queridos, acidentes e violência
doméstica são exemplos de fatores de risco. Esses fatores isoladamente
não têm o poder de determinar a vivência de uma situação de violência,
mas, quando se apresentam de maneira associada, podem facilitar o
processo de vulnerabilidade do sujeito.
Sendo assim, a exposição a fatores de risco durante a infância e a
adolescência pode promover um processo de vulnerabilização, que
dificulta que crianças e adolescentes tenham condição de se estruturar
de forma a dar respostas adequadas a situações adversas, tornandose
mais suscetíveis à inserção em situações como a exploração sexual,
como exemplo.
Nesse sentido, ao pensar no atendimento a crianças e adolescentes
em situação de exploração sexual, deve-se considerar fundamental
fazer o levantamento da história de vida, a partir da fala da pessoa
atendida, para avaliar o grau de vulnerabilidade e risco a que a criança/o
adolescente está sujeita(o). Esse procedimento é muito importante para
o planejamento da intervenção que indicará as etapas necessárias para
a situação apresentada.
Além dos fatores de risco, é importante também fazer o levantamento
dos chamados fatores de proteção. Esses fatores referem-se aos aspectos
que podem favorecer a resiliência. São recursos que auxiliam o sujeito
a enfrentar as situações estressoras e conseguir bons resultados, e
estão relacionados a: 1) características individuais, como autoestima
e competência social; 2) apoio afetivo transmitido por pessoas da
família ou da rede social – os vínculos positivos, 3) apoio social externo,
representado por pessoas ou instituições da comunidade com quem o
sujeito pode contar – recursos materiais ou humanos que atuam como
suporte ou fator de proteção social. O apoio profissional consistente,
durante o atendimento, insere-se justamente nesse terceiro aspecto, e
pode ser fundamental como fator de proteção.
Nesse contexto de vulnerabilização de crianças e adolescentes
sujeitos especialmente à exploração sexual, dois aspectos centrais devem
ser trabalhados no atendimento: a sexualidade e a estigmatização
relacionada à prática da prostituição .
Com relação à sexualidade, é importante considerar a vivência que
a criança/o adolescente tem nessa área, quais os fatores de risco e
de proteção. É fundamental trabalhar não só com a fala da vivência
sexual mas também com a forma como o corpo se apresenta e se
relaciona com o mundo e as pessoas. O atendimento deve possibilitar
a reflexão de que a violência sexual é violação da sexualidade, e que é
possível vivenciar a sexualidade como um direito. Em complementação
a esse trabalho de fala, é necessário trabalhar o corpo na perspectiva
do projeto de vida em construção.
No tocante ao estigma da prostituição, a exploração sexual envolve
crianças e adolescentes em cenas de comercialização das relações sexuais,
geralmente com homens adultos, que lhes imprimem marca associada
à figura da prostituta, o que interfere de maneira decisiva no processo
de formação da identidade, especialmente por se tratar de sujeitos em
desenvolvimento. O atendimento deve possibilitar a reflexão sobre essa
vivência e sobre como ela afeta a identidade do sujeito atendido.
A abordagem sobre identidade é fundamental, pois cada pessoa é
constituída por uma identidade pessoal (a forma como ela se percebe)
e por uma identidade social (aquilo que a sociedade lhe atribui a
partir de sua inserção em determinada posição ou status social).
Crianças e adolescentes envolvidos em situação de violência sexual,
pelo fato de ainda se encontrar em processo de desenvolvimento, não
conseguem distinguir bem a identidade pessoal da social. O exercício
da sexualidade pautado pela violência poderá afetar diretamente a
construção dessa identidade.
A vivência de estigmatização permanente pode configurar um dos
aspectos que possibilitam a manutenção da criança ou do adolescente na
situação de exploração sexual por inviabilizar outras formas de inserção
social. Além disso, esse aspecto constitui uma das grandes dificuldades
apresentadas no desenvolvimento de metodologias de atendimento
psicossocial e, por isso mesmo, estas devem ser levadas em consideração
no planejamento de qualquer ação voltada para esse público.
Atendimento aos autores de agressões sexuais
A incorporação do atendimento aos autores de agressões sexuais se
torna indispensável ao trabalho com crianças e adolescentes em situação
de violência sexual, principalmente pelo fato de todo o trabalho ter sido
planejado considerando a centralidade na família, em especial por ser
esse um direito da criança ou do adolescente violado. Nesse sentido,
os laudos endereçados ao sistema de Justiça ou de responsabilização
devem demonstrar, sempre que possível, o alcance e a importância de
isso de fato se efetivar e sua repercussão no equilíbrio futuro da criança
ou do adolescente.
É imprescindível que as redes locais constituam alternativas para esse
tipo de atendimento, especialmente no âmbito das políticas públicas da
saúde, pois, em sua grande maioria, os agressores revelam transtornos de
personalidade, com atitudes que indicam tratamento em saúde mental.
O CREAS poderá realizar esse atendimento desde que:
1 – Priorize o atendimento de crianças e adolescentes;
2 – Tenha efetivo de profissionais suficiente para atender tanto as
crianças e os adolescentes quanto para atender os autores de agressão
sexual;
3 – Estabeleça agenda, cronograma, que não coloque crianças e
adolescentes em situação de constrangimento e risco (encontrar autores
de agressão sexual no CREAS/Serviço de Proteção nos mesmos dias e
horários, por exemplo). O atendimento à vítima e ao agressor deve ser bem diferenciado, com profissionais para cada atendimento. O fato de
o atendimento ocorrer no mesmo local já é um entrave, e pior seria se
acontecesse em horários semelhantes; deve haver dias específicos para
cada um, vítimas e agressores. Isso muda de perspectiva apenas nos
centros que trabalham com psicoterapia familiar. O não cumprimento
desses cuidados mínimos pode trazer constrangimento, medo e acabar
não efetivando o vínculo necessário à terapia.
CREAS1, seguem abaixo, de forma sistematizada, algumas de suas
atribuições.
• “Coordenar os grupos de apoio, de orientação e de atendimento
psicológico às crianças e aos adolescentes e seus familiares”;
• “Assim, durante a semana também realizo sessões grupais, que
trabalham questões relativas a violência, conflitos, direitos, formas de
superação, entre outros”;
• Desenvolver as atividades psicossociais individuais e em grupo de
acordo com sua área de formação;
• “Atendimento individual à criança e adolescente; atendimento
individual aos pais ou responsáveis; mensalmente, atendimento em
grupos de mães e adolescentes [...]”;
• Coordenar sozinho e/ou com o assistente social os grupos de apoio
às famílias;
• “Eventualmente, também realizo [...] oficinas para pais”;
Realizar entrevistas de revelação;
• Encaminhar os casos que necessitarem de psicoterapia para a rede
de proteção local;
• “[...] encaminhamento da família a outros serviços da rede [...]”;
• “Falta de psicólogo na rede de saúde para desenvolver o trabalho
com as vítimas [...]”;
• Acompanhar crianças e adolescentes nas audiências nas delegacias
e no Fórum;
Fonte:
Brasil(2009)- Serviçode Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias:Referências para a atuação do Psicólogo
sábado, 11 de dezembro de 2010
Atendimento Psicólogico de crianças e adolescentes em situação de violência sexual I I I
Entrevistas psicológicas iniciais
Após o levantamento de dados na anamnese social, o caso
é encaminhado para o profissional de Psicologia para proceder
às entrevistas psicológicas iniciais. Quando se trata de criança e
adolescente, a entrevista inicial pode ser realizada com a mãe ou com o adulto responsável, com o objetivo de obter informações a respeito dos
danos emocionais decorrentes da violência, as reações da criança, do
adolescente e da família e principalmente a capacidade desse adulto de
referência ser um cuidador da criança.
Na entrevista com o adulto responsável, é importante buscar
informações a respeito do seu papel em relação à criança, do histórico
de situações de violência na família, como se lida com a sexualidade
no contexto familiar, quais as possibilidades da família para suportar
o processo judicial, além da forma como são estabelecidas as relações
entre os membros da família.
Deve-se estar atento, principalmente na violência intrafamiliar, se a
família está envolvida em situações de crise (e de que tipo), se existe
propensão para a continuidade da violência. É importante verificar o
risco de o abuso acontecer com outras crianças da família e quais foram
as situações que indicaram a ocorrência da violência.
É preciso estabelecer um contato empático e haver clima favorável para
os responsáveis fornecerem todas as informações, procurando mostrar
que o interesse é ajudar a criança/o adolescente e a família como um
todo, e não, proceder a julgamentos. Deve-se levar em consideração que,
nos casos de violência sexual, a eficácia da atuação é muito influenciada
pelo nível de envolvimento das famílias e pela abordagem inicial, pela
qualidade do vínculo estabelecido.
Além desses aspectos, é preciso estar atento, pois, em alguns casos,
em situações de disputa pela guarda de uma criança, pode acontecer de
um dos pais manipular as crianças para que insinuem situação de abuso,
a fim de prejudicar a imagem do outro. Esses são casos que merecem
atenção redobrada, embora a crença na palavra da criança continue
sendo premissa básica.
No contato inicial com a criança ou o adolescente, cuidados
importantes devem ser tomados.
Ao receber a criança ou o adolescente, o psicólogo deve apresentar-se,
perceber se ela sabe algo sobre o Serviço de Proteção Especial; caso ainda
não saiba, conversar sobre o que é, o que faz, quem trabalha nele e como
trabalha. Deve informar que outras crianças também frequentam esse
espaço e deixar o entrevistado à vontade para perguntar e se apresentar. Esse
contato inicial tem o objetivo principal de estabelecer o vínculo necessário.
Essa entrevista com a criança deverá ser conduzida de forma não
diretiva e em espaço adequado, que favoreça um nível de conversa mais
espontânea e apropriada a cada criança, respeitando seu desenvolvimento
e sua história de vida.
Nessas entrevistas, observa-se cuidadosamente o desenvolvimento
da criança e do adolescente para que se defina qual o grupo adequado
para sua inclusão.
No momento do atendimento, a atenção deve ser dedicada
exclusivamente para a criança e o adolescente, e a linguagem deve ser
simples e clara. Deve-se também respeitar o tempo de cada indivíduo.
Às vezes são necessários meses para que a criança ou o adolescente se
sinta segura/o para falar de questões íntimas, e é preciso compreender
o ritmo de cada um.
A avaliação psicológica tem como objetivo compreender a situação
de violência, avaliando seus impactos sobre a criança/o adolescente e a
família. Além disso, possibilita ao profissional verificar qual a abordagem
psicossocial e/ou psicoterapêutica mais adequada para o caso, e se são
necessárias outras avaliações, entrevistas ou processos diagnósticos.
A partir dos dados colhidos no processo de avaliação psicológica, a
criança/o adolescente poderá ser encaminhada/o para os serviços que
atenderão suas demandas psicológicas: apoio psicossocial, trabalho em
grupo ou outro acompanhamento no âmbito da saúde mental, inclusive
psicoterapia.
Sugere-se que a avaliação psicológica se dê em entrevistas individuais,
com a criança/o adolescente, por meio de sessões no mínimo semanais
O processo de avaliação psicológica muitas vezes não se esgota em um
único encontro, demandando-se pouco mais de tempo para se chegar a
diagnóstico mais preciso. O atendimento às famílias poderá ser realizado
de conformidade com as informações relatadas pela criança/adolescente
sobre os vínculos e de acordo com o andamento do atendimento e das
avaliações procedidas.
Atendimento psicológico
Compreende encontros sistemáticos de apoio e orientação referentes
a demandas psicológicas que podem ser trabalhadas no âmbito do
CREAS. O papel do psicólogo é proporcionar atendimento a crianças/adolescentes e suas famílias que apresentem sofrimento emocional e
psíquico decorrente da sua vivência na situação de violência sexual.
Essa atividade psicossocial deve ser uma prática comprometida com a
singularidade do sujeito, que necessita de um espaço em que seja ouvido
e tratado como tal. O psicólogo deve propiciar uma escuta atenta,
oportunizando a emergência de significados ocultos ou inconscientes. É
o profissional que exercerá o trabalho com sentimentos e subjetividade
de crianças/adolescentes vitimizados e suas famílias – criando ambiente
favorável ao resgate da autoestima, à reconstrução de relações afetivas,
à reconstrução de significados acerca da vivência, à compreensão
acerca da dinâmica familiar, aos limites e cuidados na família, ao
desenvolvimento da sexualidade, etc. Diversos autores tratam da prática
da violência, de sua revelação e da entrada de atores institucionais na
dinâmica familiar, fatores que podem repercutir nas relações afetivas, na
dinâmica da família e no desenvolvimento da criança/do adolescente.
É importante que a equipe esteja atenta sobre a demanda de
psicoterapia que pode surgir em alguns casos.Esse trabalho é
atribuição da política pública de saúde, uma vez que os agravos
provocados pela violência sexual devem ser atendidos também no
campo da saúde mental; devem, portanto, ser encaminhados para
as unidades de saúde especializadas no atendimento de crianças e
adolescentes ou para outros serviços disponíveis no município. Devese
destacar que o atendimento psicológico realizado no CREAS não
constitui processo de psicoterapia. O atendimento psicossocial deve ser
realizado prioritariamente em grupo, sendo o atendimento individual
considerado apenas em casos excepcionais.
Fundamentação parao trabalho em grupo
O trabalho em grupo configura uma das técnicas possíveis do
atendimento psicossocial. A opção pelo grupo está sustentada pela
afirmação de que este consiste em um espaço de conscientização e
participação, no qual o processo interpessoal (participação em atividades
grupais – relação com outros componentes do grupo) é transformado
em processo intrapessoal (fortalecimento da autoestima, ressignificação
de valores e percepções pessoais).
Objetiva-se, com o trabalho em grupo, proporcionar o espaço
de convivência e o compartilhamento de experiências com vistas
a ampliar as possibilidades de expressão do sujeito no mundo. São
também objetivos do trabalho em grupo o resgate da corporeidade
e a reconstrução de relações e vínculos afetivos com a família, a
comunidade e o grupo de pares.
Grupos de apoio a crianças e adolescentes
Grupos de apoio são espaços privilegiados de escuta onde crianças
e adolescentes podem falar sobre a violência, seus medos, conflitos,
dúvidas e angústias. Esses grupos são conduzidos prioritariamente pelo
profissional de Psicologia, e devem, necessariamente, ocorrer no mínimo
uma vez por semana.
Os grupos devem possibilitar o fortalecimento e/ou o restabelecimento
dos vínculos familiares e sociocomunitários, a elevação da autoestima
e a retomada do desenvolvimento emocional, afetivo, físico, sexual e
social, protegido e a salvo de toda e qualquer violência ou violação dos
direitos individuais e coletivos.
Os grupos devem ser formados de acordo com a faixa etária, e sugerese
a sua composição com oito participantes. Considerando as questões
específicas do abuso e da exploração sexual, é importante que se
organizem, ao menos inicialmente, separadamente por tipo de violência.
Grupos de apoio às famílias
Os grupos de apoio às famílias são formados por membros adultos das
famílias de crianças e adolescentes atendidos no serviço. Esses grupos
têm o objetivo de fortalecer os familiares para o enfrentamento das
consequências da violência e para o suporte emocional que a criança/o
adolescente em situação de violência sexual necessita.
Além do objetivo de acolhimento e de oferecer orientações para a
família no que diz respeito às questões advindas da violência, o grupo
de apoio tem função pedagógica e política, uma vez que os participantes
estão se instrumentalizando para o exercício de sua cidadania e para a
busca de seus direitos. É papel do grupo de apoio despertar a consciência
de que a denúncia e a responsabilização dos autores da agressão sexual
são de fundamental importância para romper o ciclo da violência e a
consequente impunidade.O grupo também tem o papel de contribuir para a conscientização acerca da dinâmica familiar, para o desenvolvimento de novas estratégias para lidar com conflitos na família e para fortalecer relações afetivas e
capacidade de cuidar da família, conscientizando os membros de suas
dificuldades e potencialidades.
Entrevistas de revelação
Por entrevistas de revelação, entendem-se aquelas entrevistas que
podem confirmar a existência da situação de violência sexual. Em muitos
casos não há queixa formalizada com uma situação definida. O objetivo
da entrevista de revelação é trazer luz aos fatos e tentar esclarecer o
que está acontecendo com a criança ou o adolescente e, assim, poder
ajudá-los.
A entrevista de revelação é um processo, e exige, devido a sua
complexidade, mais de um encontro para ser finalizada. É necessário
entrevistar os outros membros da família, pois essas pessoas podem
oferecer informações valiosas sobre a situação de abuso.
A entrevista de revelação tem por objetivo:
• Levantar evidências sobre a possível ocorrência do abuso-vitimização
sexual doméstica e sobre a sua natureza;
• Avaliar a possível gravidade do abuso sexual e de seu impacto sobre
a vítima e demais membros da família;
• Avaliar o risco psicológico decorrente do abuso para a vítima e para
outras crianças e adolescentes eventualmente existentes no lar;
• Junto com a equipe, avaliar quais as medidas mais adequadas de
intervenção social, psicológica, jurídica e médica.
A maneira como é estabelecido o vínculo entre o psicólogo e a criança
ou o adolescente é fundamental. É muito importante proporcionar um
clima de confiança, disponibilidade e acolhimento. Na entrevista de
revelação, o psicólogo deve avaliar o entendimento da criança ou do
adolescente sobre o motivo pelo qual está sendo entrevistado. Isso ajuda
a perceber se foram preparados por algum adulto para a entrevista.
Existem pontos importantes a se considerar/avaliar durante o processo
(ABRAPIA, 1997):
• Avaliação do desenvolvimento geral da criança/adolescente;
• Noções de conceitos como verdade e mentira;
• Conhecimento da criança/adolescente sobre regras e consequências
da transgressão;
• Avaliar a compreensão da criança/adolescente sobre os diferentes
sentimentos e carícias/carinhos agradáveis e desagradáveis;
• Inserir a questão do segredo e do medo e a importância de dizer a
verdade;
• Averiguar os sentimentos da criança/adolescente em relação aos
familiares e adultos de seu convívio.
O setor psicossocial e sua relação com o atendimento jurídico
Considerando o fato de o fenômeno da violência ser complexo
e multifacetado, outra dimensão a ser trabalhada é a jurídica. É imprescindível considerar os aspectos relacionados à defesa e à
responsabilização no atendimento a crianças e adolescentes em situação
de violência sexual, para que realmente se ofereça uma atenção que
compreenda a problemática em sua totalidade.
Tradicionalmente, o atendimento psicossocial e jurídico operam
isoladamente, o que, em muitas situações, ocasiona dano adicional ao
sujeito, uma vez que o fragmenta em dimensões distintas: punição do
agressor e tratamento das consequências. O atendimento articulado
(jurídico e psicossocial) é a proposta do CREAS, na perspectiva de um
atendimento que considere o aspecto global, levando-se em conta os
aspectos criminal, de proteção e terapêutico.
O atendimento acompanhamento jurídico deve acontecer de forma
integrada e articulada com o atendimento psicossocial.O psicólogo
trabalha as questões relativas aos aspectos psicológicos da violência
e suas consequências psíquicas, sem perder de vista a importância do
processo jurídico e da responsabilização dos autores de agressão sexual.
Fonte:
Brasil(2009)- Serviçode Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias:Referências para a atuação do Psicólogo
Após o levantamento de dados na anamnese social, o caso
é encaminhado para o profissional de Psicologia para proceder
às entrevistas psicológicas iniciais. Quando se trata de criança e
adolescente, a entrevista inicial pode ser realizada com a mãe ou com o adulto responsável, com o objetivo de obter informações a respeito dos
danos emocionais decorrentes da violência, as reações da criança, do
adolescente e da família e principalmente a capacidade desse adulto de
referência ser um cuidador da criança.
Na entrevista com o adulto responsável, é importante buscar
informações a respeito do seu papel em relação à criança, do histórico
de situações de violência na família, como se lida com a sexualidade
no contexto familiar, quais as possibilidades da família para suportar
o processo judicial, além da forma como são estabelecidas as relações
entre os membros da família.
Deve-se estar atento, principalmente na violência intrafamiliar, se a
família está envolvida em situações de crise (e de que tipo), se existe
propensão para a continuidade da violência. É importante verificar o
risco de o abuso acontecer com outras crianças da família e quais foram
as situações que indicaram a ocorrência da violência.
É preciso estabelecer um contato empático e haver clima favorável para
os responsáveis fornecerem todas as informações, procurando mostrar
que o interesse é ajudar a criança/o adolescente e a família como um
todo, e não, proceder a julgamentos. Deve-se levar em consideração que,
nos casos de violência sexual, a eficácia da atuação é muito influenciada
pelo nível de envolvimento das famílias e pela abordagem inicial, pela
qualidade do vínculo estabelecido.
Além desses aspectos, é preciso estar atento, pois, em alguns casos,
em situações de disputa pela guarda de uma criança, pode acontecer de
um dos pais manipular as crianças para que insinuem situação de abuso,
a fim de prejudicar a imagem do outro. Esses são casos que merecem
atenção redobrada, embora a crença na palavra da criança continue
sendo premissa básica.
No contato inicial com a criança ou o adolescente, cuidados
importantes devem ser tomados.
Ao receber a criança ou o adolescente, o psicólogo deve apresentar-se,
perceber se ela sabe algo sobre o Serviço de Proteção Especial; caso ainda
não saiba, conversar sobre o que é, o que faz, quem trabalha nele e como
trabalha. Deve informar que outras crianças também frequentam esse
espaço e deixar o entrevistado à vontade para perguntar e se apresentar. Esse
contato inicial tem o objetivo principal de estabelecer o vínculo necessário.
Essa entrevista com a criança deverá ser conduzida de forma não
diretiva e em espaço adequado, que favoreça um nível de conversa mais
espontânea e apropriada a cada criança, respeitando seu desenvolvimento
e sua história de vida.
Nessas entrevistas, observa-se cuidadosamente o desenvolvimento
da criança e do adolescente para que se defina qual o grupo adequado
para sua inclusão.
No momento do atendimento, a atenção deve ser dedicada
exclusivamente para a criança e o adolescente, e a linguagem deve ser
simples e clara. Deve-se também respeitar o tempo de cada indivíduo.
Às vezes são necessários meses para que a criança ou o adolescente se
sinta segura/o para falar de questões íntimas, e é preciso compreender
o ritmo de cada um.
A avaliação psicológica tem como objetivo compreender a situação
de violência, avaliando seus impactos sobre a criança/o adolescente e a
família. Além disso, possibilita ao profissional verificar qual a abordagem
psicossocial e/ou psicoterapêutica mais adequada para o caso, e se são
necessárias outras avaliações, entrevistas ou processos diagnósticos.
A partir dos dados colhidos no processo de avaliação psicológica, a
criança/o adolescente poderá ser encaminhada/o para os serviços que
atenderão suas demandas psicológicas: apoio psicossocial, trabalho em
grupo ou outro acompanhamento no âmbito da saúde mental, inclusive
psicoterapia.
Sugere-se que a avaliação psicológica se dê em entrevistas individuais,
com a criança/o adolescente, por meio de sessões no mínimo semanais
O processo de avaliação psicológica muitas vezes não se esgota em um
único encontro, demandando-se pouco mais de tempo para se chegar a
diagnóstico mais preciso. O atendimento às famílias poderá ser realizado
de conformidade com as informações relatadas pela criança/adolescente
sobre os vínculos e de acordo com o andamento do atendimento e das
avaliações procedidas.
Atendimento psicológico
Compreende encontros sistemáticos de apoio e orientação referentes
a demandas psicológicas que podem ser trabalhadas no âmbito do
CREAS. O papel do psicólogo é proporcionar atendimento a crianças/adolescentes e suas famílias que apresentem sofrimento emocional e
psíquico decorrente da sua vivência na situação de violência sexual.
Essa atividade psicossocial deve ser uma prática comprometida com a
singularidade do sujeito, que necessita de um espaço em que seja ouvido
e tratado como tal. O psicólogo deve propiciar uma escuta atenta,
oportunizando a emergência de significados ocultos ou inconscientes. É
o profissional que exercerá o trabalho com sentimentos e subjetividade
de crianças/adolescentes vitimizados e suas famílias – criando ambiente
favorável ao resgate da autoestima, à reconstrução de relações afetivas,
à reconstrução de significados acerca da vivência, à compreensão
acerca da dinâmica familiar, aos limites e cuidados na família, ao
desenvolvimento da sexualidade, etc. Diversos autores tratam da prática
da violência, de sua revelação e da entrada de atores institucionais na
dinâmica familiar, fatores que podem repercutir nas relações afetivas, na
dinâmica da família e no desenvolvimento da criança/do adolescente.
É importante que a equipe esteja atenta sobre a demanda de
psicoterapia que pode surgir em alguns casos.Esse trabalho é
atribuição da política pública de saúde, uma vez que os agravos
provocados pela violência sexual devem ser atendidos também no
campo da saúde mental; devem, portanto, ser encaminhados para
as unidades de saúde especializadas no atendimento de crianças e
adolescentes ou para outros serviços disponíveis no município. Devese
destacar que o atendimento psicológico realizado no CREAS não
constitui processo de psicoterapia. O atendimento psicossocial deve ser
realizado prioritariamente em grupo, sendo o atendimento individual
considerado apenas em casos excepcionais.
Fundamentação parao trabalho em grupo
O trabalho em grupo configura uma das técnicas possíveis do
atendimento psicossocial. A opção pelo grupo está sustentada pela
afirmação de que este consiste em um espaço de conscientização e
participação, no qual o processo interpessoal (participação em atividades
grupais – relação com outros componentes do grupo) é transformado
em processo intrapessoal (fortalecimento da autoestima, ressignificação
de valores e percepções pessoais).
Objetiva-se, com o trabalho em grupo, proporcionar o espaço
de convivência e o compartilhamento de experiências com vistas
a ampliar as possibilidades de expressão do sujeito no mundo. São
também objetivos do trabalho em grupo o resgate da corporeidade
e a reconstrução de relações e vínculos afetivos com a família, a
comunidade e o grupo de pares.
Grupos de apoio a crianças e adolescentes
Grupos de apoio são espaços privilegiados de escuta onde crianças
e adolescentes podem falar sobre a violência, seus medos, conflitos,
dúvidas e angústias. Esses grupos são conduzidos prioritariamente pelo
profissional de Psicologia, e devem, necessariamente, ocorrer no mínimo
uma vez por semana.
Os grupos devem possibilitar o fortalecimento e/ou o restabelecimento
dos vínculos familiares e sociocomunitários, a elevação da autoestima
e a retomada do desenvolvimento emocional, afetivo, físico, sexual e
social, protegido e a salvo de toda e qualquer violência ou violação dos
direitos individuais e coletivos.
Os grupos devem ser formados de acordo com a faixa etária, e sugerese
a sua composição com oito participantes. Considerando as questões
específicas do abuso e da exploração sexual, é importante que se
organizem, ao menos inicialmente, separadamente por tipo de violência.
Grupos de apoio às famílias
Os grupos de apoio às famílias são formados por membros adultos das
famílias de crianças e adolescentes atendidos no serviço. Esses grupos
têm o objetivo de fortalecer os familiares para o enfrentamento das
consequências da violência e para o suporte emocional que a criança/o
adolescente em situação de violência sexual necessita.
Além do objetivo de acolhimento e de oferecer orientações para a
família no que diz respeito às questões advindas da violência, o grupo
de apoio tem função pedagógica e política, uma vez que os participantes
estão se instrumentalizando para o exercício de sua cidadania e para a
busca de seus direitos. É papel do grupo de apoio despertar a consciência
de que a denúncia e a responsabilização dos autores da agressão sexual
são de fundamental importância para romper o ciclo da violência e a
consequente impunidade.O grupo também tem o papel de contribuir para a conscientização acerca da dinâmica familiar, para o desenvolvimento de novas estratégias para lidar com conflitos na família e para fortalecer relações afetivas e
capacidade de cuidar da família, conscientizando os membros de suas
dificuldades e potencialidades.
Entrevistas de revelação
Por entrevistas de revelação, entendem-se aquelas entrevistas que
podem confirmar a existência da situação de violência sexual. Em muitos
casos não há queixa formalizada com uma situação definida. O objetivo
da entrevista de revelação é trazer luz aos fatos e tentar esclarecer o
que está acontecendo com a criança ou o adolescente e, assim, poder
ajudá-los.
A entrevista de revelação é um processo, e exige, devido a sua
complexidade, mais de um encontro para ser finalizada. É necessário
entrevistar os outros membros da família, pois essas pessoas podem
oferecer informações valiosas sobre a situação de abuso.
A entrevista de revelação tem por objetivo:
• Levantar evidências sobre a possível ocorrência do abuso-vitimização
sexual doméstica e sobre a sua natureza;
• Avaliar a possível gravidade do abuso sexual e de seu impacto sobre
a vítima e demais membros da família;
• Avaliar o risco psicológico decorrente do abuso para a vítima e para
outras crianças e adolescentes eventualmente existentes no lar;
• Junto com a equipe, avaliar quais as medidas mais adequadas de
intervenção social, psicológica, jurídica e médica.
A maneira como é estabelecido o vínculo entre o psicólogo e a criança
ou o adolescente é fundamental. É muito importante proporcionar um
clima de confiança, disponibilidade e acolhimento. Na entrevista de
revelação, o psicólogo deve avaliar o entendimento da criança ou do
adolescente sobre o motivo pelo qual está sendo entrevistado. Isso ajuda
a perceber se foram preparados por algum adulto para a entrevista.
Existem pontos importantes a se considerar/avaliar durante o processo
(ABRAPIA, 1997):
• Avaliação do desenvolvimento geral da criança/adolescente;
• Noções de conceitos como verdade e mentira;
• Conhecimento da criança/adolescente sobre regras e consequências
da transgressão;
• Avaliar a compreensão da criança/adolescente sobre os diferentes
sentimentos e carícias/carinhos agradáveis e desagradáveis;
• Inserir a questão do segredo e do medo e a importância de dizer a
verdade;
• Averiguar os sentimentos da criança/adolescente em relação aos
familiares e adultos de seu convívio.
O setor psicossocial e sua relação com o atendimento jurídico
Considerando o fato de o fenômeno da violência ser complexo
e multifacetado, outra dimensão a ser trabalhada é a jurídica. É imprescindível considerar os aspectos relacionados à defesa e à
responsabilização no atendimento a crianças e adolescentes em situação
de violência sexual, para que realmente se ofereça uma atenção que
compreenda a problemática em sua totalidade.
Tradicionalmente, o atendimento psicossocial e jurídico operam
isoladamente, o que, em muitas situações, ocasiona dano adicional ao
sujeito, uma vez que o fragmenta em dimensões distintas: punição do
agressor e tratamento das consequências. O atendimento articulado
(jurídico e psicossocial) é a proposta do CREAS, na perspectiva de um
atendimento que considere o aspecto global, levando-se em conta os
aspectos criminal, de proteção e terapêutico.
O atendimento acompanhamento jurídico deve acontecer de forma
integrada e articulada com o atendimento psicossocial.O psicólogo
trabalha as questões relativas aos aspectos psicológicos da violência
e suas consequências psíquicas, sem perder de vista a importância do
processo jurídico e da responsabilização dos autores de agressão sexual.
Fonte:
Brasil(2009)- Serviçode Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias:Referências para a atuação do Psicólogo
sábado, 4 de dezembro de 2010
Atendimento Psicólogico de crianças e adolescentes em situação de violência sexual II
Planejamento da intervenção
Atender a demanda tão complexa de promoção do desenvolvimento
psicossocial de crianças e adolescentes em situação de risco pressupõe
a inserção de práticas de outros campos e o envolvimento de diversos
profissionais, de áreas diferentes, promovendo prática transdisciplinar.
Isso significa que cada caso é visto como único, com suas especificidades
e particularidades. Os profissionais intervêm de maneira articulada, cada
um em sua especialidade, mas atuam com vistas a um objetivo comum,
que é oferecer atendimento especializado que compreenda esse sujeito
em suas diversas dimensões.
O primeiro passo para o planejamento da intervenção consiste na
identificação do fenômeno. Segundo Azevedo e Guerra (2001), essa identificação pode ser sumária, em casos emergenciais que demandem
ação imediata, ou aprofundada mediante diagnóstico multiprofissional.
O segundo passo a se levar em conta é o envolvimento de parceiros,
profissionais e/ou institucionais, uma vez que a violência sexual é
fenômeno complexo, que pressupõe diversos olhares e intervenções em
vários níveis.
Dessa forma, para que o planejamento da intervenção seja bem-
-sucedido, torna-se necessário o envolvimento de toda a rede local de
atenção à infância e à adolescência bem como o conhecimento do fluxo
de encaminhamento e atendimento/ acompanhamento a ser acessado.
Como já referido anteriormente, é necessário adotar uma prática
de atendimento articulada e integrada com outros profissionais e com
outros serviços (saúde, educação, justiça), para os encaminhamentos
que ajudem na resolução do problema. Nesse sentido, é fundamental
reconhecer-se como parte de uma rede de proteção que deve ser
conhecida por quem faz o atendimento.
Além disso, os profissionais das diferentes áreas (advogado, psicólogo,
assistente social e educador social) não devem atuar de maneira isolada.
Toda a equipe tem acesso aos procedimentos adotados por seus membros
de acordo com o sigilo e a conduta ética de suas profissões. Dessa forma,
a equipe busca identificar necessidades individuais elaborando planos
de intervenções singulares.
Um ponto de destaque para o atendimento a esse público em situação
de risco é que muitas vezes torna-se necessária a ultrapassagem de
settings (espaços, contextos) terapêuticos clássicos, ou seja, não se pode
ficar engessado nessas amarras, sob pena de não se conseguir efetivar o
trabalho. O profissional deve levar o atendimento até onde se encontra
o sujeito, e, muitas vezes, o encontro terapêutico se dá em ambiente
diverso do que está convencionado, qual seja, a sala de atendimento
propriamente dita. É importante pensar em momentos terapêuticos, que
podem se dar no consultório, em uma visita domiciliar, em uma consulta
médica ou em uma saída para confecção de documentos. O mais
relevante nessa perspectiva é a formação de vínculos, a possibilidade de
interagir com o sujeito, acessar a sua subjetividade, estabelecer relação.
Atualmente, são aplicados diversos modelos de intervenção em
casos de violência contra crianças e adolescentes. Furniss (1993) traz à reflexão alguns modelos de intervenção contemporâneos, que podem
ser adaptados para os casos de violência sexual.
A intervenção punitiva primária refere-se a toda intervenção cujo foco
esteja voltado para o autor da agressão com o objetivo exclusivo de puni-lo.
Esse modelo compreende a violência como fenômeno monocausal, ou seja,
a explicação se concentra apenas nas características individuais do agressor.
A intervenção primária protetora da criança tem como foco a criança/
vítima, com o claro objetivo de proteger seu desenvolvimento físico,
emocional e moral.
Já a intervenção terapêutica primária considera a singularidade do
sujeito e o contexto em que está inserido; considera a família como o
espaço privilegiado de acolhimento e que a intervenção deve se dar com
todos os seus membros.
Esses três modelos refletem as perspectivas que podem ser adotadas
no enfrentamento à violência sexual. Os dois primeiros focalizam apenas
um dos aspectos da situação (agressor vs. vítima), sem considerar a
característica multifacetada do problema, e ainda se encontram muito
presentes nas práticas de intervenção. O terceiro é o que mais se aproxima
dos parâmetros de atendimento no qual o CFP acredita, pois concebe
o sujeito atendido em contexto e ambiente familiar que precisam ser
contemplados no atendimento.
É sempre importante levar em conta que, além das medidas de
atendimento, se devem oferecer também medidas de acompanhamento
e controle, acompanhamento para identificar eventuais falhas no
processo de atendimento e encaminhamentos, e controle para corrigir
essas falhas. Os encaminhamentos à rede não podem ser tratados como
transferência de responsabilidade, pois cabe a todos os profissionais
e instituições zelar pelo bem-estar da criança e do adolescente e
pelo compromisso de contribuir para o processo de interrupção do
ciclo da violência.
Não se fala apenas de intervenções técnicas, mas também de
articulação entre os membros da equipe (trabalho transdisciplinar) e
entre os diversos setores da sociedade (trabalho interinstitucional), ou
seja, a construção de redes que viabilizem ações concretas. Essa é a única
forma de enfrentar a rede que sustenta as violências sexuais contra
crianças e adolescentes.
Estudo de caso
O estudo de caso é uma estratégia metodológica fundamental para a
realização das ações no CREAS e para o planejamento das ações. É a partir
desse momento que a equipe pode, de forma fundamentada, planejar as
ações para cada caso, além de criar condições de instrumentalização
para situações similares. O espaço das reuniões da equipe é importante
também para o compartilhamento das dificuldades e das angústias,
considerando que o trabalho com a violência sexual é complexo e afeta
diretamente os profissionais.
Cada caso requer um planejamento específico; o desenvolvimento
desse planejamento acontece nas reuniões semanais de equipe. A partir da
realização do diagnóstico social e dos primeiros atendimentos, já é possível
ter uma ideia das necessidades e dos encaminhamentos que podem
ser feitos. É importante salientar que essas reuniões são extremamente
importantes para a condução adequada dos casos e para as tomadas de
decisão. O andamento dos atendimentos é avaliado em conjunto, e os
passos, discutidos com os profissionais das diversas áreas da equipe.
Sugere-se que, a cada vez, um membro da equipe fique responsável
por apresentar o caso a ser discutido e analisado por todos.
Roteiro de de estudo de caso
1. Identificação do caso;
2. Histórico (resumo da história do sujeito, da situação de violência
vivenciada e do seu percurso institucional);
3. Profissionais envolvidos (quais profissionais da equipe estão
atuando diretamente no caso e qual o papel de cada um deles);
4. Reflexão teórico-metodológica (de que maneira a teoria respalda
a atuação de cada profissional em relação ao caso específico, a
metodologia utilizada é a mais adequada, que outras referências
podem ser incorporadas à atuação da equipe);
5. Questões importantes para o planejamento da ação;
6. A criança ou o adolescente estão em segurança?
7. Existe adulto de referência? Este tem condições efetivas de garantir
a segurança física e emocional da criança ou do adolescente?
8. A família tem acesso à rede de proteção social básica? De que
forma o serviço pode colaborar nesse sentido?
9. As ações propostas levam em consideração a autonomia do sujeito
e da família?
10. Existe diálogo entre as ações psicossociais e jurídicas? Essas ações
estão sendo desenvolvidas em paralelo ou de maneira articulada?
11. Os aspectos relacionados à saúde (física e mental) da criança e
do adolescente foram levados em consideração no planejamento da
ação?
12. A situação de violência interferiu no processo de desenvolvimento
da aprendizagem da criança ou do adolescente?
13. Encaminhamentos;
14. Estratégias de acompanhamento dos encaminhamentos;
15. Situação das relações familiares – conflitos transgeracionais,
padrões violadores de relacionamento, vinculações afetivas, aspectos
favorecedores do desenvolvimento, etc.
É importante que o estudo de caso aponte também a necessidade de
elaborar em conjunto com a família o plano de atendimento.
Operacionalização do atendimento
Os procedimentos operacionais implicam uma sequência de
passos ou técnicas que descrevem em detalhes como determinada
tarefa ou função deve ser realizada. Os procedimentos costumam
detalhar as várias atividades que devem ser realizadas para o alcance
de determinado objetivo. Entretanto, não podem ser compreendidos
como uma receita de bolo, como algo frio e distante do meio em que
é utilizado. Os procedimentos devem ser construídos na dimensão
humana, fundamentados em visões de mundo e no arcabouço teórico
de referência.
Como já dito anteriormente, a prática do profissional de Psicologia no
CREAS deve estar comprometida com uma perspectiva emancipatória,
promotora de autonomia e consciência social, ou seja, deve proporcionar
o empoderamento do sujeito, o desenvolvimento de uma consciência
crítica e sua efetiva participação na sociedade.
As responsabilidades em relação ao processo de atendimento
devem ser compartilhadas com a criança, o adolescente e a família,pois isso fortalece o sujeito, estimula a cooperação, a solidariedade,
o desenvolvimento do comportamento cidadão e a construção da
autonomia.
Acolhimento e triagem
O primeiro atendimento tem como objetivo o acolhimento da criança,
do adolescente e de sua família, bem como o levantamento das suas
demandas imediatas, atentando-se para as situações de emergência
e/ou ameaças que possam surgir em alguns casos. O atendimento
realizado com crianças e adolescentes para os quais não tenha havido
atendimento prévio do Conselho Tutelar deve ser noticiado/comunicado
imediatamente pelo CREAS ao Conselho Tutelar, em observância ao
disposto no artigo 13 do ECA.
O acolhimento é fundamental, e constitui fator determinante para
a permanência ou não da criança/do adolescente na instituição, assim
como para sua adesão ao atendimento. O pedido inicial das crianças,
dos adolescentes e de família é o de ser ouvidos e acreditados sem
julgamentos. Segue-se a isso a necessidade de proteção, acolhimento e
ajuda para lidar com os aspectos subjetivos advindos da violência sexual.
Deve-se levar em conta que o trabalho é desenvolvido com crianças,
adolescentes e seus familiares, que estão extremamente fragilizados e em
risco pessoal e social. Um acolhimento inadequado pode deflagrar um
processo de revitimização e comprometer todo o atendimento.
O sigilo, a crença e o amparo social da fala da criança são inerentes
a esse tipo de trabalho. É importante atentar que, muitas vezes, a
ida ao CREAS significa um pedido de socorro, uma forma de buscar
interromper o ciclo da violência e se refazer após um acontecimento
desse tipo. É preciso levar em consideração o quão difícil é para a
criança estar ali, muitas vezes como denunciante, fragilizada e até
mesmo exposta a inúmeros procedimentos jurídicos e a pressões da
família e da sociedade.
Deve-se lembrar que os sujeitos em situação de violência sexual
geralmente se encontram bastante fragilizados, podendo apresentar
dificuldade de confiar em outras pessoas, por todas as características
envolvidas nesse tipo de situação. Por isso, o profissional que realiza o
acolhimento deve adotar uma postura que transmita segurança. Esse
cuidado é válido também para os casos que não são de competência
do CREAS/Serviço de Enfrentamento e que serão encaminhados. Ao
fazer o encaminhamento para a rede de serviços, é importante conhecer
as instituições parceiras, suas atribuições e competências e o perfil do
público que atendem. Além disso, faz-se necessário contato prévio com
os profissionais da instituição para a qual está sendo encaminhado o
caso para que, de fato, seja garantido o atendimento.
Fonte:
Brasil(2009)- Serviçode Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias:Referências para a atuação do Psicólogo
Atender a demanda tão complexa de promoção do desenvolvimento
psicossocial de crianças e adolescentes em situação de risco pressupõe
a inserção de práticas de outros campos e o envolvimento de diversos
profissionais, de áreas diferentes, promovendo prática transdisciplinar.
Isso significa que cada caso é visto como único, com suas especificidades
e particularidades. Os profissionais intervêm de maneira articulada, cada
um em sua especialidade, mas atuam com vistas a um objetivo comum,
que é oferecer atendimento especializado que compreenda esse sujeito
em suas diversas dimensões.
O primeiro passo para o planejamento da intervenção consiste na
identificação do fenômeno. Segundo Azevedo e Guerra (2001), essa identificação pode ser sumária, em casos emergenciais que demandem
ação imediata, ou aprofundada mediante diagnóstico multiprofissional.
O segundo passo a se levar em conta é o envolvimento de parceiros,
profissionais e/ou institucionais, uma vez que a violência sexual é
fenômeno complexo, que pressupõe diversos olhares e intervenções em
vários níveis.
Dessa forma, para que o planejamento da intervenção seja bem-
-sucedido, torna-se necessário o envolvimento de toda a rede local de
atenção à infância e à adolescência bem como o conhecimento do fluxo
de encaminhamento e atendimento/ acompanhamento a ser acessado.
Como já referido anteriormente, é necessário adotar uma prática
de atendimento articulada e integrada com outros profissionais e com
outros serviços (saúde, educação, justiça), para os encaminhamentos
que ajudem na resolução do problema. Nesse sentido, é fundamental
reconhecer-se como parte de uma rede de proteção que deve ser
conhecida por quem faz o atendimento.
Além disso, os profissionais das diferentes áreas (advogado, psicólogo,
assistente social e educador social) não devem atuar de maneira isolada.
Toda a equipe tem acesso aos procedimentos adotados por seus membros
de acordo com o sigilo e a conduta ética de suas profissões. Dessa forma,
a equipe busca identificar necessidades individuais elaborando planos
de intervenções singulares.
Um ponto de destaque para o atendimento a esse público em situação
de risco é que muitas vezes torna-se necessária a ultrapassagem de
settings (espaços, contextos) terapêuticos clássicos, ou seja, não se pode
ficar engessado nessas amarras, sob pena de não se conseguir efetivar o
trabalho. O profissional deve levar o atendimento até onde se encontra
o sujeito, e, muitas vezes, o encontro terapêutico se dá em ambiente
diverso do que está convencionado, qual seja, a sala de atendimento
propriamente dita. É importante pensar em momentos terapêuticos, que
podem se dar no consultório, em uma visita domiciliar, em uma consulta
médica ou em uma saída para confecção de documentos. O mais
relevante nessa perspectiva é a formação de vínculos, a possibilidade de
interagir com o sujeito, acessar a sua subjetividade, estabelecer relação.
Atualmente, são aplicados diversos modelos de intervenção em
casos de violência contra crianças e adolescentes. Furniss (1993) traz à reflexão alguns modelos de intervenção contemporâneos, que podem
ser adaptados para os casos de violência sexual.
A intervenção punitiva primária refere-se a toda intervenção cujo foco
esteja voltado para o autor da agressão com o objetivo exclusivo de puni-lo.
Esse modelo compreende a violência como fenômeno monocausal, ou seja,
a explicação se concentra apenas nas características individuais do agressor.
A intervenção primária protetora da criança tem como foco a criança/
vítima, com o claro objetivo de proteger seu desenvolvimento físico,
emocional e moral.
Já a intervenção terapêutica primária considera a singularidade do
sujeito e o contexto em que está inserido; considera a família como o
espaço privilegiado de acolhimento e que a intervenção deve se dar com
todos os seus membros.
Esses três modelos refletem as perspectivas que podem ser adotadas
no enfrentamento à violência sexual. Os dois primeiros focalizam apenas
um dos aspectos da situação (agressor vs. vítima), sem considerar a
característica multifacetada do problema, e ainda se encontram muito
presentes nas práticas de intervenção. O terceiro é o que mais se aproxima
dos parâmetros de atendimento no qual o CFP acredita, pois concebe
o sujeito atendido em contexto e ambiente familiar que precisam ser
contemplados no atendimento.
É sempre importante levar em conta que, além das medidas de
atendimento, se devem oferecer também medidas de acompanhamento
e controle, acompanhamento para identificar eventuais falhas no
processo de atendimento e encaminhamentos, e controle para corrigir
essas falhas. Os encaminhamentos à rede não podem ser tratados como
transferência de responsabilidade, pois cabe a todos os profissionais
e instituições zelar pelo bem-estar da criança e do adolescente e
pelo compromisso de contribuir para o processo de interrupção do
ciclo da violência.
Não se fala apenas de intervenções técnicas, mas também de
articulação entre os membros da equipe (trabalho transdisciplinar) e
entre os diversos setores da sociedade (trabalho interinstitucional), ou
seja, a construção de redes que viabilizem ações concretas. Essa é a única
forma de enfrentar a rede que sustenta as violências sexuais contra
crianças e adolescentes.
Estudo de caso
O estudo de caso é uma estratégia metodológica fundamental para a
realização das ações no CREAS e para o planejamento das ações. É a partir
desse momento que a equipe pode, de forma fundamentada, planejar as
ações para cada caso, além de criar condições de instrumentalização
para situações similares. O espaço das reuniões da equipe é importante
também para o compartilhamento das dificuldades e das angústias,
considerando que o trabalho com a violência sexual é complexo e afeta
diretamente os profissionais.
Cada caso requer um planejamento específico; o desenvolvimento
desse planejamento acontece nas reuniões semanais de equipe. A partir da
realização do diagnóstico social e dos primeiros atendimentos, já é possível
ter uma ideia das necessidades e dos encaminhamentos que podem
ser feitos. É importante salientar que essas reuniões são extremamente
importantes para a condução adequada dos casos e para as tomadas de
decisão. O andamento dos atendimentos é avaliado em conjunto, e os
passos, discutidos com os profissionais das diversas áreas da equipe.
Sugere-se que, a cada vez, um membro da equipe fique responsável
por apresentar o caso a ser discutido e analisado por todos.
Roteiro de de estudo de caso
1. Identificação do caso;
2. Histórico (resumo da história do sujeito, da situação de violência
vivenciada e do seu percurso institucional);
3. Profissionais envolvidos (quais profissionais da equipe estão
atuando diretamente no caso e qual o papel de cada um deles);
4. Reflexão teórico-metodológica (de que maneira a teoria respalda
a atuação de cada profissional em relação ao caso específico, a
metodologia utilizada é a mais adequada, que outras referências
podem ser incorporadas à atuação da equipe);
5. Questões importantes para o planejamento da ação;
6. A criança ou o adolescente estão em segurança?
7. Existe adulto de referência? Este tem condições efetivas de garantir
a segurança física e emocional da criança ou do adolescente?
8. A família tem acesso à rede de proteção social básica? De que
forma o serviço pode colaborar nesse sentido?
9. As ações propostas levam em consideração a autonomia do sujeito
e da família?
10. Existe diálogo entre as ações psicossociais e jurídicas? Essas ações
estão sendo desenvolvidas em paralelo ou de maneira articulada?
11. Os aspectos relacionados à saúde (física e mental) da criança e
do adolescente foram levados em consideração no planejamento da
ação?
12. A situação de violência interferiu no processo de desenvolvimento
da aprendizagem da criança ou do adolescente?
13. Encaminhamentos;
14. Estratégias de acompanhamento dos encaminhamentos;
15. Situação das relações familiares – conflitos transgeracionais,
padrões violadores de relacionamento, vinculações afetivas, aspectos
favorecedores do desenvolvimento, etc.
É importante que o estudo de caso aponte também a necessidade de
elaborar em conjunto com a família o plano de atendimento.
Operacionalização do atendimento
Os procedimentos operacionais implicam uma sequência de
passos ou técnicas que descrevem em detalhes como determinada
tarefa ou função deve ser realizada. Os procedimentos costumam
detalhar as várias atividades que devem ser realizadas para o alcance
de determinado objetivo. Entretanto, não podem ser compreendidos
como uma receita de bolo, como algo frio e distante do meio em que
é utilizado. Os procedimentos devem ser construídos na dimensão
humana, fundamentados em visões de mundo e no arcabouço teórico
de referência.
Como já dito anteriormente, a prática do profissional de Psicologia no
CREAS deve estar comprometida com uma perspectiva emancipatória,
promotora de autonomia e consciência social, ou seja, deve proporcionar
o empoderamento do sujeito, o desenvolvimento de uma consciência
crítica e sua efetiva participação na sociedade.
As responsabilidades em relação ao processo de atendimento
devem ser compartilhadas com a criança, o adolescente e a família,pois isso fortalece o sujeito, estimula a cooperação, a solidariedade,
o desenvolvimento do comportamento cidadão e a construção da
autonomia.
Acolhimento e triagem
O primeiro atendimento tem como objetivo o acolhimento da criança,
do adolescente e de sua família, bem como o levantamento das suas
demandas imediatas, atentando-se para as situações de emergência
e/ou ameaças que possam surgir em alguns casos. O atendimento
realizado com crianças e adolescentes para os quais não tenha havido
atendimento prévio do Conselho Tutelar deve ser noticiado/comunicado
imediatamente pelo CREAS ao Conselho Tutelar, em observância ao
disposto no artigo 13 do ECA.
O acolhimento é fundamental, e constitui fator determinante para
a permanência ou não da criança/do adolescente na instituição, assim
como para sua adesão ao atendimento. O pedido inicial das crianças,
dos adolescentes e de família é o de ser ouvidos e acreditados sem
julgamentos. Segue-se a isso a necessidade de proteção, acolhimento e
ajuda para lidar com os aspectos subjetivos advindos da violência sexual.
Deve-se levar em conta que o trabalho é desenvolvido com crianças,
adolescentes e seus familiares, que estão extremamente fragilizados e em
risco pessoal e social. Um acolhimento inadequado pode deflagrar um
processo de revitimização e comprometer todo o atendimento.
O sigilo, a crença e o amparo social da fala da criança são inerentes
a esse tipo de trabalho. É importante atentar que, muitas vezes, a
ida ao CREAS significa um pedido de socorro, uma forma de buscar
interromper o ciclo da violência e se refazer após um acontecimento
desse tipo. É preciso levar em consideração o quão difícil é para a
criança estar ali, muitas vezes como denunciante, fragilizada e até
mesmo exposta a inúmeros procedimentos jurídicos e a pressões da
família e da sociedade.
Deve-se lembrar que os sujeitos em situação de violência sexual
geralmente se encontram bastante fragilizados, podendo apresentar
dificuldade de confiar em outras pessoas, por todas as características
envolvidas nesse tipo de situação. Por isso, o profissional que realiza o
acolhimento deve adotar uma postura que transmita segurança. Esse
cuidado é válido também para os casos que não são de competência
do CREAS/Serviço de Enfrentamento e que serão encaminhados. Ao
fazer o encaminhamento para a rede de serviços, é importante conhecer
as instituições parceiras, suas atribuições e competências e o perfil do
público que atendem. Além disso, faz-se necessário contato prévio com
os profissionais da instituição para a qual está sendo encaminhado o
caso para que, de fato, seja garantido o atendimento.
Fonte:
Brasil(2009)- Serviçode Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias:Referências para a atuação do Psicólogo
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