sábado, 18 de dezembro de 2010

Atendimento Psicólogico de crianças e adolescentes em situação de violência sexual IV

Aspectos específicos do atendimento a crianças e adolescentes em situação de exploração e tráfico para fins sexuais, sujeitos em situação de vulnerabilidade com direitos violados
Em primeiro lugar, é preciso considerar o fenômeno com o qual se está trabalhando.
Esse tema deve ser abordado a partir da perspectiva de esse fenômeno constituir uma violação dos direitos humanos de crianças e adolescentes, direitos que estão descritos na Constituição Federal, na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): direito à saúde, à convivência familiar e comunitária, à cultura, à educação e ao desenvolvimento biopsicossocial, dentre outros.
A violência sexual é produto de relações sociais desiguais, onde a interação dos atores envolvidos se estabelece numa dinâmica em que o(a) autor(a) da agressão tem alguma condição de vantagem, seja física,emocional, econômica seja social, sobre a vítima.
 A violência é a transformação dos diferentes em desiguais e dessa desigualdade em uma relação de poder: do mais forte sobre o mais fraco, do maior sobre o menor, do homem sobre a mulher, do
adulto sobre a criança.
Além disso, essa violência está configurada em um contexto multidimensionado, com aspectos relacionados à sociedade, à cultura, à economia e às características psico emocionais dos indivíduos
envolvidos.
Nesse contexto, é preciso considerar que os sujeitos submetidos a essa situação geralmente são pessoas afetadas por fatores de riscos que contribuem para o processo de sua vulnerabilização. Considera- se que esses fatores são eventos que, quando presentes, impactam negativamente sobre o sujeito, aumentando a probabilidade de a criança ou o adolescente apresentar dificuldades físicas, sociais e emocionais.
Separação dos pais, perda de entes queridos, acidentes e violência doméstica são exemplos de fatores de risco.
Esses fatores isoladamente não têm o poder de determinar a vivência de uma situação de violência,
mas, quando se apresentam de maneira associada, podem facilitar o processo de vulnerabilidade do sujeito.
Sendo assim, a exposição a fatores de risco durante a infância e a adolescência pode promover um processo de vulnerabilização, que dificulta que crianças e adolescentes tenham condição de se estruturar de forma a dar respostas adequadas a situações adversas, tornando-se mais suscetíveis à inserção em situações como a exploração sexual, como exemplo.
Nesse sentido, ao pensar no atendimento a crianças e adolescentes em situação de exploração sexual, deve-se considerar fundamental fazer o levantamento da história de vida, a partir da fala da pessoa
atendida, para avaliar o grau de vulnerabilidade e risco a que a criança e o adolescente está sujeita(o). Esse procedimento é muito importante para o planejamento da intervenção que indicará as etapas necessárias para a situação apresentada.
Além dos fatores de risco, é importante também fazer o levantamento dos chamados fatores de proteção.
 Esses fatores referem-se aos aspectos que podem favorecer a resiliência. São recursos que auxiliam o sujeito a enfrentar as situações estressoras e conseguir bons resultados, e estão relacionados a:
1) características individuais, como autoestima
e competência social;
2) apoio afetivo transmitido por pessoas da
família ou da rede social – os vínculos positivos,
3) apoio social externo, representado por pessoas ou instituições da comunidade com quem o
sujeito pode contar – recursos materiais ou humanos que atuam como suporte ou fator de proteção social. O apoio profissional consistente,durante o atendimento, insere-se justamente nesse terceiro aspecto, e pode ser fundamental como fator de proteção.
Nesse contexto de vulnerabilização de crianças e adolescentes sujeitos especialmente à exploração sexual, dois aspectos centrais devem ser trabalhados no atendimento: a sexualidade e a estigmatização
relacionada à prática da prostituição .
Com relação à sexualidade, é importante considerar a vivência que a criança/o adolescente tem nessa área, quais os fatores de risco ede proteção. É fundamental trabalhar não só com a fala da vivência
sexual mas também com a forma como o corpo se apresenta e se relaciona com o mundo e as pessoas. O atendimento deve possibilitar a reflexão de que a violência sexual é violação da sexualidade, e que é possível vivenciar a sexualidade como um direito.
Em complementação a esse trabalho de fala, é necessário trabalhar o corpo na perspectiva
do projeto de vida em construção.
No tocante ao estigma da prostituição, a exploração sexual envolve crianças e adolescentes em cenas de comercialização das relações sexuais, geralmente com homens adultos, que lhes imprimem marca associada à figura da prostituta, o que interfere de maneira decisiva no processo de formação da identidade, especialmente por se tratar de sujeitos em desenvolvimento.
 O atendimento deve possibilitar a reflexão sobre essa vivência e sobre como ela afeta a identidade do sujeito atendido.
A abordagem sobre identidade é fundamental, pois cada pessoa é constituída por uma identidade pessoal (a forma como ela se percebe) e por uma identidade social (aquilo que a sociedade lhe atribui a partir de sua inserção em determinada posição ou status social).
Crianças e adolescentes envolvidos em situação de violência sexual, pelo fato de ainda se encontrar em processo de desenvolvimento, não conseguem distinguir bem a identidade pessoal da social. O exercício da sexualidade pautado pela violência poderá afetar diretamente a
construção dessa identidade.
A vivência de estigmatização permanente pode configurar um dos aspectos que possibilitam a manutenção da criança ou do adolescente na situação de exploração sexual por inviabilizar outras formas de inserção social.
Além disso, esse aspecto constitui uma das grandes dificuldades apresentadas no desenvolvimento de metodologias de atendimento psicossocial e, por isso mesmo, estas devem ser levadas em consideração no planejamento de qualquer ação voltada para esse público.
Atendimento aos autores de agressões sexuais:
A incorporação do atendimento aos autores de agressões sexuais se torna indispensável ao trabalho com crianças e adolescentes em situação de violência sexual, principalmente pelo fato de todo o trabalho ter sido planejado considerando a centralidade na família, em especial por ser
esse um direito da criança ou do adolescente violado.
Nesse sentido, os laudos endereçados ao sistema de Justiça ou de responsabilização devem demonstrar, sempre que possível, o alcance e a importância de isso de fato se efetivar e sua repercussão no equilíbrio futuro da criança ou do adolescente.
É imprescindível que as redes locais constituam alternativas para esse tipo de atendimento, especialmente no âmbito das políticas públicas da saúde, pois, em sua grande maioria, os agressores revelam transtornos de personalidade, com atitudes que indicam tratamento em saúde mental.
O CREAS poderá realizar esse atendimento desde que:
1 – Priorize o atendimento de crianças e adolescentes;
2 – Tenha efetivo de profissionais suficiente para atender tanto as
crianças e os adolescentes quanto para atender os autores de agressão
sexual;
3 – Estabeleça agenda, cronograma, que não coloque crianças e adolescentes em situação de constrangimento e risco (encontrar autores de agressão sexual no CREAS/Serviço de Proteção nos mesmos dias e horários, por exemplo).
O atendimento à vítima e ao agressor deve ser bem diferenciado, com profissionais para cada atendimento. O fato de o atendimento ocorrer no mesmo local já é um entrave, e pior seria se acontecesse em horários semelhantes; deve haver dias específicos para cada um, vítimas e agressores. Isso muda de perspectiva apenas nos centros que trabalham com psicoterapia familiar. O não cumprimento desses cuidados mínimos pode trazer constrangimento, medo e acabar
não efetivando o vínculo necessário à terapia.
CREAS, seguem abaixo, de forma sistematizada, algumas de suas
atribuições:
• “Coordenar os grupos de apoio, de orientação e de atendimento
psicológico às crianças e aos adolescentes e seus familiares”;
• “Assim, durante a semana também realizo sessões grupais, que
trabalham questões relativas a violência, conflitos, direitos, formas de
superação, entre outros”;
• Desenvolver as atividades psicossociais individuais e em grupo de
acordo com sua área de formação;
• “Atendimento individual à criança e adolescente; atendimento
individual aos pais ou responsáveis; mensalmente, atendimento em
grupos de mães e adolescentes;
• Coordenar sozinho e/ou com o assistente social os grupos de apoio
às famílias;
• “Eventualmente, também realizo oficinas para pais”;
Realizar entrevistas de revelação;
• Encaminhar os casos que necessitarem de psicoterapia para a rede
de proteção local;
• encaminhamento da família a outros serviços da rede ;
• “Falta de psicólogo na rede de saúde para desenvolver o trabalho
com as vítimas ;
• Acompanhar crianças e adolescentes nas audiências nas delegacias
e no Fórum;

sábado, 20 de novembro de 2010

O Exercício físico no tratamento da depressão em idosos

A depressão é um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, devido à sua alta morbidade e
mortalidade. 
Nos EUA, atinge cerca de 9,5% dos adultos por ano. Sua incidência é estimada em aproximadamente 17% da população mundial
2.Algumas de suas principais características são perda de peso, sentimento de culpa, ideação suicida,
hipocondria, queixa de dores e, eventualmente, psicose.
Esses sintomas são mais acentuados em deprimidos idosos do que em deprimidos jovens e contribuem para declínio cognitivo e do condicionamento cardiorrespiratório nessa faixa etária.
Apesar de haver disponibilidade de mais de oito classes de antidepressivos, com aproximadamente 22
substâncias ativas no mercado mundial para o tratamento farmacológico da depressão, somente 30 a
35% dos pacientes depressivos respondem ao tratamento com psicofármacos. Em trabalhos bem
controlados e com delineamento duplo-cego, a resposta é definida como uma redução de 50% dos sintomas observados através de escalas de avaliação de depressão, enquanto a remissão é definida como uma melhora total. 
Para a eventual remissão, faz-se necessário, portanto, a utilização de outros métodos de
tratamento associados ao medicamentoso.
A atividade físicapode ser considerada eficaz no tratamento da depressão.Atividade física é qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em
gasto energético maior do que o dos níveis de repouso.
Já o exercício é uma atividade física planejada, estruturada e repetitiva, que tem como objetivo final
ou intermediário aumentar ou manter a saúde/aptidão física. Tanto a atividade quanto o exercício podem propiciar benefícios agudos e crônicos. 
São eles:
melhora no condicionamento físico; 
diminuição da
perda de massa óssea e muscular; 
aumento da força,
coordenação e equilíbrio;
 redução da incapacidade funcional, da intensidade dos pensamentos negativos e
das doenças físicas; e promoção da melhoria do bem estar
e do humor. 
Entretanto, os efeitos da prática de atividades físicas sobre a depressão ainda são
contraditórios. Alguns estudos associam modificações nos quadros de depressão como resultantes da prática de atividades, enquanto outros relacionam a prática mais freqüente de atividades à
própria melhora na gravidade do transtorno depressivo.
Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo:
(I) revisar, na literatura com indivíduos idosos, o possível efeito protetor do exercício físico sobre a
incidência de depressão;
(II) a eficácia do exercício  físico como intervenção no tratamento da depressão.
Atividade física e depressão: a relação de causa e efeito.
De um modo geral, os estudos com o objetivo de observar a relação de causa e efeito entre a prática de atividade física e alterações nos níveis de depressão apontam para uma relação inversamente proporcional.
Achados recentes dão suporte a duas vertentes diferenciadas na tentativa de elucidar a relação entre
atividade física e depressão.  
Idosos que se tornaram depressivos tendem mais ao sedentarismo do que aqueles sem depressão.
Portanto, a depressão seria a causa da diminuição do estado geral de aptidão física. Apesar de envolver um grande número de sujeitos, o desenho dos estudos permite que se afirme que há associação entre diminuição de exercício físico e depressão.
Sedentarismo, a desistência da prática de atividades e a insatisfação com a atividade física praticada também podem estar relacionadas com níveis altos de depressão. Por ser um estudo de corte transversal, não é possível determinar se a substituição da atividade exercida é uma causa ou uma conseqüência da redução da depressão.
 Váriosestudos comprovaram que a depressão pode prejudicara capacidade funcional nas atividades de rotina (tomarbanho, comer, vestir-se) e na mobilidade (caminhar metade de uma milha ou subir e descer degraus sem ajuda). 
A falta de independência no desempenho dessas atividades pode estar associada com dores físicas
crônicas, inatividade física e medo de quedas.
Rotinas de exercício que incluíram alongamento, equilíbrio, caminhada, força e coordenação mostraram ser eficientes na redução dos níveis de depressão para idosos com recente histórico de quedas.
Exercício físico como intervenção terapêutica na depressão:
Alguns estudos utilizaram o exercício como intervenção terapêutica na depressão e propõem que
seus resultados podem ser devidos a fatores psicológicos e/ou fisiológicos. 
Para testar os fatores fisiológicos,dois estudos, compararam as alterações nos níveis de depressão de idosos randomizados em três grupos:
exercício, medicamento e combinados (medicamento
e exercício).
 O grupo exercício foi monitorado quanto à intensidade e freqüência do treinamento. A redução
da depressão ocorreu nos três grupos, sem diferença
significativa entre eles. 
Após 6 meses, foi realizada uma nova análise  da mesma amostra, sem randomização, concluindo que, quanto maior for o tempo gasto com exercícios, menores serão os níveis de depressão. Além
disso, o grupo exercício apresentou maior recuperação e menor recaída do que os outros observados.  Combinar medicamento com exercício pode gerar resultados diferentes dos encontrados apenas com
o treinamento, por não garantir o sentimento de autoconfiança nos indivíduos, que atribuem as melhoras ao efeito do medicamento.
Pesquisas relacionaram a diminuição da depressão, após 10 meses de exercício físico, com
alterações no sistema imunológico.
 Uma possível explicação para esses resultados seria a liberação de hormônios como epinefrina, norepinefrina, somatotrofina, â-endorfina e cortisol, que atingem receptores específicos situados nos linfócitos e macrófagos, promovendo um aumento na concentração dessas células.
Para observar os efeitos psicológicos, muitos estudos compararam intervenções psicológicas e
sociais, como visita de terapeutas, trabalhos em grupos ou palestras com o exercício.
Imediatamente após 3 meses de exercício em idosos reabilitados de infarto agudo de miocárdio. O mesmo resultado não foi encontrado naqueles que receberam intervenções psicológicas com visitas de terapeutas. 
Os grupos foram reavaliados 6 meses após e, mesmo sem nenhum tipo de intervenção nesse período, reduziram significativamente os níveis de depressão. Entretanto, nessa fase, não houve controle quanto ao uso de medicamentos.
Já pesquisas analisaram dois tipos de sintomatologias (sintomas psicológicos: sentimentos de inutilidade,perda de interesse em atividades usuais e distúrbios de humor; e sintomas somáticos: perda do apetite, fadiga e distúrbio do sono) em idosos que fizeram exercício ou receberam visitas de psicólogos. 
Ambos reduziram os dois tipos de sintomas, mas somente o grupo exercício reduziu significativamente os sintomas somáticos.
A relação entre o papel do exercício e da atividade física no tratamento da depressão se direciona para duas vertentes: a depressão promove redução da prática de atividades físicas; a atividade física pode ser um coadjuvante na prevenção e no tratamento da depressão.
Tendo em vista os benefícios físicos epsicológicos provenientes da atividade física em gerale do exercício em especial, pode-se concluir que a sua prática por indivíduos idosos depressivos sem
comorbidades é capaz de promover a prevenção e a redução dos sintomas depressivos.

Fonte:
Revista de Psiquiatria 2007

sábado, 13 de novembro de 2010

Diferenças entre Doença de Alzheimer e Esquizofrenia no Idoso

Com a chegada da terceira idade, a pessoa se depara com um ambiente psicossocial que favorece o aparecimento de algumas patologias, dentre elas esquizofrenia e doença de Azheimer, são eles:
- Aposentadoria
- Falecimento do parceiro (a)
- Menor convívio social
- Limitações Físicas
- Problemas médicos gerais
- Proximidade do fim da vida
Em geral os idosos tem maior dificuldade em descrever seu estado de humor e afeto, a negação ou contenção do afeto são frequentes.
Observa-se que incontinência e labilidade afetiva podem indicar doença cerebrovascular, demência vascular ou outro tipo de dano cerebral.
A linguagem se mantém preservada, mas as habilidades de argumentação verbal diminuem sutilmente.Mutismo,latência excessiva para respostas, anomia, agramatismo e erros parafásicos são alterações importantes para o diagnóstico.
Deficits visuais e auditivos podem provocar alucinações.
Alterações em pacientes com transtornos mentais orgânicos:
- Alucinações
- Agnosia Visual
- Prosopagnosia (Faces Familiares)
- Astereognosia (Objetos pelo Toque)
- Autotopagnosia (partes de seu próprio corpo)
- Micropcia e Macropcia

Alterações na Cognição:
- Atenção
- Habilidades Visuoperceptuais e Visuoconstrutivas
- Aprendizado e Memória
- Velocidade de Processamento
- Funções Executivas

Alterações na Atenção:
- Concentração e vigilância tendem a ser afetadas com o envelhecimento
- Tarefas de atenção complexas como "atenção dividida" declinam de forma significativa: dirigir(controle do carro, sinais de trânsito,outros veículos, conversa com passageiros), cozinhar.

Habilidades Visuoperceptivas e Visuoconstrutivas:
- Determinar a posição,a orientação e a direção de estímulos no espaço,
- Imaginar a configuração espacial de estímulos parcialmente visíveis,
- Adultos e idosos têm performace igual em testes de reconhecimento de objetos simples,
- Idosos têm dificuldade maior em testes de "visual closure" e orientação espacial,
- Adultos e idosos têm performace semelhante em cópias de desenhos em duas dimensões,
- Têm dificuldade maior quando representam três dimensões e quando estratégia e planejamento são necessários,
- A dificuldade do idoso aumenta consideravelmente quando a tarefa é com tempo limitado.

Aprendizado e Memória: A memória é um complexo grupo de funções e sistemas, e o envelhecimento afeta alguns componentes mais do que outros.
- Memória de Curto Prazo: Dificuldade maior para palavras que para dígitos,
- Recordação espontânea fica mais prejudicada que a memória de reconhecimento,
- Maior dificuldade com a memória operacional,
- A memória semântica têm apenas pouco declínio com a idade,
- Memória implícita também não declina de maneira significativa,
- Memória epsódica diminui significativamente.

Velocidade de Processamento:
- Declina bastante com a idade
- Essa diminuição pode explicar muitos dos efeitos cognitivos relacionados com a idade.

Funções Executivas:
- Habilidades cognitivas envolvidas no raciocínio abstrato, resolução de problemas, planejamento, inibição de resposta e memória operacional,declinam com o avanço da idade, este se dá devido a possível dano subcortical.

*Psicose da Doença de Alzheimer:
- Alucinações visuais
- Falsos reconhecimentos
- Remissão Frequente
- Remissão com doses baixas de antipsicóticos

* Esquizofrênia no Idoso:
- Alucinações Auditivas
- Delírios Bizarros
- Tentativas de Suícidio
- História Pregressa de surtos psicóticos

* Sintomas Psiquiátricos entre demências:

- Alzheimer:
+ Delírios 23%
+ Alucinações 13%
+ Agitação 23%

- Vascular:
+ Delírios 8%
+ Alucinações 13%
+ Agitação 33%

* Nos delírios acreditam que:

- Azeheimer:
+ Está em perigo: 6,4%
+ Pessoas o estão roubando: 12,4%
+ O companheiro está tendo um caso: 2%
+ A família tem planos de abandoná-lo: 4%
+ Um estranho está morando em sua casa: 4,4%
+ Pessoas não são quem ele(a) chama: 1,5%
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- Vascular:
+ Está em perigo:0%
+ Pessoas o estão roubando:6,8%
+ O companheiro está tendo um caso:0%
+ A família tem planos de abandoná-lo:1,6%
+ Um estranho está morando em sua casa:4,7%
+ Pessoas não são quem ele(a) chama:5%

-Delirium:
+ Início Agudo
+ Curso Flutuante
+ Alteração do nível de consciência
+ Vigilância Prejudicada
+ Pensamento Desorganizado
+ Alterações Perceptivas Frequentes

- Demência:
+ Início Insidioso
+ Curso estável ou progressivo
+ Nível de consciência normal
+ Vigilância tende a normalidade
+ Pensamento empobrecido
+ Alterações perceptivas menos frequentes

- Depressão:
+ Retraimento Social
+ Idéias de desvalia e desesperança presentes
+ Humor deprimido
+ Dificuldades são hiper valorizadas
+ Resiste a engajar-se em atividades
+ Respostas " não sei" são frequentes
+ Perda proporcional para memória recente e remota
+ Atenção e concentração alteradas
+ Lentificação Psicomotora
+ Despertar precoce e falta de apetite

- Demência:
+ Interação social mantida
+ Idéias de desvalia e desesperança ausentes
+ Humor variável
+ Dificuldades são minimizadas ou racionalizadas
+ Perda maior da memória recente
+ Atenção e concentração relativamente conservadas
+ Padrão de sono variável

sábado, 6 de novembro de 2010

Redução Danos - Breve conceito

Existem três estratégias para o enfrentamento e controle da problemática das drogas:

1- Redução da Oferta: Desenvolvimento de ações de erradicação de plantações,destruição de príncipios ativos; repressão a produção, refino e ao tráfico de drogas; combate a lavagem de dinheiro e de fiscalização e controle da produção, da comercialização e do uso de drogas.
2- Redução da Demanda: Desenvolvimento de ações para desestimular o consumo em especial a iniciação, e para tratar os usuários e dependentes.
3-Redução de Danos: Orienta a execução das ações para a prevenção das consequências danosas à saúde decorrentes do uso de drogas, sem necessariamente interferir na oferta e no consumo.
A redução de danos iniciou-se na Inglaterra, em 1926 com o Relatório Rolleston que estabelecia o príncipio segundo o qual o médico poderia prescrever legalmente opiáceos para os dependentes dessas drogas, entendendo esse ato médico como tratamento e não como "gratificação da adição".
Nos anos 80,ações baseadas nesses príncipios foram sistematizadas em formas de programas.O primeiro surgiu na Holanda, por iniciativa de uma associação de usuários de drogas preocupada com a disseminação de Hepatites entre usuários de drogas injetáveis.
A medida que começaram a ser documentadas em várias partes do mundo elevadas prevalências de infecção pelo HIV entre usuários, a estratégia de redução de danos ganhou força, mostrando-se uma importante aliada no controle desta infecção.
A redução de danos evolui e incorpora a troca de seringas como uma de suas ações fundamentais, visando dar conta da difusão de casos de hepatite B entre usuários de drogas injetáveis em alguns países da Europa.
Entretanto foi com o surgimento da AIDS que o movimento de redução de danos, passa a ter maior visibilidade no cenário mundial.
No Brasil, a primeira tentativa de fazer troca de seringas entre os usuários de drogas injetáveis aconteceu na cidade de Santos, em 1989, mas a iniciativa foi frustrada por uma decisão judicial.
O primeiro projeto de Redução de Danos a trocar seringas no Brasil surgiu em março de 1995, em Salvador - BA, e a primeira lei estadual a legalizar a troca de seringas, foi sancionada no estado de São Paulo, em 1998.

* Movimentos e marcos legais:

- Constituição Federal 1988
- Lei Orgânica da Saúde 8080/90
- Movimento da Reforma Psiquiátrica
- Lei 10.216/01
- Portaria 336/02
- Portaria 189/02
- Manual CAPS - MS 2004
- Politica Nacional de Atenção aos Usuários de Álcool e outras Drogas - MS 2004
- Lei 11.343/06

sábado, 30 de outubro de 2010

Comorbidade

A ocorrência de uma patologia qualquer em um indivíduo já portador de outra doença, com a possibilidade de potencialização recíproca entre estas.O surgimento de uma doença adicional é capaz de alterar a sintomatologia, interferindo no diagnóstico, tratamento e prognóstico de ambas (Feinstein 1970).

- Implicações clínicas para as comorbidades:
+ Dificuldade para o diagnóstico
+ Piora da evolução e prognóstico
+ Especificidades no tratamento.

-Transtornos de comorbidade:
+ Depressão
+ Transtorno Bipolar
+ Transtorno de Conduta
+ TDAH
+ Esquizofrenia
+ Transtornos Alimentares
+ Transtornos de Personalidade

Comorbidade Epidemiológica: A comorbidade em dependência química irá variar conforme as diferenças no tipo de estudo realizado se epidemiológico ou clínico.Nesse caso podemos avaliar que segue:
- 26% Transtorno de Humor
- 28% Transtorno de Ansiedade
- 18% Transtorno de Personalidade
- 7% Esquizofrenia
- A prevalência de depressão maior entre dependentes químicos varia de 30% a 50%

Segundo Costello(2002),sessenta por conto dos jovens com dependência de álcool e outras substâncias tinham uma comorbidade: transtorno de conduta, transtorno desafiador opositivo e depressão.
Beitman(1990)que vinte à quarenta e cinco por cento dos jovens com transtorno de ansiedade revelaram histórias de depedência de álcool.
Doyle(1993)revela que aproximadamente trinta e três por cento dos adultos com TDAH apresentam antecedentes de abuso ou dependência de álcool e vinte por cento relatam abuso ou dependência de outras substâncias.
A comorbidade depressão com abuso de substâncias é mais comum em mulheres do que em homens.Entre as mulheres, dezenove por cento tiveram depressão em algum momento da vida, enquanto que na população geral a prevalência é de sete por cento.
Nos homens,setenta e oito por cento apresentaram primeiro o abuso e depois a depressão; entre as mulheres com abuso de substâncias sessenta e seis por cento apresentaram primeiro a depressão.
Homens bipolares apresentavam abuso/dependência de substâncias mais frequentemente do que mulheres bipolares.
Stefanis(1999),refere que o abuso de uma ou mais substâncias foram relatados por setenta e seis por cento dos pacientes com transtorno de personalidade Boderline e noventa e cinco por cento dos pacientes com transtorno da personalidade anti-social.
Há uma prevalência dos transtornos relacionados ao uso de álcool e outras substâncias de aproximadamente quarenta e sete por cento, incluindo trinta e quatro por cento com abuso de álcool e vinte e oito por cento com abuso de drogas.

Para se diagnosticar se existe comorbidade:
- História clínica
- História Familiar
- Anamnese
- Auxílio da Família e Amigos
- Detalhe cronológico dos sintomas e problemas
- Melhora nos períodos de abstinência
- Conhecimento detalhado do DSM-IV e CID -X

sábado, 23 de outubro de 2010

Interação Pais e Bebê

Muitas histórias antecedem a chegada do bebê na família e influenciam o desenvolvimento futuro dessa criança, mesmo antes da criança ser concebida, já se fala nela, se faz projeto onde ela está incluída ou não.
Futuras mamães apresentam modificações na imagem corporal, podendo surgir sentimentos de invasão, angústia, medo e impotência.Desejos de ter e de não ter o filho, temor da gravidez não chegue ao fim.
Medo que a relação com o marido mude, havendo para isso necessidade de adaptação recíproca.
Enquanto o bebê está em construção surgem os movimentos fetais que denotam a autonomia do bebê,onde podem ocorrer as primeiras fantasias em relação ao parto e a espera desse outro desconhecido.
Nesse momento podem surgir na futura mamãe, labilidade de humor, regressão narcísica, o bebê dos sonhos e devaneios maternos.
Ao nascer, o estranhamento é algo que pode ser recorrente,devido a separação corporal,o choque de realidade entre o bebê real e o que se imaginava ( bebê imaginário).E o possível estado depressivo, a dicotomia aceitação- aversão.
A relação paterna que se manifesta no encontro desse filho sem a intermediação da mulher - mãe,surgindo possivelmente sentimentos contraditórios, como por exemplo, ciúme, alegria, medo, impotência, potência.O pai será instrumento importante no processo de separação psiquíca entre mãe e bebê.
O bebê antes considerado uma massa a ser modelada pelo meio ambiente, passou a ser concebido como um ser complexo, previsível e agente ativo na interação.
Alguns pesquisadores dispoem de teorias para essa interação,segundo Cramer o bebê é revelador de cenários inconscientes dos pais,Lebivici revela que as interações não só no plano do comportamento mas também na vida imaginária dos parceiros da interação.Brazelton sinaliza que a escala de avaliação do comportamento do recém- nascido evidencia o nível de funcionamento e o potencial de cada criança.
Uma adas caracteristicas do estudo do bebê é que as trocas entre mãe e filho são consideradas simultaneamente do ponto de vista da realidade, uma observação fenomenológica.
Desde cedoo recém nascido pode discriminar sinais do comportamento humano, reagindo aos estímulos sociais, comunicando suas necessidades e desejos utilizando o corpo.

* Fontes de abastecimento do recém nascido:

- Interna:
+ Liberação e aprovisionamento de energia para nova realização, quando cada passo do desenvolvimento é dominado eo bebê incorpora um senso de domínio.

- Externa:
+ Meio ambiente materno que estimula e aprova as aquisições do bebê.

A criança, ativa na relação,com suas caracteristicas congênitas e adquiridas influencia as atividades da mãe que por sua vez vai provocar respostas no filho.

- Sinais de que o bebê está se desenvolvendo bem:
+ Olhar presente e reativo ao ambiente,
+ Sorriso social responsivo,
+ Movimentos antecipatórios,
+ Reação a estranhos,
+ Vocalização e balbucio,
+ Brinca com mãos e pés.

-Situações de Risco:
+ Depressão materna,
+ Pais com graves comprometimentos psíquicos e/ou sociais,
+ Patologia somática ao nascimento,
+ Patologia no plano funcional,
+ Separação precoce mãe-bebê,
+ Pais vivendo situação de luto grave.

- Sinais de Alerta:
+ Desinteresse e inadequação das respostas do bebê frente ao meio ambiente podem ser indicativos de risco ao desenvolvimento e uma intervenção precoce especializada pode minorar ou prevenir futuros distúrbios.
+ Evitação do olhar
+ Retardo ou ausência do sorriso social
+ Ausência de reação a estranhos
+ Ausência de movimentos antecipatórios
+ Ausência de vocalização e balbucio

Finalizando,a evolução da criança, sua integração social e suas possibilidades de autonomia dependem das relações afetivas que se estabelecem no início da vida.

sábado, 16 de outubro de 2010

Quatro anos de existência do Mosaico da Psicologia

No começo curiosidade,vontade de expressar minha vida pessoal.
Aí vieram os grupos no Yahoo e Google, grupos que tratavam sobre blogs ou,como eles chamam,a blogosfera.
Levei tanto fora quando convidava os membros do grupo para visitarem meu blog, mas aprendi com os que faziam o favor de visitar, me explicavam que deveria escolher um assunto específico, retirar as inúmeras fotos pessoais,e selinhos infantilizados que recebia, e o nome do blog, não fazia muito sentido,os leitores mais antigos devem se lembrar,chamava-se "Era Zen".
Foi complicado para mim, que não sabia nada de informática, muito menos códigos HTML, que palavra complicada, eu só tinha uma vaga noção de word, windows e excel,que aprendi em mil novecentos e antigamente.
Saí dos grupos onde me trataram de forma grosseira, eles não sabiam tratar com ética seus membros que não eram webmasters, mas encontrei muita gente boa,Catarino do Blog do Catarino, Pablo do DIHITT, entre tantos outros, além de começar a ler muito outros blogs, de vários assuntos, então resolvi que deveria escrever sobre o que mais gosto de fazer na vida, psicologia.
E então comecei a ler mais, escrever experiências vividas em minha jornada enquanto psicóloga, coloquei meu e-mail, para que os leitores pudessem entrar em contato comigo, quis mudar o template, e Catarino foi maravilhoso fazendo isso para mim.
Catarino me ensinou também a colocar o tradutor, e a caixa de pesquisa do Google.
Outros recursos eu ia clicando nos blogs que achava interessante, como por exemplo, o contador de visitas.
Fiz muitas bobagens, teve um tempo que o blog tinha um relógio que tomava metade de seu espaço, selos de tudo quanto é tipo, era tanta coisa piscando que parecia uma discoteca (que termo antigo!!!),recentemente retirei duas listas que mantinha;"Filmes Favoritos" e "Livros Prediletos", quem se interessar pode encontrar estas listas no meu perfil do blogger, pois estava tomando muito espaço no template.
Aprendi a procurar os lugares certos para divulgar o blog, o que era spam que é quando voce convida membros de seus grupos a visitarem seu blog, quando não é permitido pelas regras daquele grupo(e tome levar fora), até aprender a netiqueta.
Naveguei em muitas redes sociais, fui em busca de aprimoramento, achei muitos conteúdos interessantes, e fui lapidando o Era Zen.
Comecei a receber e-mails de pessoas que se sentiam contempladas com a leitura dos posts, algumas através dessas leituras me pediam ajuda eu as respondia e tentava ajudá-las, acreditem é recompensador, o blog não era um diário fútil, estava servindo para minimzar dores e cooperar em pesquisas estudantis.E como diz um certo comercial de TV, "Isso não tem preço!".
Então veio a necessidade de mudar o nome do blog, Era Zen parecia esotérico, e a proposta havia mudado radicalmente,mas e os blogs parceiros que cresciam a cada semana, e as pessoas que tinham salvo em seus favoritos esse endereço, não eram muitas,mas teria que resolver esse problema.
Trabalho de formiguinha que durou uma semana, avisei a todos os blogs parceiros a mudança de endereço para "Mosaico da Psicologia", escrevi para um monte de gente, twitei, dihitei, orkutei, msnei, enfim, consegui.
Aí venho a surpresa, denunciaram meu blog por conteúdo impróprio e ele saiu do ar por um fim de semana, quase infartei, estava tão lindo, entrei em contato com algumas pessoas que estão mais atentas do que eu quanto a blogs, uns me acalmaram, outros me assustaram.Resolvi desapegar, relaxar e esquecer, foi um sonho na areia, e estava convicta que ia parar de escrever, nele e no outro blog que mantenho o Mosaico de Histórias(esse no wordpress).
Na segunda- feira,o acesso como uma despedida,e lá estava ele de volta, aprendi lendo o blog de Juliana,o Dicas Blogger,que isso acontece mais vezes do que se pensa.Ela também foi vítima e perdeu seu domínio próprio, digo isso aqui porque ela colocou a boca no mundo e falou da inveja na internet.Maravilhoso o post dela sobre esse assunto.
E vou aprendendo, como tenho trabalhado muito, relaxei com os blogs, mas como nesse momento estou de férias resolvi dar uma acelerada e cuidar dos meus filhos, os blogs.
Talvez próximo ano faça o tão sonhado curso de webdesigner, era para ter sido esse ano, mas foi ano muito cheio e não deu.
Hoje agradeço a todos que me ajudaram nessa jornada, os que sabem que ajudaram e os que não sabem, e deixo um recadinho a quem quer começar um blog, comece do jeito que voce quiser e depois vá se aperfeiçoando e mudando,vai dar tuido certo.
Agradeço também aos leitores, sem eles não teria sentido essa troca de experiências.

sábado, 9 de outubro de 2010

Autismo: Uma estrutura decidida



A distinção já localizável em Freud entre um eu-real e um eu-prazer poderia trazer um caminho possível de resposta. Articulando autores no interior da psicanálise que se dedicaram a pensar o autismo com autores que observaram a evolução dos esquemas corporais em crianças desde momentos bem precoces de seu desenvolvimento, procurou-se, na confrontação com uma prática clínica, trabalhar o que se passa neste momento de estruturação.
O que há de decidido no autismo, contrariamente a psicose infantil? Ou então, haveria na infância uma forma mais definitiva, mais fechada?
Vejamos em primeiro lugar a questão do eu. Se uma criança dita autista não pode ser considerada, estritamente falando, como um sujeito da linguagem, há, de outro lado, um eu, que preside aos seus movimentos no mundo dos objetos e mesmo no mundo dos outros, ainda que seja para evitá-los. Como é que uma criança anda, pensa, se há danos sérios na construção de sua imagem corporal, pelo menos na imagem corporal que entendemos ser construída por meio do olhar do outro, por meio das significações que lhe são imputadas pelo Outro?
Essas crianças apresentam um desenvolvimento psicomotor de modo independente, uma inteligência em funcionamento, uma coordenação motora que se pode ver. Quem é esse eu?
 No texto de Freud, A pulsão e seus destinos (1973), encontramos essa afirmação de que existe um eu que se encontra originariamente no princípio da vida anímica. O mundo exterior não oferece para ele interesse algum. Neste primeiro tempo, o sujeito coincide com o que é prazeroso, e o mundo exterior com o que é indiferente. Freud o chama de eu-real. É só num segundo tempo que se diferencia um eu-prazer, para o qual o sujeito coincide com o que é prazeroso e o mundo exterior com o que é desprazeroso.
Lacan (1959-60) lê a formulação de Freud a seu modo, em primeiro lugar dizendo que esse eu-real não está pulsionalizado nem é auto-erótico. Concebe-o de fato como o Sistema Nervoso Central, na medida em que funciona não como um sistema de relações, mas como um sistema destinado a assegurar uma certa homeostase das tensões internas.
 É possível afirmar que o autista se vale bem desse esquema corporal, que é de fato um esquema real, ao qual não foi enodada essa imagem narcísica, imaginária, ofertada como dom pelo agente materno?
 O mecanismo que explica essa possibilidade de imitação em idade tão precoce é o da coincidência transmodal: a criança associa o que vê com o que sente seu rosto. Detectando coincidências, a criança pode, desde o começo de sua vida, traduzir os estímulos ambientais em estados internos.
Desde o início, um mecanismo inato que já permite uma primeira "noção de si", uma primeira imagem corporal, ainda que extremamente inicial. Nesse autor a noção de imagem corporal corresponderia mais precisamente à de esquema corporal, tal como é utilizada em psicanálise.
Há outra hipótese de uma imagem neuronal capaz de detectar os tipos de afeto que o outro lhe transmite.
A imagem do corpo da criança dentro do cérebro é capaz de refletir a ação do corpo da pessoa que está diante dela. Essa representação cerebral do outro está ancorada em uma imagem motora.
Em relação ao lugar do Outro na constituição da imagem corporal, esses pesquisadores fazem observações interessantes, utilizando naturalmente um referencial teórico diferente do da psicanálise. Em seus estudos, a relação pais-bebê assume importância capital, e nisso coincidem com os psicanalistas. Para eles, os bebês apreciam as correspondências entre suas próprias ações e a de seus companheiros. Por isso, o reconhecimento dessas correspondências, proporciona para eles uma linguagem comum e momentos especiais de conexão. As correspondências têm sua própria significação emocional: todos os participantes desfrutam destes momentos.
Já a imagem corporal existe, desde a concepção, e a todo momento, sendo "memória inconsciente de todo o vivido relacional,graças à imagem do corpo, cujo suporte é o esquema corporal, podemos entrar em comunicação com os outros.
É possível,assistir à aparente perda de reconhecimento das vozes familiares do entorno da criança; esta se torna não apenas muda, mas não ouvinte. Ela não ouve mais as vozes humanas, as palavras, mas apenas os ruídos da vida. Ela anula o que dizemos, mas recebe as referências úteis para a sua sobrevivência riscando de sua atenção os humanos que a cercam.Viver sozinho, como um espécime anônimo da espécie. 
Há uma separação entre sujeito e corpo, sujeito parece retirar o desejo de seu corpo e tende a descansar do trabalho de viver com esse corpo na realidade;
 A clínica nos mostra que, nesse momento, a criança responde com aquilo que pode ser chamado de viscosidade. Por falta de relação entre o corpo e a linguagem, alguns autistas não sabem beijar seu semelhante; sabem apenas encostar seus lábios no rosto alheio. Colam-se em vez de beijar. O outro é fonte de sensações e não de percepções
Em relação à intervenção precoce, observamos que os pediatras e neuropediatras já estão alertados para a necessidade de acompanhar a relação entre problemas orgânicos graves e atraso no desenvolvimento. Isso, vemos que já acontece; já sabem que têm que ver se a criança trabalha direitinho com os objetos, etc. Acontece que, justamente no caso dos autistas, o desenvolvimento pode estar muito bem e isso pode despistar os pediatras, porque será o esquema corporal e não a imagem corporal que estará se desenvolvendo. Sabe-se o quanto as crianças autistas são saudáveis. Então será necessário conversar com os pediatras, para que não se enganem, já que mesmo numa criança indo muito bem neste ponto do desenvolvimento, alguma coisa da ordem da não constituição do sujeito da linguagem pode estar ocorrendo.
Em relação à escolarização destas crianças, toda vez que lhes propomos escolarização, não estamos pensando em prover a ela condições de aprendizagem, no sentido de que possam se mover no mundo com esses conhecimentos. Estamos querendo que elas se beneficiem de outras coisas oferecidas pela escola: os laços sociais que ali se estabelecem, as possibilidades de oferta de outras posições. O terapêutico está nessa circulação e nessa relação com outros, está naquilo que vão obter nessa circulação por esses objetos de conhecimento.

sábado, 2 de outubro de 2010

Hiperatividade em Crianças II

É o problema de saúde mental mais frequente em crianças, estima-se que de 3% a 5% das crianças em idade escolar de todo o mundo sofram desse mal, é mais frequente em meninos do que em meninas.
Algumas queixas que os pais nos trazem são: "Meu filho não pára", "Ele é impossível", "Ninguém segura essa bomba", "Ele tem duas almas, todas duas de gato", "Ele é cheio de problemas", "O sistema dele é nervoso", " Ele é maluvido", "Não aprende porque não presta atenção", "Faz tudo e não termina nada", "Vive no mundo da lua", "Tem a mão furada".
Claudius Galenus, 200 a.C, médico grego prescrevia ópio para as então chamadas "cólicas infantis", que eram, o que chamamos hoje de impaciência e inquietação.
Atualmente, existem, além da terapia, medicação para o controle da hiperatividade em crianças,a chamada Ritalina e Cloridrato de Metilfenidato, essas obtiveram crescimento de dez por cento de suas vendas, depois que os médicos passaram a prescrevê-las para o controle da hiperatividade em crianças e adolescentes.
Porém, esquecemos de avaliar o que está por trás dessa criança, ou seja, o histórico familiar e a implicação da família nesse contexto.

*Cabe ao profissional de saúde orientar a família a propiciar um ambiente de conversa onde:
- Tudo possa ser falado incluindo o porquê das restrições que a família faz a criança/adolescente hiperativo,
- Não subestimar a criança acreditando que elas não vão sentir as conseqüencias de agressões, - Criar um ambiente onde as crianças possam apreciar a si próprias,
- Respeitar as crianças e ensiná-las a respeitarem - se em seus limites,
- Falar além da proibição (o que é afinal permitido?),
- Não transformar tratamento em castigo.

* Para os educadores:
- Conhecer seus alunos, estar atento aos seus sinais,
- Lembrar que o professor não faz diagnósticos,
- Conheça seus limites, não tenha medo de pedir ajuda,
- Apresente alternativas, não existe um modelo único,
- A criança hiperativa é vítima de um problema e não a causa,
- Permita-se fracassar.

Fonte:
www.scribd.com

sábado, 25 de setembro de 2010

Relacionamento Interpessoal na área da saúde

Em uma relação cooperativa, ambos os lados saem satisfeitos.É o formato ideal e almejado por todos, porém exigem pessoas empáticas e maduras o suficiente para entender que nem sempre será feita apenas a sua própria vontade, que há de haver busca pelo consenso.
Quando há negociações produtivas, as soluções acordadas são de soma ampliada, de modo que as partes entendem que conseguiram um resultado melhor do que se o tivessem feito sozinhos.

* Competir ou Cooperar:

- A palavra menos importante:EU
- A palavra mais importante: Nós
- As duas palavras mais importantes:Muito Obrigado
- As três palavras mais importantes:Tudo é perdoável
- As quatro palavras mais importantes:Qual é a sua opinião?
- As cinco palavras mais importantes:Você fez um ótimo trabalho.
- As seis palavras mais importantes:Desejo compreendê-lo com mais exatidão.

A comunicação interpessoal consiste na capacidade de se comunicar de forma adequada, além de pré-condição para o sucesso da comunicação, traz a necessidade de conhecer a si próprio e o outro.
A comunicação não-verbal envolve postura, gestos expressão facial, inflexão de voz, seqüencia, ritmo e cadência das próprias palavras, e qualquer outra manifestação não-verbal de que o organismo seja capaz. As vocalizações, os movimentos intencionais, e os sinais de humor dos animais são comunicações analógicas pelas quais eles definem a natureza de suas relações.
É por meio da comunicação vivenciada pelo profissional de saúde pode definir metas, objetivos a serem atingidos, para ajudá-lo a sentir-se como ser humano digno e pessoa capaz de encontrar soluções para seus problemas.
A aparência do profissional de saúde influencia a percepção do paciente quanto aos cuidados recebidos, cada paciente tem uma imagem pré- estabelecida de como o profissional de saúde deverá se apresentar.
A comunicação terapêutica consiste na habilidade do profissional em usar seus conhecimentos sobre comunicação para ajudar o paciente com a tensão temporária, a conviver com outras pessoas e ajustar-se ao que não pode ser mudado e a superar seus problemas.
O profissional precisa ter auto-conhecimento, percepção, habilidade e flexibilidade em lidar com situações diferentes, capacidade criativa para solucionar problemas.
A valorização do ser humano, a preocupação com sentimentos e emoções, e com a qualidade de vida são fatores que fazem a diferença. O trabalho é a forma como o homem, por um lado, interage e transforma o meio ambiente, assegurando a sobrevivência, e por outro, estabelece relações interpessoais, que teoricamente, serviriam para reforçar a sua identidade e o senso de contribuição.

* Príncipio dos Cinco "S":
- Utilização
- Ordenação
- Limpeza
- Saúde
- Auto disciplina

* Bom senso na hora de se vestir, o que evitar no ambiente de trabalho:
- Barriga de fora
- Sapatos de salto altíssimos
- Chinelos
- Unhas muito compridas
- Excesso de bijouterias ou jóias
- Decotes e roupas curtas
- Roupas desportivas
- Perfumes fortes
- Roupas transparentes

Não confunda amizade com intimidade, em momento algum trate mal seus colegas usando palavras de baixo calão, forjando brincadeiras de "mal gosto", principalmente se houver algum paciente/usuário próximo, lembre-se de que você está no seu ambiente de trabalho e, é a imagem de todo o serviço que se denigrirá devido a uma "brincadeira" ou atitude grosseira.Não esquecendo também que o não comparecimento ao trabalho, influencia a qualidade do mesmo no
sentido de que se você falta, sobrecarrega o colega.
Deve-se ficar atento as afinidades no ambiente de trabalho, estas acontecem em qualquer nível hierárquico, quando isso acontece entre profissionais do mesmo nível hierárquico, é preciso dosar as relações no trabalho, para não formar as famosas panelinhas.
O assédio moral, assunto que já foi abordado nesse blog, caracteriza-se por toda conduta abusiva que se manifesta notadamente por comportamentos, palavras, atos , gestos, que podem causar danos à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psiquíca de uma pessoa, colocando em risco o emprego desta ou degradando o clima de trabalho.
A violência e o assédio nas organizações, nascem do encontro entre a inveja do poder e a perversidade.
O profissional deve ter cuidado para não humilhar o paciente/ usuário, com desatenção ou palavras/ gestos rudes, e estar atento a forma de tratar outros colegas,com brincadeiras de mal gosto.

* Violência Psicológica no Trabalho:

- Ter o trabalho desqualificado frente aos colegas
- Virar alvo de piadas por causa do modo de vestir ou falar
- Ouvir frases do tipo: "Lugar de doente é no hospital, aqui é para trabalhar".
- Ser impedido de se expressar e dar opinião
- Passar a executar atividades inferiores à sua capacidade
- Receber ordens confusas e contraditórias
- Trabalhar fora do horário de expediente sem hora extra
- Ficar sobrecarregado de atividades e ter prazo mínimo para entregá-las
- Não ser cumprimentado ou sr ignorado
- Ter o material básico para execução de suas tarefas retirado
- Ser ameaçado constantemente de demissão

Isso exposto, concluímos que, a humanização no serviço de saúde reflete uma nova postura profissional, que desmistifica aquela imagem do servidor público sisudo, desinteressado, que age burocraticamente,dificultando o acesso do usuário a serviços dignos de saúde.

sábado, 18 de setembro de 2010

Orientações para condução, em ambulâncias, de portadores de transtornos mentais em agitação psicomotora



1. Controle da agitação:
• sedação: sedação leve, pode ser utilizado haloperidol (01 ampola) + prometazina (01
ampola) por via intramuscular ou outros medicamentos a critério médico. Aguardar tranquilização antes de colocar o usuário em ambulância. .

Esclarecemos que o estado de sedação compromete a avaliação psiquiátrica.
• contenção mecânica: se necessário devem ser usadas faixas apropriadas, o usuário
deve ser contido em maca, em posição confortável e sob supervisão técnica.

2. Orientações gerais:
• o usuário deve vir acompanhado pela família ou responsável que saiba informar
• deve ser conduzido em ambulância devidamente higienizado
• deve trazer:
- documentos pessoais (RG) .
- atestados médicos anteriores, sumários de altas (se já esteve internado),
- medicamentos em uso.

3. Sempre que necessário fazer contato com o Serviço de Emergência Psiquiátrica.

sábado, 11 de setembro de 2010

Drogas Psicotrópicas: uso e efeitos

O termo droog significa folha seca, são substâncias que produzem alterações nas sensações, no grau de consciência e no estado emocional da pessoa que utiliza.
Os fatores que desencadeiam o uso podem ser biológicos, história de vida, grupo de amigos.
As drogas classificam-se em:
-Depressoras,
- Estimulantes
- Perturbadoras
Existem as que diminuem a atividade mental, fazendo o cérebro funcionar lentamente, são conhecidos como tranquilizantes. Ex: diazepan, álcool, cola, heroína.
As que estimulam atividade cerebral, como tabaco,anfetamina, cocaína e crack.
As que alteram a percepção, como maconha e ectasy.
Na adolescência, o uso é associado a curiosidade, transgressão, desinibição, identidade de grupo, diminuição da ansiedade, entre outros.
Seu uso pode ocorrer devido ao fato do adolescente buscar aproximação com o mundo adulto, sensações diferentes e prazerosas, busca de autonomia ligada a comportamentos de alto risco, e como já citado, influência de grupos.
No que se refere às causas do uso de drogas na adolescência, não se conhece um único determinante ou causador do uso, abuso ou dependência de drogas, mas é possível afirmar que existem situações de vida que favorecem o seu uso indevido.
Podemos falar de fatores de risco, que aumentam a possibilidade do uso de drogas, e fatores de proteção, que dificultam o uso, presentes no sujeito, na família, na escola, entre os pares e na comunidade.
Fatores que aumentam a vulnerabilidade:
-Estresse
- Ansiedade
- Pressão dos amigos
- Comportamentos de Risco
- Problemas Familiares/ Sociais
- Abandono escolar
- Falta de outros prazeres
- Transtorno Psiquiátrico

Fatores de Proteção:
-Diálogo Familiar / Escolar
- Ambiente social favorável
- Atividade Física
- Orientação sobre drogas
- Diversidade de prazeres

Segundo o Código Internacional de Doenças (CID - 10), dependência é definida como um conjunto de fenômenos fisiológicos ou comportamentais e cognitivos no qual o uso de uma substância ou de uma classe de substâncias, alcança uma prioridade muito maior para um determinado indivíduo que outros comportamentos que antes tinham maior valor.
Uma característica descritiva central da síndrome de dependência é o forte desejo de consumir drogas psicoativas. Pode haver evidência de que o retorno ao uso da substância após um período de abstinência leve a um reaparecimento mais rápido da síndrome do que o que ocorre com outros indivíduos não dependentes.
* Sete sinais da dependência:
- Forte desejo de usar a droga/dificuldade de controlar o uso
- Persistência no uso, apesar das consequências nocivas
- Prioridade ao uso de droga, abandono progressivo de outros prazeres e interesses
- Tolerância aumentada
- Síndrome de Abstinência
- Alívio dos sintomas após o uso da droga
- Retorno ao mesmo padrão de ingestão após período de abstinência.

sábado, 4 de setembro de 2010

O que é Desistitucionalização

A instituição tem como função orientação e regulação global, objetiva manter um estado, fazê-lo durar e assegurar a sua transmissão, pronuncia interdições estruturantes, necessárias a existência sda sociedade.
Segundo Goffman,a intituição total apaga as marcas singulares dos sujeitos e segrega a sociedade.
A institucionalização hospitalar deixa os sujeitos submetidos aos dispositivos institucionais, o que leva a alienação, perda de autonomia, baixa ou nula contratualidade.
Alguns dispositivos para a dsesistituxcionalização são:
- Altas hospitalares
- Redução de Leitos
- Fechamento de Hospitais
- Instalação de Rede substitutiva
O que leva a um processo singular envolvendo pacientes, familiares,equipes e território e, coletivo no que diz respeito a políticas públicas e rede social .Para isso requer uma atitude de escuta e, principalmente aceitação do outro, sem preconceitos ou vínculos transferênciais.
Salientando que transferência nesse sentido, seria identificar o que o discurso do outro me mobiliza, o que o outro demanda de mim e em que lugar o outro me poe.
O processo de desistitucionalização é uma construção permanente a ser feita a partir da escuta dos pacientes, da reflexão sistemática das equipes e das possibilidades do território.

sábado, 28 de agosto de 2010

Serviços Residenciais Terapêuticos

As residências terapêuticas constituem-se como alternativas de moradia para um grande contingente de pessoas que estão internadas há anos em hospitais psiquiátricos por não contarem com suporte adequado na comunidade.
Além disso, essas residências podem servir de apoio a usuários de outros serviços de saúde mental, que não contem com suporte familiar e social suficientes para garantir espaço adequado de moradia.
O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) são casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder as necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves ou não.
O número de usuários podem variar desde um indíviduo até um pequeno grupo de no máximo oito pessoas, que deverão contar sempre com um suporte profissional sensível às demandas de cada um.
O suporte de caráter interdisciplinar (seja o CAPS de referência, seja uma equipe de atenção básica, sejam outros profissionais) deverá considerar a singularidade de cada um dos moradores, e não apenas projetos e ações baseadas no coletivo de moradores.
O acompanhamento a um morador deve prosseguir, mesmo que ele mude de endereço ou eventualmente seja hospitalizado.
O processo de reabilitação psicossocial deve buscar de modo especial a inserção do usuário na rede de serviços, organizações e relações sociais da comunidade, ou seja, a inserção em um SRT é o início de um longo processo de reabilitação que deverá buscar a progressiva inclusão social do morador.
A implantação de uma residência terapêutica exige pacto entre gestor, comunidade, usuários, profissionais de saúde, vizinhança, rede social de apoio, e trabalho clínico com os futuros moradores.
Os beneficiados serão:
- Portadores de transtornos mentais egressos de internações psiquiátricas em hospitais cadastrados no SIH/SUS.
- Egressos de internação em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico,em conformidade com decisão judicial.
- Pessoas em acompanhamento nos Centros de Apoio Psicossocial (CAPS), para os quais existem problemas de moradia identificados.
- Moradores de rua com transtornos mentais severos, quando inseridos em projetos terapêuticos especiais acompanhados nos CAPS.

* Regulamentação das SRTs:

- Lei Federal nº10.216/01
- Lei nº 10.708/03
- Portaria GM nº 52 e 53/ 2004
- Portaria 106/2000
- Portaria nº 1.220/2000

sábado, 31 de julho de 2010

Projeto de Lei quer regularizar os blogs brasileiros

Proposta prevê a obrigatoriedade da moderação dos comentários e ainda exige que os donos de blogs sejam responsabilizados por todos os textos anônimos comentados.
Está em trâmite no Congresso Nacional um projeto de lei que prevê regular a atividade nos blogs brasileiros. Segundo o texto, os usuários devem ser obrigados a moderar os comentários publicados em suas páginas e todos os conteúdos comentados por anônimos serão de responsabilidade do blogueiro.
A proposta de número 7.131 foi apresentada no dia 14 de abril e é de autoria do deputado federal Gerson Peres (PP-PA). O projeto prevê que, com as novas medidas, os comentários sem autores também possam ser respondidos legalmente. Caso a lei entre em vigor, os donos de blogs que não concordarem com as novas regras poderão ser multados pelo Poder Judiciário em até R$10 mil.
Outra obrigação imposta pelo projeto é a identificação de todos os blogs brasileiros publicados na internet. Os responsáveis pelas páginas deverão ser cadastrados no site Registro.br, informando nome, RG e CPF.
A proposta argumenta que as medidas são necessárias devido à possibilidade de difusão de calúnias, injúrias e difamações por meio dos blogs. A regularização tentaria reduzir esses impactos na web.