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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Quando se deve procurar a psicoterapia


Na clínica observo que os clientes tem muita pressa em receberem alta, chegam cheios de dúvidas, e logo disparam:Esse tratamento demora muito?Se eu estou aqui não quer dizer que sou doido não, não é? ou quando estão fazendo uso de psicofármacos, referem:Quando vou deixar de tomar esse remédio? minha vizinha disse que isso vicia.Isso quando não suspendem por conta própria a medicação.

Quando se deve procurar uma Psicoterapia?Quando de alguma forma o indivíduo não esta satisfeito com o andamento de sua vida, não está feliz, ou está vivendo algum sofrimento e não consegue superá-lo, neste contexto um facilitador pode poupar tempo e energia.Por mais que o indivíduo considere ter um grande auto-conhecimento, quando por algum motivo esbarra em situações as quais ele não consegue dar respostas que lhe sejam satisfatórias com os recursos que domina, surge a necessidade de ampliar a consciência a seu próprio respeito.
Então tento explicar, como o fiz no parágrafo acima, para que serve a psicoterapia, quanto a duração, tento minimizar a ansiedade explicando que cada caso é um caso.


Da mesma forma refiro sobre a medicação, sobre os efeitos colaterais e da importância de serem usadas com responsabilidade, que não se deve descontinuar o uso sem o conhecimento do médico, que o vizinho, salvo ser for médico, não pode orientá-lo de forma correta.


Técnicas são utilizadas para investir, esclarecer, trazer novos ângulos, mas elas são recursos auxiliares. É no âmago da relação que a cura acontece e ela não é unilateral, se dá em ambas as partes.


Sim, o psicoterapeuta também cresce, amadurece, se modifica com o processo terapêutico de seus clientes.

A base de uma boa terapia está na relação terapêutica. A boa terapia se desenrola num enquadre clínico com um clima terapêutico favorável.
Criar um ambiente que permita a revelação dos mundos internos e favoreça o desenvolvimento do processo singular de cada um. Neste clima é possível que o ser mais oculto e amedrontado se mostre, seja ouvido, se transforme, que o processo formativo possa prosseguir formando vida.


Essa pressa em findar o tratamento, está ligada a lenda de quem está sendo tratado por psicólogo ou psiquiatra é "doido", então os que procuram o fazem como última alternativa, e mesmo assim como muita resistência ao tratamento.


Todas essas variantes se não forem bem trabalhadas, despertam mais ansiedade e afastam o cliente do tratamento, é necessário que o profissional esteja presente, de forma a acolher toda essa ansiedade e explicar todas as dúvidas que o cliente traga e as que surgirem no decorrer do processo terapêutico.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Falando de psicologia e da alta

A Psicologia atua em várias áreas do comportamento humano: educação, clínica, hospital, comunidades, sociedade, esportes, empresas, ONGs, e outras. A Psicologia é regulamentada pelo Conselho Federal de Psicologia - CFP .
Costumam perguntar a diferença entre psiquiatra, psicanalista e psicólogo.
O psiquiatra é médico com residência em psiquiatria (ramo que estuda as doenças mentais e medicamentos).
O psicanalista é pessoa de qualquer curso superior que se forma psicanalista didata por uma associação de psicanálise credenciada.
O psicólogo é licenciado e bacharel em Psicologia, e tem o número de inscrição no CRP (regional). Outra dúvida é: em sendo psicólogo, qual a linha? A linha é o método que o profissional segue: comportamental cognitiva, análise funcional do comportamento, psicanálise de Freud, Lacan, Jung, Reich, fenomenologia , gestalt, análise transacional, multi modal, psicodrama, e outras. Todas confiáveis, desde que a pessoa tenha o título das associações ou universidades formadoras.
É importante o profissional fazer atualizações em sua área, cumprir seus compromissos com as associações, participar de eventos profissionais, manter relacionamento com pessoal da saúde.
O método depende do sistema de crenças do psicólogo, e subentende um pensamento organizado em relação aos objetivos, ética, estrutura e estratégias do tratamento. Também é desejável que o psicoterapeuta psicólogo faça sua terapia pessoal.
Clínica é o ramo da psicologia da saúde que cuida da pessoa ou grupo de pessoas com o objetivo de auxiliá-la no autoconhecimento, e assim eliminar algumas queixas, encarando o indivíduo como um todo que funciona e se comporta.

O psicólogo clínico utiliza instrumentos validados só para psicólogos : entrevistas, observações, histórico de vida, testes (em psicodiagnóstico, orientação profissional, a pedido médico, ou quando a situação exige). O objetivo principal do tratamento clínico é que a pessoa resolva aquilo que necessitava ao buscar tratamento.
O alívio de sintomas relatados na primeira consulta, ocorre de forma branda, e é diferente do objetivo geral do tratamento. Chama-se a esta fase de contrôle social.
A alta é conjeturada por qualquer das partes quando o paciente apresenta-se sem sintomas há pelo menos seis meses, e tendo resolvido questões básicas do seu eu .
Há pessoas que buscam o tratamento por depressão, ansiedade, sintomas psicossomáticos, problemas de relacionamento, profissionais, ou são indicados por cardiologistas, imunologistas, endocrinologistas, etc. Outros são encaminhados por educadores, professores, pais, amigos. Alguns buscam psicoterapia somente para auto conhecimento, e também nestes casos percebe-se frequentemente a busca de alívio, ou seja, a busca por uma melhor qualidade de vida.
Parece claro então que o objetivo de todos é se sentir bem, dentro daquilo que é saudável para cada um. A normalidade é um conceito questionável.
O 'normal' confunde-se com o 'comum'. A normalidade é um conceito de bem estar, subjetivo e cultural.
De ponto de vista objetivo, a pessoa é considerada saudável quando produz, é flexível, relaciona-se e se cuida.
Por isto, na alta psicológica, há que se buscar satisfazer todos estes conceitos.
Importante para o profissional utilizar uma medida objetiva no início de tratamento para ser reaplicada a cada seis meses, assim não perde o foco.
Como acesso à compreensão da pessoa costumam-se procurar sinais : palavra, expressão facial, postura, tom de voz, lapsos, tudo que acontece no relacionamento psicólogo - paciente a fim do psicólogo clínico e/ou psicoterapeuta psicólogo - ter condições para compreender e atuar.
Quando é oportuno e eficaz, as pessoas fazem um seminário, oficina ou curso, em grupo, durante o tratamento ou no final, para autoconhecimento.É importante às vezes que haja contato entre psicólogo e algum (s) membro(s) da família, médicos do paciente, para auxiliar no processo, sempre com permissão do consultado.
A alta psicológica, é um assunto delicado no meio, observo que muitos colegas resistem a empregá-la, muitas vezes forçando o cliente a simplesmente desistir do tratamento, uns justificam a impossibilidade de alta devido a possíveis "recaídas", outros dizem que os clientes que tratam tem dificuldade de desfazer o vínculo terapêutico.
Muito louvável tais justificativas, mas na prática não funcionam, o que acontece , na verdade é que muitos colegas "prendem" o cliente, por estarem atendendo a poucos.
Não compactuo com essa prática, estou clinicando há algum tempo e já dei alta sim, apesar das críticas dos colegas, quando percebo que o cliente pode "andar pelas próprias pernas", dou alta, claro que o preparo antes, isso ao invés de diminuir minha clientela, como acontece com os demais, tem aumentado, há a percepção da honestidade, e essa prática é a melhor propaganda.
Para que a alta se dê, é necessário o que foi exposto acima, e muitas vezes não espero seis meses para ter a "leitura" de que o cliente está apto a se independer.
Acredito que é com honestidade, que conseguimos fazer um "nome" de respeito.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Limites em Crianças



Em meio a tantas mudanças e dificuldades, muitos pais ficam perdidos sem saber como educar seus filhos. Incertezas e uma certa dificuldade sobre como educar os filhos, sempre houve em qualquer época. Hoje em dia, entretanto, quando a criança está exposta a todo tipo de influência e onde os pais, em muitos casos, acabam tornando-se ausentes, pelas exigências do trabalho, as coisas têm se complicado. Isso só aumenta as dúvidas e incertezas sobre como agir.
Por terem passado por dificuldades ou errado muito na vida, muitos pais tentam poupar os filhos dos mesmos erros ou de dificuldades, sofrimentos e frustrações, superprotegendo- os e dando tudo que desejam, do bom e do melhor.
Esquecem-se que, se hoje são cidadãos corretos e íntegros e possuem espírito de luta e perseverança, é porque tiveram que enfrentar os reveses da vida. Não percebem que ao agirem desse modo, estão educando os filhos para a insensibilidade e a irresponsabilidade social, além de, em muitos casos, torná-los incapazes de lutar pelo que desejam, especialmente se houver dificuldades a serem enfrentadas.
AUTORIDADE:
Por outro lado, dentro de uma visão moderna e equivocada de educação, e tentando não repetir o modelo extremamente rígido que receberam dos pais, muitos evitam uma intervenção autoritária na vida dos filhos, abrindo mão de toda autoridade que têm, o que nada mais é do que uma fuga das responsabilidades educacionais. A falta de firmeza dos pais leva as crianças a imporem suas vontades. Acostumados, desde cedo, a ver todos seus desejos atendidos, a criança e o adolescente não aceitam ser contrariados. 

É fundamental que os pais sejam referências e estabeleçam regras, limites e parâmetros de comportamento, para que a criança se sinta segura e protegida e se torne também uma pessoa segura, não adotando para si valores questionáveis ou perdendo o sentido de valor da vida.
A criança é gerida por impulsos e sua vontade é promover o seu bem estar, satisfazendo desejos e curiosidades. Se os pais não impõem limites ou simplesmente apenas dizem "não faça isso", não tomando nenhuma atitude para impedir a criança de fazer o que quer, não estabelecendo limites concretos, ela fatalmente fará somente o que deseja. Não é agir de forma autoritária, nem complacente. É estabelecer limites concretos, com firmeza, e mostrar para a criança o por quê da proibição.
A personalidade da criança é construída com base no seu temperamento, que nasce com ela e determina a forma como vai reagir aos estímulos do meio; e o seu caráter, que é aprendido e moldado pelas experiências vividas, principalmente nos primeiros anos. Daí a importância do papel dos pais na vida delas. Esta é uma responsabilidade dos pais e não da escola. Mas o que se vê hoje são crianças que vivem com as empregadas e pais que delegam à escola a responsabilidade de educar.
EQUILÍBRIO:
O correto não é reprimir nem humilhar, e muito menos ser permissivo, mas manter o equilíbrio, buscando atender às necessidades da criança, para que se desenvolva de forma emocionalmente sadia,como ter saciada as necessidades básicas, além do alimento, do sono e do bem estar físico, o afeto positivo, a aceitação e valorização da criança e o estabelecimento de limites. 
A criança necessita ser tocada, se sentir amada, valorizada e aceita como ela é, para internalizar esses sentimentos,a mesma age como se fosse um gravador, adquirindo para si, como parte de seu caráter, tudo o que ocorre ao seu redor.
Se a criança faz algo errado e é tratada de forma hostil pelos pais, em vez de serem corrigidas e orientadas de forma correta, aprendem a agir de forma negativa para receber esse tratamento hostil, desenvolvendo relacionamentos doentia com as pessoas.
Quando a valorização pessoal da criança não é bem trabalhada e desenvolvida, serão adultos inseguros, que exigem demais de si mesmos e que não valorizam o que fazem, achando que nada está bom o suficiente.
Não é elogiar tudo o que a criança faz, mesmo que seja uma tarefa de casa mal feita, nem também exigir da criança algo que está além do limite de sua idade. Estas devem ser elogiadas quando fazem as coisas bem feitas ou se esforçam para isso, mas muitos pais só se dirigem aos filhos para criticá-los. Por outro lado, há aqueles que ao elogiarem todas as atitudes dos filhos reforçam condutas erradas, como certas. Tem que se buscar um equilíbrio.
Principais Erros:
• Excesso de conforto material, cuidados e mimos que resultam em uma fraqueza de caráter.
• Superproteção que torna os filhos indefesos, dependentes e medrosos diante das pessoas, das situações do dia a dia e da vida. Para crescer de forma sadia, a criança precisa experimentar um pouco mais das frustrações e limites próprios da realidade.
• Pais ausentes física ou emocionalmente desenvolvem nos filhos sentimentos de abandono, de indiferença e personalidade fria de sentimentos.
• Filhos acostumados a submeterem seus pais a suas vontades, podem se transformar em pessoas egoístas, sem senso de limites às regras da civilidade, ao respeito às autoridades ou aos mais velhos.
• Ausência de conversas sobre assuntos de família, política, religião e falta de diálogo sobre os problemas da criança, desenvolvem seres analfabetos quanto a temas de sobrevivência atual.
• A preocupação de alguns pais em somente ter, em detrimento do ser, leva os filhos a desenvolverem o mesmo problema. Acabam se transformando em pessoas cegas para os verdadeiros valores da vida.
• Da mesma forma, pais viciados em drogas, cigarro ou álcool, por mais que digam ser isso errado, com suas atitudes autorizam que seus filhos desenvolvam os mesmos vícios.

 
INFLUÊNCIAS:
Há também os riscos de deixar a criança exposta, de forma excessiva, às influências da televisão, do videogame. Além de dar as coisas prontas e não deixar que a criança pense e dê margem a sua criatividade, a televisão ao prender a atenção desta, não deixa também tempo para que ela se movimente, impedindo o total desenvolvimento de sua coordenação motora.

ESTRATÉGIAS DE MUDANÇA:
• Buscar ser um pai/mãe mais afetivo e presente.
• Reforçar atitudes positivas, logo após o comportamento desejado, com presentes ou palavras.
• Valorização da criança como ela é, dentro de seus limites e não como os pais desejam que seja.
• Não esperar da criança atitudes de um adulto, mas buscar colocar-se na situação desta. Os pais devem caminhar junto com seus filhos e não arrastá-los, direcionando- os com base em suas experiências.
• É preciso ter paciência e ir mudando as atitudes negativas por partes.

sábado, 22 de novembro de 2008

Oração do Psicólogo


Encontrei essa oração guardada comigo, desde a época de minha formatura, ela continua linda e me emocionando, por isso hoje resolvi compartilha-la em nosso espaço:


"Senhor,

Facilita-me um conhecimento mais profundo de mim mesmo,

para que eu possa reconhecer o outro

na sua plenitude.

Senhor,

Permita-me ver o Homem

que está diante de mim,

para que eu possa ajudá-lo

o ver o que está em si.

Senhor,

Possibilita-me um discernimento

mais abrangente para que

eu possa ajudar o Homem

a resgatar a sua identidade e o seu significado.

Senhor,

Dá-me humildade para

que eu possa reconhecer

os meus erros e os meus limites,

pois só assim poderei transcendê-lo.

Senhor,

E bem aventurado os que podemos

penetrar a natureza humana e compreendê-la.

E bem aventurados os PSICÓLOGOS,

que temos a experiência de DEUS,

nesse encontro com o OUTRO."

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Sobre Licença Maternidade


O projeto de lei que amplia a licença maternidade para seis meses, já está valendo em 58 municípios e seis estados, que se anteciparam ao projeto de lei (PLS 281/05, no Senado, e PL 2513/07 na Câmara), o mesmo foi idealizado pela sociedade Brasileira de Pediatria, na pessoa do seu presidente Dioclécio Campos Jr, e teve apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

De acordo com a proposta, a adoção da licença é voluntária, tanto para a empresa como para a trabalhadora. A empresa que quiser conceder a licença de 6 meses deve aderir ao programa Empresa Cidadã, criado pelo próprio projeto, Com isso, o empregador terá isenção total no Imposto de Renda do valor pago às trabalhadoras nos dois meses a mais de licença.

O pediatra Dioclecio Campos e a senadora Patricia Saboya,ressaltam o fato de a ampliação da licença maternidade ser importante para possibilitar ao bebê um começo de vida saudável, com os cuidados adequados e com a nutrição ideal, como o alimento materno.O objetivo da medida, é também corrigir o descompasso entre legislação brasileira, que prevê uma licença de quatro meses, e a recomendação da Organização Mundial de Saúde(OMS) de que as mães devem amamentar seus filhos por, no mínimo seis meses, pois o leite materno é uma vacina capaz de prevenir males como pneumonia, diarréia e doenças alérgicas.
O que garante o Projeto de Lei:
  • As mães que trabalham em empresas que aderirem ao Programa Empresa Cidadã devem solicitar a prorrogação da licença até o final do primeiro mês após o parto.

  • As empresas que poderam usufruir na isenção do IR pelos dois meses a mais de licença maternidade serão as enquadradas no regime do lucro presumido e as optantes pelo Sistema Integrado de pagamentos de Impostos e Contribuições das Micro empresas e Empresas de Pequeno Porte(SIMPLES)

  • A prorrogação também será garantida às empregadas que adotarem filhos.

  • A administração pública direta, indireta e funcional fica autorizada a instituir um programa que garanta a prorrogação da licença maternidade para suas servidoras

  • No período de prorrogação do benefício, as mães não poderão exercer qualquer atividade remunerada e a criança não poderá ser mantida em creche

  • Os valores recebidos nos dois meses adicionais não integram o salário - contribuição, mas não há prejuízo para a contagem do tempo de contribuição da segurada.
* Capitais:
  • Rio Branco

  • Manaus

  • Macapá

  • Fortaleza

  • São Luís

  • João Pessoa

  • Recife

  • Teresina

  • Natal

  • Porto Velho

  • Curitiba

  • Aracaju

  • Vitória

*Estados:
  • São Paulo

  • Ceará

  • Pernambuco

  • Amapá

  • Rondônia

  • Paraíba

  • Rio Grande do Norte

  • Piauí

  • Espírito Santo

  • Alagoas

  • Maranhão

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Guarda Compartilhada pode melhorar a vida dos filhos


Já aplicada por alguns juízes e por pais separados com o convívio harmonioso, a guarda compartilhada tem como principio a divisão igualitária de direitos e deveres dos pais em relação aos filhos, o que inclui as decisões sobre a rotina da criança - escolha da escola, pediatra, dentista e atividades extras - e a definição conjunta sobre o tempo em que o pai e a mãe ficarão com o filho.
Apesar de não impor um modelo de guarda compartilhada, a nova lei prevê que seja dada a preferência a esse tipo de tutela em qualquer processo de separação. A escolha também pode ser por consenso dos pais. Ainda de acordo com a lei, o juiz poderá requerer orientação técnico-profissional para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência destes com a criança, além de informar aos pais o significado da guarda compartilhada, a sua importância, a semelhança de deveres e direitos atribuídos aos dois e as sanções pelo descumprimento de suas cláusulas.
Na guarda compartilhada, um dos pais pode deter a guarda material ou física e ambos compartilham os direitos e deveres emergentes do pátrio poder, não há divisão pela metade do tempo passado com os filhos, o genitor que não tem a guarda física não se limitará a supervisionar a educação dos filhos e a exercer o direito de visitas, como ocorre na guarda unilateral.
Entretanto a guarda compartilhada não se aplica a todos os casos, como naqueles em que o casal vive um conflito judicial. Esse modelo é uma forma de regulamentação que funciona bem para a maioria dos pais cooperativos e muitas vezes tem êxito ,mesmo quando o diálogo entre os pais não é bom, mas estes são capazes de isolar os filhos de seus conflitos conjugais.
Mas é importante salientar que, a criança muito ansiosa ou insegura talvez não tenha estrutura para ser submetida a rotinas diferentes ou a regras até certo ponto conflitantes. A guarda compartilhada também pode não ser a melhor solução quando a criança é muito pequena e por isso necessita da convivência estreita com a mãe.
A Lei 11.698/08 que regulamenta a guarda compartilhada está vigor desde 12 de agosto deste ano.

domingo, 28 de setembro de 2008

Birra e manha podem ser doença


Há algum tempo atrás a birra e a manha nas crianças explicavam todos os comportamentos das crianças e deviam ser corrigidos com broncas,castigos ou palmadas,sabe-se hoje que algumas crianças podem sofrer com vários problemas emocionais.
Estudos revelam que os transtornos ansiosos atingem entre 9% e 15% das crianças e adolescentes.Os mais comuns são o de ansiedade de separação( 4%), o de ansiedade geral (2,7% a 4,6%), e as chamadas fobias específicas(2,4% a 3,3%). Vamos explicar alguns desses transtornos.


*Transtorno de Ansiedade Generalizada:
As crianças com transtorno de ansiedade generalizada(TAG) têm medo excessivo e sentimentos de pânico exagerados e irracionais diante de várias situações.Estão sempre tensas e muito preocupadas que os outros têm sobre seu desempenho.Precisam exageradamente que as pessoas demonstrem confiança e as tranquilizem. Têm dificuldade para relaxar,reclamam de problemas físicos sem causa aparente e têm sintomas como palidez, suor excessivo, respiração acelerada, tensão muscular. Tendem a ser autoritárias quando querem que os outros a tranquilizem.
A criança pergunta o tempo todo se o que as pessoas dizem é verdade, se recusa a iniciar qualquer atividade nova, pede para alguém verificar a lição a cada trecho terminado,mostra-se muito aborrecida e angustiada com o que pensam os colegas de escola sobre ela.
Todo o tempo preocupa-se ora com uma coisa , ora com outra, causando tensão e irritação nas pessoas pelo absurdo da situação, sendo difícil acalmá-la.
O início deste transtorno costuma ser imperceptível e depois vai se agravando até se tornar incontrolável.
*Transtorno de ansiedade de separação:
Quando a criança ou adolescente reage de forma excessiva ao afastamento dos pais ou de quem toma conta dela, e essa reação perdura por pelo menos um mês causando sofrimento intenso e prejudicando suas atividades, é preciso verificar se ela não está sofrendo de transtorno de ansiedade de separação.
As crianças ou adolescentes com esse transtorno têm medo de que algum acontecimento ruim (acidente, sequestro, assalto, doença, etc...) os afaste definitivamente de seus cuidadores.
Por causa disso, demonstram apego excessivo, não permitindo o afastamento ou telefonando o tempo todo para saber se os pais estão bem. Em casa, querem companhia para dormir e resistem ao sono, que consideram uma separação sobre a qual não têm controle. Muitas vezes têm pesadelos sobre a perda dos pais e sofrem muito quando têm que ir para a escola,mesmo que gostem e estejam adaptadas ao ambiente escolar.
As reações diante do afastamento dos pais podem incluir dor abdominal e de cabeça, náusea e vômitos, além de palpitações, tontura e sensação de desmaio, nas crianças maiores, causando grande estresse pessoal e familiar. A criança sente-se humilhada e medrosa, tem sua auto- estima reduzida e pode chegar a ter problemas na vida adulta, principalmente Transtorno de Pânico.
*Fobias:
Fobias são medos excessivos e persistentes relacionados a determinados objetos ou situações específicos.
Diante da situação de que tem medo, a criança corre para perto dos pais ou de alguém que a faça se sentir protegida e tem reações de choro, desespero, imobilidade, ou agitação, ou até mesmo um ataque de pânico.
É comum e saudável que as crianças tenham medo de pequenos animais, injeção, escuridão, altura e barulhos altos.
Mas quando reagem de forma excessiva, sem controle, e essa reação é persistente e prejudica suas atividades, é preciso buscar tratamento.


Fobia Social:
Até os dois anos, o medo de estranhos é considerado natural. Mas depois dessa idade, se as crianças têm medo contínuo e intenso da avaliação de outras pessoas, ou se comportarem de maneira considerada humilhante ou vergonhosa ( todo mundo vai olhar para mim, e se eu fizer algo errado?) , podemos suspeitar de um transtorno conhecido como fobia social, expresso por choro,acessos de raiva, e recusa em se relacionar com pessoas que elas não conhecem.
Crianças com fobia social sofrem ao falar em sala de aula, comer na cantina com os colegas, ir a festas, usar banheiros públicos, falar com professores,e até conversar e brincar com outras crianças. Nessas situações, elas freqüentemente sentem palpitações, tremores, calafrios e calores súbitos, suor excessivo e naúsea.
É comum que também tenham depressão.


Ansiedade:
É um sentimento vago de medo, apreensão, uma tensão diante do perigo ou de algo desconhecido ou estranho.
Nas crianças, a ansiedade tanto pode ser transitória, como pode se agravar e exigir cuidados especiais.
Consideram- se patológicos a ansiedade e o medo que são:


# desproporcionais em reação à situação que incomoda;


# estranhos para a idade da criança


# prejudiciais para sua qualidade de vida, conforto emocional ou desempenho diário.


A ansiedade pode ser uma doença em si mesma, ou um sintoma de outros problemas emocionais como depressão, psicose, transtornos do desenvolvimento etc. Os especialistas afirmam que cerca de metade das crianças com transtorno de ansiedade têm também outro transtorno emocional.
Como quase todos os problemas emocionais, a ansiedade pode ser causada por vários fatores ligados à herança genética e as características do ambiente, cada um com o peso diferente para cada criança.Se não forem tratados os transtornos de ansiedade podem se tornar crônicos e, mesmo que às vezes pareçam melhorar, retornam em novas situações.
Quanto mais cedo os transtornos de ansiedade forem identificados e tratados, maiores as chances de evitar que eles tenham repercussão negativa na vida da criança, como baixo rendimento e evasão escolar, surgimento de doenças e de , possivelmente, problemas psiquiátricos na vida adulta.
O que fazer:
+ Observe atentamente o comportamento da criança, registrando com o máximo de detalhes as suas reações e relacionando as situações, procurando descobrir do que ela tem medo, com que intensidade, há quanto tempo, qual a situação que deu início a esse comportamento.
+ Procure saber dos professores como a criança se comporta na escola.
+Na dúvida, busque ajuda de um psicólogo.
+Participe do tratamento psicoterápico, cumprindo o que for combinado.
+Se os sintomas forem graves (o psicólogo saberá dizer), procure um psiquiatra porque pode ser necessário entrar com medicação.
+Pais, professores, terapeuta e médico, devem estar de acordo com relação aos objetivos e métodos do tratamento.
+Se a criança parou de ir à escola, é preciso que ela retorne o mais rápido possível, de forma gradual e respeitando as suas limitações e o seu sofrimento.
+A família precisa ser consciente do problema e do tratamento proposto, para que todos incentivem a criança a recuperar sua autonomia, da maneira combinada.
+Compreenda, abrace, beije, converse, mas não deixe de impor, com firmeza, disciplina e amor, os limites necessários à formação da criança.


O que não fazer:
- "Diagnosticar" o problema sem uma análise criteriosa: " é birra", " umas palmadas vão dar jeito" etc.
- Expor a criança às situações das quais tem medo sem orientação profissional, ou pior, usando de violência ou sarcasmo.
- Desqualificar a criança, fazendo com que ela se sinta inferior.
- Demonstrar irritação, impaciência.
- Deixar de buscar ajuda profissional até que o problema fique tão grave que afete o equilíbrio emocional de que cuida a criança, causando ainda mais danos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Tensão e Estresse causam Bruxismo


Apertar e ranger os dentes quando não está mastigando é uma disfunção que atinge, em média, 15% da população.São muitos os fatores, físicos e emocionais,inclusive genéticos,que levam a pessoa a apertar inconscientemente os dentes de forma sistemática e constante.Em geral esse hábito começa durante o sono (bruxismo),podendo estender-se também ao período em que a pessoa está acordada(briquismo).
O bruxismo e o briquismo estão relacionados ao estresse em 100% dos casos.Segundo os dentistas,todos os pacientes com sintomas de bruxismo têm a tensão emocional aumentada. Stress,depressão,uso de drogas,ansiedade,medo e expectativas incertas sobre o futuro,por exemplo, são fatores que podem desencadear o problema.Um alinhamento incorreto dos dentes e o consequente fechamento inadequado da boca também estão presentes na maior parte dos casos,mas dificilmente são suficientes para causar o aperto constante dos dentes.
A pessoa aperta os dentes numa tentativa inconsciente do organismo de livrar-se da tensão emocional e, ao fazê-lo, o corpo "percebe" que os dentes não estão alinhados adequadamente, esforçando-se por cumprir a "ordem" de cerrar os dentes.Está delineada a situação que pode acabar causando sérios problemas físicos e emocionais.
Dores de cabeça crônicas são o sintoma mais comum,elas surgem como consequência da contração excessiva dos músculos da mastigação,podendo atingir o rosto,pescoço,ouvidos e até ombros.O período crítico de dor ocorre pela manhã (se há predomínio do bruxismo) ou à tarde (se a pessoa desenvolveu briquismo).
Outro problema decorrente do ranger de dentes são disfunções na articulação da mandíbula, que , além de doer,pode estalar,travar,restringir a abertura da boca e até desviar-se para o lado no ato de abrir ou fechar a boca.Também são frequentes a dor e o desgaste dos dentes.A dor é maior pela manhã e o desgaste pode chegar à gengiva.Em dentes mais frágeis,que têm ou tiveram cáries, o ranger pode provocar a quebra.Se o problema não é tratado e a gengiva inflama,pode ocorrer uma perda do suporte ósseo dos dentes, que se tornam móveis.
A qualidade do sono também é seriamente prejudicada, o que causa cansaço constante,agrava a tensão emocional e, consequentemente,o bruxismo ou briquismo.
É muito comum que as crianças desenvolvam o hábito do bruxismo em razão das alterações no alinhamento dos dentes causadas pela troca dos dentes-de-leite pelos definitivos.
Cerca de 15% delas apresentam a disfunção.Nesse caso o bruxismo tende a desaparecer normalmente com o tempo.O uso de uma placa para dormir moldada pelo dentista pode minimizar a disfunção ou mesmo resolver o problema.
Em geral, no início a pessoa não percebe que tem bruxismo e/ou brinquismo.Só quando a disfunção se instala e se agrava ou quando alguém,em geral marido ou esposa,percebe o ruído,é que ela toma consciência do problema.A falta de informação pode ainda levar a pessoa a demorar para procurar ajuda, o que agrava em muito as consequências.
O diagnóstico geralmente é feito depois que surgem algumas dessas complicações.
O dentista então deve fazer uma verificação completa na boca e propor um plano de ação para eliminar as causas da mordida imperfeita.Pode ser necessário,inclusive,usar um aparelho ortodôntico para criar ou restaurar o alinhamento dos dentes.
O bruxismo ou briquismo são um "termômetro psicológico" instalado na boca.Para eliminar essas disfunções,é necessário identificar as causas da tensão e , na medida do possível,reduzi-la ou eliminá-la.
A dica é:
-Pratique esportes
-Faça ioga e exercícios de relaxamento
-Busque tratamento para os distúrbios psiquiátricos causadores desses transtornos, como depressão e ansiedade.
-Faça psicoterapia.
-Feche bem a boca.
-Use placas de acrílico moldadas pelo dentista, caso necessite.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Evolução do Pensamento Infantil entre 0 e 7 anos


*Egocentrismo: É uma centração da criança sobre si mesma, registrado no início da vida,quando a criança é auxiliada em tudo,é inconsciente dos 2 aos 4 anos, e torna-se visível dos 4 aos 7 anos.
Nesse estágio a criança quer todos os brinquedos para si, ser a primeira em tudo, ser o centro das atenções.É superado à medida que a criança toma consciência da realidade e começa a pensar no outro, a partir dos 7 anos,quando se torna capaz de iniciar a descentralização de seu mundo,se for bem orientada,aos 11 anos supera seu egocentrismo.
*Indiferenciação:É a ausência de percepção para o valor de si próprio,dos outros e das coisas, apresenta-se de forma primitiva e radical dos 2 aos 4 anos,revela-se fortemente na fase de 4 a 5 anos, e atenua-se entre os 6 e 7 anos.Nessa fase a criança não percebe como pode agir sobre as coisas,ela não tem uma idéia exata de como as coisas agem umas sobre as outras, não consegue diferenciar as coisas de seu significado.
Somente a partir dos 7 anos a criança torna-se capaz de iniciar o processo de libertação de seu indiferentismo, se for bem orientada,ela supera essa característica à medida que descobre a realidade.
*Animismo:É a atribuição de vida e consciência a todas as coisas que a rodeiam,ocorre pela não distinção entre o eu e o mundo exterior.A criança supõe que seus brinquedos são vivos,que os animais entendem sua fala,que as plantas choram,etc...
É por volta dos 7 anos,à medida que vai descobrindo a realidade que o animismo é superado.
*Artificialismo:É a colocação de um agente fabricador na origem das coisas.A criança considera os homens responsáveis pela existência de todos os objetos que ela observa no mundo exterior,acredita que os homens fazem com que as coisas apareçam e que essas coisas são mais ou menos vivas e conscientes.Vai diminuindo a partir dos 7 anos também.
*Finalismo:Surgem em crianças de 4 aos 7 anos.É o interesse acentuado no para que serve as coisas e as pessoas, em detrimento de como elas são ou funcionam.A criança age com a finalidade de agradar ou desagradar, obedecer ou desobedecer seus companheiros ou rivais,ela brinca,constrói,observa os adultos realizarem operações técnicas,mas não capta o mecanismo utilizado.
Tende a desaparecer a partir dos 7 anos.
*Imitação:É a forma natural com que a criança constrói seu pensamento e origina suas ações,a linguagem da imitação através de gestos é dominante até os 7 anos.


A criança gosta de imitar mesmo o que não entende,sua ação sempre tem origem na ação do adulto,através da imitação, a criança revela seu meio familiar, os colegas e os adultos que a cercam.A partir dos 7 anos, fase em que o pensamento da criança evolui e sua capacidade de imitação começa a se tornar consciente, a mesma tende a superá-la.



*Afetividade Autocentrada:É a capacidade de experimentar emoções e sentimentos,centrada em si mesma.Na criança de 0 a 2 anos, necessita de muito afeto embora quase não demonstre,de 2 a 4 anos ela precisa de bastante carinho, principalmente dos pais,por ser egocêntrica,quer todo carinho para si.Já dos 4 aos 7 anos,revela grande necessidade de ser amada,através de gestos de carinho dos pais,a criança confia inteiramente que eles a amam.Caso semelhante se dá com os professores ou outras pessoas que se dedicam a ela.É superada a partir dos 7 anos quando a criança começa descobrir o seu valor e o do outro e a afetividade vai se tornando menos egocêntrica.