sábado, 29 de outubro de 2011

Afasia: Conceituação e tipificação

A afasia é uma deterioração da função da linguagem, depois de ter sido adquirida de maneira normal e sem déficit intelectual correlativo. Caracteriza-se por dificuldade em nomear pessoas e objetos. Podem levar a um discurso vago ou vazio caracterizado por longos circunlóquios e pelo uso excessivo de referências indefinidas como "coisa" ou "aquilo". Pode evoluir para um comprometimento grave da linguagem escrita e falada e da repetição da linguagem. No extremo pode levar a mudez ou a um padrão deteriorado com discurso com ecolalia ou palilalia. As causas principais são:
  • Tumores;
  • Lesão do corpo caloso;
  • Acidente Vascular Cerebral AVC (ou derrame);
  • Doenças Infecciosas (como a meningite);
  • Doenças degenerativas (como a esclerose múltipla ou as demências);
  • Acidentes com traumatismo crânio encefálico;
  • Tensão metabólica (intoxicações);
Há vários tipos de afasia. Elas podem ocasionar lesões em aspectos muito específicos da linguagem: no nível fonético,sintático,semântico ou pragmático. O clínico especialista no terapia com pacientes afásicos é o fonoaudiológo.
As afasias são estudadas tanto pela neuropsicologia quanto pela linguística, e a terapêutica é matéria interdisciplinar. Segundo a neuropsicologia, distinguem-se dois grandes grupos de afasias, cada uma das suas variedades referindo-se a lesões cerebrais de localização precisa: o grupo das afasias de expressão e o grupo das afasias sensoriais ou de recepção.

Tipos de Afásia:

Afasia de Wernicke (dano no lobo temporal): Há grande dificuldade para compreeender o sentido das palavras.A fala é fluente, com entonação correta, mas as palavras são aleatórias, muitas vezes sem significado.No entanto é comum acredite falar corretamente.

Afasia de Broca (dano no lobo frontal): Compreende-se bem o que se ouve e lê, mas existe uma dificuldade para se exprimir, pois falta o vocabulário.Em alguns casos, o afásico escolhe uma palavra qualquer para dizer todas as coisas.

Afasia Global ( dano em vastas áreas linguísticas do cerébro): É o caso mais grave, nele perdem-se tanto a capacidade de compreender quanto a de falar, ler, escrever.Mesmo assim, o paciente tem consciência de tudo à sua volta e pode expressar seus sentimentos com gestos.

sábado, 22 de outubro de 2011

Memória: Conceituação, tipos e amnésias

A memória é a capacidade de adquirir (aquisição), armazenar (consolidação) e recuperar (evocar) informações disponíveis, seja internamente, no cérebro (memória biológica), seja externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial).
A memória focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade. É um processo que conecta pedaços de memória e conhecimentos a fim de gerar novas idéias, ajudando a tomar decisões diárias.
Os neurocientistas (psiquiatras, psicólogos eneurologistas) distinguem memória declarativa de memória não-declarativa. A memória declarativa, grosso modo, armazena o saber que algo se deu, e a memória não-declarativa o como isto se deu.
A memória declarativa, como o nome sugere, é aquela que pode ser declarada (fatos, nomes, acontecimentos, etc.) e é mais facilmente adquirida, mas também mais rapidamente esquecida. Para abranger os outros animais (que não falam e logo não declaram, mas obviamente lembram), essa memória também é chamada explícita. Memórias explicitas chegam ao nível consciente. Esse sistema de memória está associado com estruturas no lobo temporal medial (ex: hipocampo, amígdala).
Psicólogos distinguem dois tipos de memória declarativa, a memória episódica e a memória semântica. São instâncias da memória episódica as lembranças de acontecimentos específicos. São instâncias da memória semântica as lembranças de aspectos gerais.
Já a memória não-declarativa, também chamada de implícita ou procedural, inclui procedimentos motores (como andar de bicicleta, desenhar com precisão ou quando nos distraímos e vamos no "piloto automático" quando dirigimos). Essa memória depende dos gânglios basais (incluindo o corpo estriado) e não atinge o nível de consciência. Ela em geral requer mais tempo para ser adquirida, mas é bastante duradoura.
Memória, segundo diversos estudiosos, é a base do conhecimento. Como tal, deve ser trabalhada e estimulada. É através dela que damos significado ao cotidiano e acumulamos experiências para utilizar durante a vida.

Amnésias:
Síndrome de Korsakoff: Decorrente do alcolismo, seu portador não consegue reter novos acontecimentos.
Traumática: Quem sofre trauma no crânio pode esquecer o que ocorreu logo antes oudepois do acidente.Quanto maior for o trauma, mas prolongada será a amnésia.
Amnésia Global: Não se retém informações novas nem antigas.Ocorre em demências, traumas muito graves e intoxicações por monóxido de carbono.
Amnésia Global Transitória: Dura apenas algumas horas, e a recuperação é quase total.A causa não está ainda estabelecida.
Amnésia Psicogênica: É temporária e ocorre devido a traumas psicológicos.Pode ser tanto anterógrada como retrógrada. Raramente há perda permanente de trechos de sua vida.

sábado, 15 de outubro de 2011

Oncologia e o papel do psicólogo


A Psicologia da Saúde e a Medicina Psicossomática vêm fornecendo subsídios teóricos e práticos para a pesquisa e a atuação em Psico-oncologia, a qual busca estudar as duas dimensões psicológicas do câncer:
a) o impacto do câncer na função psicológica do paciente, na sua família e nos profissionais de
saúde que o cuidam;
b) o papel que as variáveis psicológicas e comportamentais possam ter no risco do câncer e na sobrevivência a este. Visando a uma melhor compreensão da doença e de formas
para lidar com ela,sempre focando a melhoria de qualidade de vida e o enfrentamento da doença.
A Medicina Psicossomática oferece subsídios para se compreender a relação entre os estados emocionais, e o aparecimento de sintomas somáticos e diferentes tipos de doenças físicas. Preocupa-se com a relação entre fatores sociais e psicológicos, funções biológicas e fisiológicas, assim como com o desenvolvimento de doenças físicas diversas.
O termo psico-oncologia é formado por: psico (de psique = mente), onco (do grego- "ogkos"= tumor) e logia (conhecimento, estudo).
Durante a intervenção psicológica, podem ser examinadas questões relativas a "maneira de viver", ou seja, atitudes e comportamentos, de alguma forma prejudiciais à saúde da pessoa,ajudando-a a perceber a necessidade de uma reorganização que possibilite uma vida mais saudável e satisfatória.
Intervenção em nível primário, que visa a atuar sobre três pontos principais: os estilos de vida do indivíduo, o estresse diário e o comportamento alimentar. Inclui:
• promover mudanças de atitudes e mudanças
comportamentais, que facilitem o aparecimento de estilos de vida saudáveis;
• promover o reconhecimento do papel de políticas econômicas, sociais, psicológicas e educacionais, no estilo de vida da população;
• educar a população para reconhecer e lidar com o estresse da vida diária, ou seja, orientá-la para perceber quando, de fato, começa a ficar sobrecarregada física ou emocionalmente no seu dia-a-dia;
• educar a população, no sentido de desenvolver estratégias adequadas para lidar com situações estressantes do ciclo vital como, por exemplo, a morte e a velhice;
• promover mudança de hábitos alimentares.
Intervenção em nível secundário, que diz respeito à educação para a detecção do câncer. Inclui:
• informar a população, em geral, e a de alto risco sobre os procedimentos preventivos de diversos tipos de câncer;
• promover a aquisição de hábitos periódicos e sistemáticos de detecção precoce;
• treinar profissionais de Saúde Pública, para melhor informar e lidar com a população, em geral, e a de alto risco;
• promover a análise de fatores psicológicos e sociais responsáveis pela não-adesão a programas preventivos;
• divulgar estratégias que facilitem a automatização de procedimentos preventivos aprendidos, pela população, em geral.
3. Intervenção em nível terciário, que se refere às intervenções que deverão ser realizadas durante o processo de tratamento. Inclui:
• levar o indivíduo portador de câncer a aderir às prescrições de tratamento, da melhor maneira possível, ou assumir conscientemente as consequências e os riscos de não aderir;
• promover o conhecimento de técnicas de enfrentamento psicológico, em indivíduos diagnosticados com câncer de diferentes tipos e em diferentes estágios da doença;
• promover o treinamento de profissionais de Saúde para lidar melhor com indivíduos portadores de câncer e suas famílias, bem como promover o treinamento em técnicas de enfrentamento, para lidar de forma eficiente com a depressão do próprio profissional e sua ansiedade diante do câncer;
• colaborar em vários tipos de resolução de problemas relevantes ao contexto de tratamento do câncer, tais como a comunicação do diagnóstico ou a preparação para a morte com pacientes terminais;
• colaborar na solução de problemas, potencialmente, modificáveis por meios psicológicos: náuseas e vômitos antecipatórios, devido aos tratamentos médicos prescritos, dor, ansiedade, depressão e insônia.
4. Intervenção na fase terminal, em que os objetivos são inúmeros e podem abordar os mais diferentes aspectos presentes, no contexto de morte da pessoa com câncer. Inclui:
• atender às necessidades emocionais da pessoa, considerando seus medos e ansiedade diante do sofrimento, da deterioração física e da iminência da morte;
• facilitar o processo de tomada de decisões e resoluções de possíveis problemas pendentes, tais como os que se referem à família, às finanças etc.;
• apoiar a família para lidar com as emoções presentes no contexto de morte e separação;
• apoiar a própria equipe de saúde, envolvida com a atenção ao paciente terminal, para que esta possa lidar melhor com a frustração e possíveis sentimentos de perda, diante da morte desse paciente;
• colaborar para que o tratamento oferecido à pessoa, em fase terminal, respeite sua dignidade e produza sua qualidade de vida.

sábado, 8 de outubro de 2011

O Contexto e os Sintomas

Contexto deriva da palavra lugar, como foi explanado na aula passada cada lugar desenvolve seus próprios contextos, o que é comum em um local, uma época, pode não sê-lo em outra.
Da mesma forma os sintomas variam de lugar,de época e principalmente de cultura.
Sintoma é definido por Shineider, como aquele que orientam o diagnóstico,representam a manifestação de uma enfermidade.
A caracterização dos sintomas baseia-se em sete princípios ou componentes dos sintomas, a saber:
Cronologia, Localização Corporal, Qualidade, Quantidade, Circunstâncias, Fatores Agravantes ou atenuantes e Manifestações Associadas.
  • Cronologia é a identificação dos aspectos relacionados ao tempo e sequência de evolução dos sintomas como a hora do dia, o dia do ciclo menstrual, etc;
  • Localização Corporal não é apenas determinar o local dos sintomas mas sua irradiação e profundidade. Deve-se ter em mente que as pessoas nomeiam partes do seu corpo de modo diferente, conforme seu próprio conhecimento.
  • Qualidade é um dos aspectos mais difíceis de se determinar, uma vez que conta com a descrição que o paciente faz de suas percepções. As comparações que muitas vezes são feitas remetem à memória individual, às experiências de cada um de nós. Por exemplo, a sensação de calor varia em função da hereditariedade, da região onde mora, etc.
  • Quantidade é a descrição da intensidade, frequência, número de vezes em que o fenômeno ocorreu, intervalo entre os episódios, volumes de secreções, edemas. Circunstâncias em que o sintoma ou sintomas ocorrem, como local, atividade que exerce no momento da ocorrência do sintoma, exposição a fatores ambientais, ingestão de alimentos, por exemplo.
  • Fatores Agravantes ou Atenuantes, embora claramente compreendidos, exigem do examinador a ciência exata das relações entre os sintomas e os fatores que neles interferem, de modo a poder selecionar e identificar, sem sugestionar o paciente, aquilo que realmente interfereou não com o sintoma.
  • Manifestações Associadas podem ajudar até mesmo na identificação de Síndromes.Como nem sempre o paciente tem a noção da importância da ocorrência de um fenômeno simultâneo a outro, compete ao médico o interrogatório e a associação dos eventos.
  • Exemplos de Sintomas:
  • Sede, Fome,Dor,urgência miccional, inapetência,fraqueza (astenia),tontura e vertigem