sábado, 24 de abril de 2010

Lesões e doenças do trabalho

As lesões por reforço repetitivo (LER) são um conjunto de doenças que atingem os músculos, tendões, nervos e articulações e decorrem de sobrecarga no trabalho sobre o sistema músculo-esquelético.
Determinadas também pela Previdencia Social como distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho(Dort), ocorrem principalmente nos membros superiores(dedos,mãos,punhos,antebraços e braços) e são cada vez mais frequentes.
Um levantamento realizado pelo Ministério da Previdência Social mostra que, entre outubro de 2008 e janeiro de 2009, LER/Dort foram os principais motivos de afastamento temporário com concessão de benefícios de natureza previdenciária e acidentária, ao lado dos afastamentos por transtornos mentais.

Os principais fatores de risco são:
- Trabalho automatizado, sob pressão, em que o trabalhador não tem controle sobre suas atividades ( caixa, digitador, operador de telemarketing e outros).
- Obrigatoriedade de manter o ritmo acelerado para garantir a produção.
- Trabalho fragmentado, em que cada um exerce uma única tarefa de forma repetitiva.
- Trabalho rigidamente hierarquizado, sob pressão permanente das chefias.
- Número insuficiente de funcionários.
- Jornadas prolongadas de trabalho, com frequente realização de horas extras.
- Ausência de pausas durante a jornada de trabalho.
- Trabalho realizado em ambientes frios, ruidosos e mal ventilados.
- Mobiliário inadequado( cadeiras, mesas, etc), que leva a posturas incorretas.

O melhor modo de se prevenir pode ser:
- Controle do ritmo de trabalho pela pessoa que o executa.
- Enriquecimento das tarefas, não permitindo a fragmentação do trabalho.
- Eliminação das horas extras.
-Pausas durante a jornada de trabalho para que músculos e tendões descansem, sem aumento do ritmo ou do volume do trabalho
- Adequação do posto de trabalho para evitar posturas incorretas. Mobiliário e máquinas devem ser ajustadas às caracteristicas físicas individuais dos trabalhadores.
- Ambiente de trabalho com temperatura, ruído e iluminação adequados.
- Fiscalização nos ambientes de trabalho pela comissão interna de prevenção de acidentes
(Cipa), Delegacia Regional do Trabalho e Emprego, sindicato e centros de referência em saúde do trabalhador (Cerest).
- Claúsulas nos acordos coletivos de trabalho que privilegiem a prevenção de doenças do trabalho ou profissionais, tratamento e reabilitação dos trabalhadores.
- Implantação de programas de ginástica laboral, com duração de 8 a 12 minutos por dia, de cinco a seis vezes por semana.
Existem três tipos de ginástica que pode ser utilizados pelas empresas:
* Compensatória: Praticada antes do expediente de trabalho, tem como objetivo proporcionar aquecimento para o trabalho.
* De Pausa: Praticado no meio do expediente, para aliviar as tensões e fortalecer os músculos.
* Relaxamento: Praticada após o expediente do trabalho,proporciona relaxamento muscular.

sábado, 10 de abril de 2010

O Ato Médico afeta realmente profissionais de saúde?

Apontarei alguns trechos do Ato Médico, que afetam o “profissional de saúde”, não apenas o psicólogo:
1- Nos Art. 1 a 4, descrevem-se as atividades privativas (como intubação traqueal, sedação) e não privativas (como fazer cateterização, punção, aplicar injeção etc) do médico. Com a descrição das funções não-privativas do médico, compreende-se sobre o que não há exclusividade (que fique claro, ninguém disse que o enfermeiro não pode mais aplicar injeções só porque é uma função médica).
2- No Parágrafo 2º do Art. 4, é afirmado que: “Não são privativos do médico os diagnósticos funcional, cinésio-funcional, psicológico, nutricional e ambiental, e as avaliações comportamental e das capacidades mental, sensorial e perceptocognitiva”. Mais adiante, no Parágrafo 7º do Art. 4, temos: “O disposto nesse artigo será aplicado de forma que sejam resguardadas as competências próprias das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional e técnico e tecnólogo de radiologia” .
O texto deixa claro que os atos médicos não vêm alterar os atos dos outros profissionais de saúde que se profissionalizaram por meio de um curso superior (graduação) e que têm suas atividades regulamentadas por lei.
3- No Art. 5, ao listar atos privativos do médico (direção, chefia, coordenação e ensino), novamente o parágrafo único esclarece: “A direção administrativa de serviços de saúde não constitui função privativa de médico”. Além disso, descrições semelhantes são normais, encontradas sobre atos administrativos privativos de outros profissionais da saúde (como no decreto n. 53.464/64, das funções do psicólogo).
Os atos do médico ficariam agora estabelecidos em lei ( rígida e fiscalizada) e não somente pelo Conselho Federal de Medicina.
Isso é reafirmado no Art. 6, “A denominação de Médico é privativa dos graduados em cursos superiores de medicina e o exercício da profissão, dos inscritos no Conselho Regional de Medicina com jurisdição na respectiva unidade da Federação”.
Agora, atentem para esse artigo:
No Art. 4, temos: “São atividades privativas do médico:
I-Formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica”; no Parágrafo 1º, a definição de diagnóstico nosológico: “(...) restringe-se à determinação da doença que acomete o ser humano, aqui definida como interrupção, cessação ou distúrbio da função do corpo, sistema ou órgão, caracterizada por no mínimo dois dos seguintes critérios:
I-agente etiológico conhecido;
II-grupo identificável de sinais ou sintomas;
III-alterações anatômicas ou psicopatológicas” e, no Parágrafo 3º, “As doenças, para efeito desta Lei, encontram-se referenciadas na décima revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde”.
Enquanto classe de psicólogos, que bom seria se tivéssemos uma legislação mais específica, definindo as atividades.
O mais perto disso está na Lei 4.119 de 1962, Art.13, Parágrafo 1º: “Constitui função privativa do psicólogo a utilização de métodos e técnicas psicológicas com os seguintes objetivos:
(a) diagnóstico psicológico;
(b) orientação e seleção profissional;
(c) orientação psicopedagógica;
(d) solução de problemas de ajustamento”.
Pelo Ato Médico indiretamente os outros profissionais da saúde foram beneficiados pela listagem das profissões regulamentadas por lei, que possuem curso superior para ensiná-las.
Nada foi listado sobre cromoterapeutas, terapias de vidas passadas, ou profissionais que lidam com florais e aromas.
Que se saiba quais são as intervenções sobre a saúde humana reconhecidas pela lei.
Devo frizar que, o trabalho sobre a melhora da saúde das pessoas deveria ser aquele que:
(1) o profissional é apto a realizar porque estudou e consta na grade curricular do curso superior que realizou;
(2) consta na grade curricular porque tem resultados comprovados e coerência teórica interna e 
(3) tem compromisso com a melhor resolução possível do problema de saúde que lhe compete intervir.

sábado, 3 de abril de 2010

Sindrome de Asperger

Síndrome de Asperger ou o transtorno de Asperger ou ainda Desordem de Asperger é uma síndrome que está relacionado com o autismo, diferenciando-se deste por não comportar nenhum “atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou de linguagem”. 
O termo “síndrome de Asperger” foi utilizado pela primeira vez por Lorna Wing em 1981 num jornal médico, que pretendia desta forma honrar Hans Asperger, um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até a década de 1990, mais precisamente em 1994 no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, na sua quarta edição.
Suspeita-se que Einstein, o físico Isaac Newton, o compositor Mozart e o pintor renascentista Miguel Ângelo também fossem portadores da síndrome, além do cineasta Stanley Kubrick e do filósofo Wittgenstein, bem como Andy Warhol. Outra Asperger de sucesso chama-se Temple Grandin, nos Estados Unidos, uma engenheira e zoóloga, professora universitária. 
Outro Asperger de sucesso é Syd Barret, vocalista, guitarrista e compositor do Pink Floyd, que devido ao Síndrome de Asperger, viria a só participar no primeiro álbum (maioritariamente) e, minoritariamente, no segundo álbum da banda. Também o vocalista da banda australiana The Vines, Craig Nicholls, foi diagnosticado com a síndrome. Nicholls catalisa toda a sua inteligência na música, criando climas energéticos e totalmente psicadélicos, estando, no entanto, afastado de quase todo o relacionamento social.
Características:
  • Interesses específicos ou preocupações com um tema em detrimento de outras atividades;
  • Rituais ou comportamentos repetitivos;
  • Peculiaridades na fala e na linguagem;
  • Padrões de pensamento lógico/técnico extensivo (às vezes comparado com os traços de personalidade do personagem Spock de Jornada nas Estrelas);
  • Comportamento socialmente e emocionalmente impróprio e problemas de interação inter pessoal;
  • Problemas com comunicação não-verbal;
  • Transtornos motores, movimentos desajeitados e descoordenados.
Sinais de Alerta:
 
1. Dificuldade em ler as mensagens sociais e emocionais dos olhares – portadores de S.A geralmente não olham nos olhos, e quando olham, não os conseguem “ler”.
2. Interpretar literalmente – indivíduos com SA têm dificuldade em interpretar coloquialismos, ironia, gírias, sarcasmo e metáforas.
3. Ser considerado rude e ofensivo – propensos a um comportamento egocêntrico, os Aspergers não captam indiretas e sinais de alertas de que seu comportamento é inadequado à situação social.
4. Honestidade - portadores de Asperger são geralmente considerados “honestos demais” e têm dificuldade em enganar ou mentir, mesmo às custas de magoar alguém.
5. Percepção de erros sociais – à medida que os Aspergers amadurecem e se tornam cientes de sua “cegueira emocional”, começam a temer cometer novos erros no comportamento social, e a autocrítica em relação a isso pode crescer a ponto de se tornar numa fobia.
6. Paranoia – por causa da “cegueira emocional”, pessoas com S.A têm problemas para distinguir a diferença entre as atitudes deliberadas ou casuais dos outros, o que por sua vez pode gerar uma paranoia.
7. Lidar com conflitos – ser incapaz de entender outros pontos de vista pode levar a inflexibilidade e a uma incapacidade de negociar soluções de conflitos. Uma vez que o conflito se resolva, o remorso pode não ser evidente.
8. Consciência de magoar os outros – uma falta de empatia em geral leva a comportamentos ofensivos ou insensíveis não-intencionais.
9. Consolar os outros – como carecem de intuição sobre os sentimentos alheios, pessoas com SA têm pouca noção sobre como consolar alguém.
10. Reconhecer sinais de enfado – a incapacidade de entender os interesses alheios pode levar Aspergers a serem bastante desatentos e geralmente não percebem quando o seu interlocutor está entediado ou desinteressado.
11. Introspecção e autoconsciência – os indivíduos com S.A têm dificuldade de entender os seus próprios sentimentos ou o seu impacto nos sentimentos alheios.
12. Vestuário e higiene pessoal – pessoas com S.A tendem a ser menos afetadas pela pressão dos semelhantes do que outras. Como resultado, geralmente fazem tudo da maneira que acham mais confortável, sem se importar com a opinião alheia. Isto é válido principalmente em relação à forma como se vestem e aos cuidados com a própria aparência.
13. Amor e rancor – como os Aspergers reagem mais pragmaticamente do que emocionalmente, as suas expressões de afeto e rancor são em geral curtas e fracas.
14. Compreensão de embaraço e passo em falso – apesar do fato de pessoas com SA terem compreensão intelectual de constrangimento e gafes, são incapazes de aplicar estes conceitos no nível emocional.
15. Lidar com críticas – pessoas com S.A sentem-se forçosamente compelidas a corrigir erros, mesmo quando são cometidos por pessoas em posição de autoridade, como um professor ou um chefe. Por isto, podem parecer imprudentemente ofensivos.
16. Velocidade e qualidade do processamento das relações sociais – como respondem às interacções sociais com a razão e não com a intuição, os portadores de S.A tendem a processar informações de relacionamento muito mais lentamente do que o normal, levando a pausas ou demoras desproporcionais e incômodas.
17. Exaustão – quando um indivíduo com S.A começa a entender o processo de abstração, precisa treinar um esforço deliberado e repetitivo para processar informações de outra maneira. Isto muito frequentemente leva a exaustão mental.