quarta-feira, 19 de abril de 2017

Jogo da Baleia Azul




Um sinistro jogo viral tem causado alarme no mundo todo. É o jogo da Baleia Azul, disputado pelas redes sociais, que propõe desafios macabros aos adolescentes, como bater fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se, ficar doente e, na etapa final, cometer suicídio. A preocupação aumentou ano passado, quando fontes diversas chegaram a divulgar, sem confirmação, 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades online identificadas como “grupos da morte”.
A baixa autoestima é um problema que pode surgir em qualquer momento da vida, mas é bastante comum na adolescência. "Esse é um momento de reorganização do indivíduo em relação a sua imagem corporal e a seu lugar no mundo. Outro fator importante capaz de afetar a autoestima dos jovens é sua inserção na sociedade e a nova necessidade de fazer parte de grupos. O adolescente que tem seu amor próprio abalado fica inseguro e volta-se mais para ele mesmo. Muitas atitudes, dentro e fora de casa, podem sinalizar um problema de autoestima. A autoestima não é se achar o máximo o tempo todo, é a pessoa se amar tendo consciência de que tem pontos bons e ruins. É um reconhecimento de suas reais capacidades e dificuldades. Se a baixa autoestima não for cuidada na adolescência, a pessoa pode chegar à vida adulta apresentando um quadro de depressão e ter dificuldades para se relacionar e na vida profissional
Tudo na internet se espalha muito rápido, mesmo as coisas mais inacreditáveis. Neste caso não é diferente. O fenômeno ganhou visibilidade e vem se alastrando pelo mundo. Em alguns países, como Inglaterra, França e Romênia, as escolas têm feito alertas às famílias, depois que adolescentes apareceram com cortes nos braços, queimaduras e outros sinais de mutilação.
As recomendações para as famílias são: monitorar o uso da internet, frequentar as redes sociais dos filhos, observar comportamentos estranhos e, sobretudo, conversar e conscientizar os adolescentes a respeito das consequências de práticas que nada têm de brincadeira. Atenção redobrada com os jovens que apresentem tendência a depressão, pois eles costumam ser especialmente atraídos por jogos como o da Baleia Azul. Também as escolas devem colocar o assunto em pauta e incorporar no currículo, cada vez mais, a educação para a valorização da vida, o respeito pela vida dos outros e o uso consciente das mídias e tecnologias. 
Aparentemente o fenômeno começou na Rússia, mas está se espalhando – inclusive no Brasil,


Dentre os desafios, estão:
1.Escrever na mão com uma navalha.
2. Assista filmes de terror e psicodélicos
3. Corte seu braço com uma lâmina, “3 cortes grandes” mas é preciso ser sobre as veias.
4. Desenhe uma baleia azul e enviar a foto para o curador.
5. Se você está pronto para se tornar uma baleia escreva “SIM” em sua perna. Se não, corte-se muitas vezes “Castigue-se”.
7. Escreva “F40” em sua mão, envie uma foto ao curador.
8. Em sua rede social, escreva “#i_am_whale” no seu status do Facebook. O texto significa “Eu sou uma Baleia”.
9. Ele te dará uma missão baseada no seu maior medo, ele quer fazer você superar esse medo.
10. Acorde as 4:20 da manhã e suba em um telhado, quanto mais alto melhor.
11. Desenhe uma foto de uma baleia azul na mão com uma navalha e enviar a foto para o curador.
13. Ouça as musicas que os “curadores” te enviarem.
14. Corte seu lábio.
15. Fure sua mão com uma agulha muitas vezes.
16. Faça algo doloroso, “machuque-se”, fique doente.
17. Procure o telhado mais alto, e fique na borda por algum tempo.
18. Suba em uma ponte e sente-se na borda por algum tempo.
19. Suba em um guindaste ou pelo menos tente.
20. No próximo passo o curador irá verificar se você é de confiança.
21. Encontre outra baleia azul, “outro participante”, o curador te indicará.




22. Pendure-se novamente em um telhado alto, e apoie-se na borda com as pernas penduradas.
27. Acorde as 4:20 e vá a uma estrada de ferro.
28. Não fale com ninguém o dia todo.
30-49. Todos os dias, você deve acordar às 4:20 da manhã, assistir a vídeos de terror, ouvir música que “eles” lhe enviam, fazer 1 corte em seu corpo por dia, falar “com uma baleia”. Durante o intervalo dos desafios entre 30 e 49.
50. Tire sua própria vida.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Mais maturidade por favor

Peço desculpas, mas já não tenho tempo para brigar com egos e discutir com mentes pequenas. Eu não tolero mais pobreza de espírito. O mundo já é difícil como é; eu, e certamente você também, não precisamos de mais drama, gente complicada, banalidades, e tudo aquilo que não nos acrescenta nada.
A maturidade faz com que nos importemos menos com o que não importa. Nos termos atuais não tenho mais saco para ‘mimimi’, tenho pavor de quem vive achando que tudo é ‘recalque’, não suporto superficialidade, porque sou à moda antiga e ainda aprecio valores, honestidade e gente digna.
Eu ainda acredito que pessoas boas existem, e as quero o mais perto possível, porque gente do bem me inspira, gente do bem me faz querer ser melhor, mais e mais.
Não posso, não quero e não vou ser coadjuvante no palco da vida, é nossa tarefa tomar as rédeas do nosso destino. Não seja a vítima da história, nunca se acomode nem aceite o que não está bom, o que não é bom.
Que o bom senso prevaleça, que você passe pela vida de cabeça erguida, sem perder a pureza no coração, sem se rebaixar ao nível de quem não sabe amar, de quem não sabe viver.
Para os obstáculos, os dias difíceis, a resposta é resiliência e fé em Deus.
Fuja das almas vazias, fuja de gente que fala de gente, discuta ideias, preocupe-se mais com a sua vida, e deixe de se preocupar com a vida do ‘vizinho’
 Não tenha alma pequena, pense grande, faça coisa grandes, e ocupe-se com o que fará uma diferença significativa na sua vida. O resto será sempre o resto, e nós nunca precisamos de restos para sermos felizes, certo ?
Para resumir, o que eu quero dizer é: cuide, respeite e seja fiel a sua essência. Em tempos de superficialidade aguda, feliz é aquele que aprendeu que é na simplicidade, na humildade e nas coisas pequenas que mora a verdadeira felicidade. O que sobra é só ilusão, e quem se ilude normalmente se machuca. A escolha é, e sempre será, só sua.
Então, afaste-se das desculpas e escolha com sabedoria!
Fonte: Resiliência Mag

sábado, 21 de janeiro de 2017

Quando se sentir triste

Sentindo-se triste? Dance ou vá tomar uma ducha e veja a tristeza desaparecer de seu corpo. Sinta como a água que bate em você leva junto a tristeza, da mesma forma que leva embora o suor e a poeira de seu corpo.
Coloque sua mente em uma situação tal que ela não seja capaz de funcionar de maneira habitual. Qualquer coisa serve. Afinal, todas as técnicas que foram desenvolvidas ao longo dos séculos não passam de tentativas para distrair a mente e demovê-la dos velhos padrões.
Por exemplo, se você estiver se sentindo irritado, inspire e expire profundamente durante apenas dois minutos e veja o que acontece com a sua raiva.

Ao respirar profundamente, você terá confundido sua mente, pois ela não é capaz de correlacionar as duas coisas. "Desde quando", a mente começa a se perguntar, "alguém respira profundamente quando está com raiva? O que está acontecendo?"

A dica é nunca se repetir. Caso contrário, se toda vez que se sentir triste você for para o chuveiro, a mente transformará isso num hábito. Após a terceira ou quarta vez, ela aprenderá: "Isso é algo permitido. Você está triste, então é por isso que está tomando uma ducha." Nesse caso, a ducha irá apenas transformar-se em parte de sua tristeza. Seja inovador, seja criativo. Continue confundindo a mente.
eu companheiro diz algo e você se sente irritado. Em vez de bater nele ou jogar alguma coisa em sua direção, mude o padrão do pensamento: dê-lhe um abraço e um beijo. Confunda-o também! De repente, você perceberá que a mente é um mecanismo e que ela se sente perdida com o que é novo.

Abra a janela e deixe novos ventos entrarem.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O papel dos pais na escolha profissional dos filhos


O papel dos pais nesse momento pode ser uma alternativa. De maneira neutra, é preciso que eles exponham suas visões para que o jovem tenha mais condições de tomar uma atitude ponderada. A atuação dos pais como conselheiros neste momento pode ser crucial para a escolha dos filhos. Afinal, os pais conhecem suas competências e facilidades como ninguém. Com isso tudo, podem mostrar a realidade do mercado de trabalho, suas experiências e as vantagens e desvantagens de cada profissão. Podem também proporcionar o contato do jovem com um profissional da área. Essas são apenas algumas das opções que os pais podem encontrar para direcionar melhor a escolha dos filhos.
Há uma maior chance de conquistar a satisfação profissional quando escolhemos por nós mesmos. Afinal, podemos até percorrer um caminho para agradar a uma terceira pessoa, mas de uma maneira ou de outra a vida sempre nos conduz para o que nós realmente queremos.Por isso, se você é pai, converse e aconselhe, apenas. Se você é filho, pense e decida por si mesmo!
Ainda hoje, muitos pais desejam que os filhos sigam a mesma profissão deles. Esta é uma maneira que encontram para se sentir realizados e reconhecidos pelos seus descendentes.

O problema maior acontece quando esta vontade passa a ser uma fixação e, o pior, vira pressão para que o jovem trilhe um determinado caminho.
O ideal é que os pais prestem uma espécie de “consultoria” aos filhos, para orientar sem influenciar, mostrando os prós e os contras das carreiras cogitadas.

Isso pode se mostrar um desafio quando você é um apaixonado pelo seu trabalho ou se tem algumas frustrações com a carreira.

 Por isso, se for preciso, vale levá-los a testes vocacionais ou apresentá-los a profissionais de diversas áreas, para que possam sentir as distintas realidades do mercado de trabalho.


sábado, 7 de janeiro de 2017

Acumuladores

Talvez você já tenha assistido os programas da TV que abordam este tema onde uma equipe composta por organizadores profissionais e psicólogas vão até as casas das pessoas que sofrem com o transtorno de acumulação para ajudá-las na organização de suas casas e, principalmente, de suas vidas.
Mas, isto não acontece só com as famílias norte americanas que vemos na TV. De 2 a 4% da população mundial sofre de distúrbio acumulação. Só nos EUA 6% da população de 19 milhões de pessoas luta contra a acumulação compulsiva. Mas os números contam apenas parte desta história. Vamos nos aprofundar um pouco mais neste universo que parece estar distante, mas que na realidade pode estar acontecendo bem perto e com pessoas queridas. Vamos falar do que muita gente cala para não ver em sinal de negação: “acumula-dores”.
Muitos acumuladores conseguem manter segredo sobre sua condição e suas casas. Ao contrário da percepção popular, muitos são indivíduos altamente bem sucedidos, de alto funcionamento que lutaram contra a doença por décadas, em geral de forma silenciosa.
“Ser acumulador é ter uma aflição ao longo da vida” diz a Personal Organizer Terina Bainter (EUA).
Em muitos casos o transtorno se manifesta após algum evento traumático (ou uma série deles), seja a morte do conjuge, de filhos, desemprego, diagnóstico de doenças graves ou outros transtornos psíquicos como ansiedade, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Ter um acumulador na família também está entre os fatores que contribuem com o surgimento do transtorno.
O acumulador se comporta de forma semelhante as pessoas viciadas em álcool e outras drogas, jogos e/ou outros tipos de vícios. Estas pessoas acumulam “coisas” a fim de entorpecer suas emoções e ansiedade o que faz da acumulação um vício.
“A acumulação está sempre ligada a questões emocionais, a lutos que não foram elaborados, estas dores também são o ponto de partida para conseguir mudar o comportamento do acumulador e o ambiente onde vive. Para que esta mudança ocorra é necessário que a pessoa consiga chegar à raiz da perda e viva o processo de luto que foi retardado pela prática da acumulação. Para isto é imprescindível o acompanhamento psicológico. ”, afirma o Me. Leslie Delp, especialista em dor e perda e Mestre em Aconselhamento Psicológico.
Sinais de alerta
O primeiro alarme é quando a pessoa não convida mais ninguém para visitar sua casa. Mesmo que os familiares e amigos se ofereçam ela sugere que façam algum programa na rua.
A higiene também serve como indicativo, é importante observar os odores e aparência. Mofo e urina nas roupas, sinais de má higiene ou/e deixar de manter cuidados básicos como pentear o cabelo. Faltar as consultas médicas ou outros eventos sociais são sinais que costumam aparecer com o tempo.
As pessoas mudam seus comportamentos rotineiros: atrasam o pagamento das contas, deixam de lados cuidados com a higiene, os banhos tornam-se menos frequentes, a socialização também é afetada, os cuidados com a casa são deixados de lado (não apenas limpeza, mas também manutenção). A situação vira uma grande bola de neve, porque um comportamento desencadeia no outro. O atraso nas contas leva estas pessoas a passar por graves crises financeiras, a falta de higiene pode trazer ou agravar problemas de saúde, a falta de socialização, deixar de sair de casa, pode causar aumento da solidão e levar a pessoa à depressão e isolamento.
Grande maioria dos acumuladores tem algumas comorbidade como depressão, TOC, ansiedade, transtorno bipolar, entre outros. Isto agrava ainda mais comportamentos e tendências. Lembre-se: apenas profissionais de saúde mental licenciados podem diagnosticar oficialmente o transtorno de acumulação ou qualquer uma das comorbidades acima.
O que NÃO fazer quando você quer ajudar um acumulador
Se você entendeu como este transtorno causa sofrimento é muito importante ter empatia. As dicas abaixo podem lhe ajudar:
  • Construir uma relação de confiança e respeito é absolutamente vital.
  • Não seja crítico: nunca faça comentários como: “eu só iria acender um fósforo para queimar este lugar” ou “Gostaria de trazer um caminhão de lixo para casa e me livrar de tudo isso”.
  • Nunca limpe a casa ou desfaça de seus pertences sem autorização. Não aproveite que a pessoa está hospitalizada ou em férias para organizar a casa.
Estes erros diminuem quaisquer vestígios de confiança que você poderia ter conquistado. Se isto acontecer a pessoa poderá ter dificuldades em confiar em outras pessoas o que impediria que recebesse qualquer tipo de auxílio futuramente. Ajude de forma que não envergonhe e não cause ainda mais sofrimentos a pessoa.
Alguns passos para ajudar a estabelecer confiança e possibilitar uma intervenção:
  • Visite a pessoa mesmo que ela não queira: O isolamento só piora a situação.
  • Minimize reações como gritar e atacar verbalmente a pessoa que acumula. Em vez disso pergunte como ela se sente em relação a desordem.
  • Recorra aos profissionais que são especialistas em organização (Personal Organizers) para que lhe ajudem na organização (Claro que com a autorização da pessoa).
  • Incentive a pessoa a iniciar um processo psicoterapêutico para que ela possa ser acolhida e consiga trabalhar as questões que a levaram a esta situação.
Infelizmente no Brasil a literatura a cerca deste assunto é muito escassa. Mas, é possível que futuramente isto mude. A profissão de Personal Organizer – Organizadora
Profissional – tem crescido muito e os blogs destas profissionais podem trazer dicas ricas sobre a organização de ambientes.
Algumas pessoas começam a acumular sem ao menos perceber, guardando objetos como forma de recordar, mas aos poucos estão deixando suas casas cheias de coisas que vão se tornando acumulação, mesmo que em níveis menores.
As dicas abaixo podem lhe ajudar a afastar o risco da acumulação sem deixar de manter lembranças destes objetos que têm algum valor afetivo para você:
  • Mantenha as fotos em arquivos digitais: Aquelas fotos antigas de quando não tínhamos câmera digital, podem ser escaneadas e armazenadas em nuvens. Mantenha fisicamente apenas as fotos que ficam em porta retratos.
  • Receitas escritas à mão, recortes de notícias e revistas podem seguir o mesmo rumo das fotos. Mantenha versão digital do que for importante e descarte o restante.
  • Herdou móveis de algum familiar e não tem coragem de desfazer porque tem valor sentimental? Uma opção é fotografar e fazer um pin no  Pinterest.
  • Tem roupas que lembram bons momentos, viagens e pessoas queridas? Quem não tem, não é mesmo? Mas, se você não usa para que manter isto em sua casa? Neste caso a fotografia poderá ajudar novamente, depois você pode doar para alguma instituição ou mesmo para um brechó.
Este artigo foi traduzido e adaptado por Fernanda Alcantara 

sábado, 24 de dezembro de 2016

Maneiras de se desintoxicar emocionalmente

Aprenda a dizer não sem culpa
Primeiro é importante entender que é humanamente impossível agradar a todas as pessoas ao mesmo tempo. As pessoas criam expectativas (nós também fazemos muito isso) e quando essas expectativas não são atendidas elas tendem a se frustrar. Mas você conhece todas as expectativas das pessoas sobre você? Provavelmente não, logo como espera agradar a todos?
Entenda que pensamentos são apenas pensamentos
Não paramos de pensar. Agora, enquanto está lendo esse texto você está tendo muitos pensamentos. Pensamentos bons e pensamentos não tão bons. Por vezes passam coisas pela nossa cabeça do tipo: “Puxa, bem que o professor poderia passar mal e não vir dar aula hoje!” ou ainda “Nossa, que pessoa feia e desprezível, tomara que tropece caia de cima desse salto!” são pensamentos dos quais não nos orgulhamos muito e quando eles aparecem tendemos a nos culpar excessivamente, logo estamos nos punindo e questionando mas como eu pude pensar isso? Esse tipo de pensamento nos deixa excessivamente culpados e entender que pensamentos são apenas pensamentos nos ajuda a diminuir a culpa. Eles são apenas um produto da nossa mente, mas não existem no mundo real.
Aceite-se como você é
É uma tarefa quase impossível ser bem sucedido em todas as áreas da vida, somos seres limitados! Aceitar que temos muitas competências e habilidades, usar isso de maneira construtiva e ser menos exigente faz parte do processo de autoconhecimento e construção de autoestima. Conhecer e aceitar a nossa história de vida e aprender a perdoar as pessoas é muito importante, porém, fundamental mesmo é aprender a considerar quem somos e perdoar a nós mesmos. Aceitar que nem sempre seremos perfeitos e que todos erram em algum momento é libertador.
Tenha uma vida social saudável
Somos seres sociáveis, por isso cultivar bons relacionamentos é importante para manter a nossa saúde mental. São os nossos amigos e familiares quem estarão conosco compartilhando os melhores momentos da nossa vida. Por isso, manter uma relação próxima das pessoas que nos fazem bem é além de um prazer um hábito que ajuda a manter a nossa qualidade de vida e bem estar.
Aprenda a controlar o estresse
Estamos expostos a um alto nível de estresse, isso por que precisamos conviver com o trânsito, dificuldades financeiras, doenças, perdas… São tantas as situações que exigem de nós mais do que realmente conseguimos suportar que não há saída: acabamos nos estressando. Mas aprender a relaxar e controlar as emoções ameniza a sensação de esgotamento. Para isso cada pessoa encontrará um caminho. Algumas pessoas conseguem se controlar com música, outras com exercícios de respiração, meditação, existem inúmeras terapias que podem ajudar nesse processo.
Entenda que a sua vida é agora
Viver o tempo presente e desfrutar do melhor que ele pode nos oferecer é viver intensamente e plenamente. Entender que a felicidade é um processo que ocorre dentro de nós e não depende da ação dos outros e sim de nós mesmos é tomar para si a responsabilidade de viver uma vida plena. Será que é racional viver esperando que as coisas aconteçam na nossa vida no futuro para que possamos ter paz e alegria? Quanto pode nos limitar viver remoendo as decepções e tristezas do nosso passado? Só existe o tempo presente, portanto viva-o.
E finalmente, se for necessário procure ajuda profissional. Entenda que quem procura um serviço de psicologia o faz por que quer resolver os seus problemas, por isso buscar ajuda é um ato de coragem e amor por si mesmo.


sábado, 17 de dezembro de 2016

Arte e Transcendencia

A Índia possui dois grandes épicos: o Ramāyana e o Māhabhārata. O segundo é mais conhecido devido à peça, que depois deu origem ao filme, de Peter Brook. É também conhecida a passagem referente ao Bhagavad Gita, o livro sagrado do Hinduismo. Pois bem, logo no início do Māhabhārata é contada a história do rei Uparicara, que, pensando em sua mulher, ejacula. Por estar longe de seu palácio, e desejar muito ter descendentes, envia seu esperma à rainha por intermédio de um falcão. Só que este pássaro é interceptado no meio do caminho por um outro falcão, com quem trava uma luta e o esperma acaba caindo num rio e fecundando um peixe. Nasce daí Satyavati, uma mulher muito bonita, mas com um cheiro tão forte de peixe, que os homens não conseguem se aproximar .

Satyavati passa a ser a condutora de uma balsa que fazia a ligação entre as duas margens de um rio. Um dia chega até ela um homem chamado Parâçara, um bardo, eremita andarilho e artista. Ele não apenas se casa com Satyavati, mas transforma o seu cheiro ruim de peixe em um perfume delicioso e inebriante. Além disso, a ela seria restaurada a virgindade quando desse à luz. O filho deste casal é Vyâsa, o poeta que conta a história do Māhabhārata.

Temos aqui alguns aspectos bastante interessantes para o tema que iremos desenvolver. Esta história começa com o devaneio de Uparicara, que produziu o esperma, e portanto, a fertilidade. Vemos, na imaginação, na fantasia, a manifestação espontânea da Psique, um produto natural, que emerge graças à coordenação daquele arquétipo que Jung denominou Self, e que Byington chama de Arquétipo Central. É a partir deste centro organizador que somos impulsionados a realizar nosso potencial como seres humanos ao estruturarmos e ampliarmos nossa Consciência através da elaboração dos símbolos que chegam até nós.

A criação de Satyavati aponta para a união entre um rei (representante do poder e da autoridade constituída, da civilização, da hierarquia, da ordem) e a Mãe Peixe (representante da força instintiva da natureza, do irracional, das profundezas, da não civilidade – diz o I Ching, o milenar livro chinês, que os porcos e os peixes são os animais mais difíceis de serem comandados). Neste par estão contidas inúmeras polaridades: masculino-feminino, humano-animal, cultura-natureza. Satyavati, a mulher com cheiro de peixe, é fruto desta junção. Simboliza a dificuldade de uma cultura que prioriza a ordem, a organização, a lei, a hierarquia, isto é, patriarcal, aceitar elementos provenientes do universo matriarcal (o apego, a natureza instintiva, sensual, concreta). No entanto, este lado da natureza humana é tão importante quanto o outro; somos tão racionais quanto irracionais, capazes de construir uma civilização, mas profundamente atrelados às nossas necessidades básicas, físicas, fisiológicas. Não podemos prescindir nem de um aspecto nem de outro. O que, então, é capaz de conjugar mundos tão diversos? O símbolo é a célula psíquica capaz de unir opostos, de juntar o que conhecemos com aquilo que ainda não sabemos, e por isso sempre traz o novo.

No caminho do desenvolvimento da Consciência, os símbolos são aliados importantes. São eles os portadores da energia psíquica transformada em algo acessível. O símbolo pode vir de uma imagem interna – um sonho ou uma inspiração, por exemplo, ou de uma experiência corporal – ou através de uma pessoa, ou de um fato. Na verdade, tudo o que chega até nós tem seu caráter simbólico, porque tudo é mais do que parece ser. O símbolo é esse veículo extraordinário que nos conduz para além da obviedade, apontando sempre para o que ainda desconhecemos. É por meio dele, portanto, que estruturamos e desenvolvemos nossa Consciência, e por isso Byington considera que os símbolos são sempre estruturantes. São os símbolos, portanto, os elementos que nos conduzem rumo a uma ampliação dos nossos horizontes, da nossa visão de mundo, desde que possamos elaborar seus significados e integrá-los à nossa Consciência. E como eles se expressam na Cultura? Através da Mitologia, dos Contos de Fadas, das Religiões, da História, da Alquimia, do Folclore etc. E da Arte. Através da Arte o indivíduo abre espaços para que a Cultura vá se transformando. Porque a Arte é símbolo vivo. É através do artista que muitos dos paradigmas são ultrapassados: a Arte é transgressão, é criação, inovação, revolução.

Na nossa história, é o artista Paraçara quem transforma o mau cheiro em perfume, quem faz com que o odor natural, forte e insuportável de Satyavati possa não apenas ser tolerado, como transformado em função de sua aceitação. E aqui podemos lembrar a estruturação das nossas defesas, como sendo muitas vezes fruto da rejeição, do desamparo, da não acolhida, da não aceitação – tudo o que só faz piorar o mau cheiro.

Enraizados na mesma matriz, a Psique, o que o sonho traz para o indivíduo, a Arte traz para a Cultura. O sonho, afirma Jung, quase nunca dirá ao sonhador o que ele já sabe. Por isso é tão difícil interpretar os próprios sonhos – tendemos a ver aquilo que já sabemos. Também a Arte exige criatividade e renovação. Assisti a uma entrevista com o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, na qual ele citava Flaubert, que dizia que a Arte tem que surpreender. A Arte é a surpresa, o inesperado, o novo, o inusitado.

Mas, o que mais pode caracterizar a Arte? Rilke, em seu livro Cartas a um Jovem Poeta, diz:

As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do qualquer outra coisa são as obras de arte, – seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera. (p. 21)
E mais adiante:

Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: “Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples “sou”, então construa sua vida de acordo com esta necessidade. (pp. 22-23)

Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. (…) Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. (p.24)

Este é o chamado, a vocação, no sentido próprio do termo (vocare = chamar). É o fazer pela necessidade, pela urgência do chamado. Assim como é o ato de brincar, para a criança.

Jung (1922), por sua vez, nos diz que:

A obra (de arte) traz em si a sua própria forma; tudo aquilo que o autor gostaria de acrescentar, será recusado; e tudo aquilo que ele não gostaria de aceitar, lhe será imposto. Enquanto seu consciente está perplexo e vazio diante do fenômeno, ele é inundado por uma torrente de pensamentos e imagens que jamais pensou em criar e que sua própria vontade jamais quis trazer à tona. Mesmo contra sua vontade tem que reconhecer que nisso tudo é sempre o seu Self que fala, que é a sua natureza mais íntima que se revela por si mesma anunciando abertamente aquilo que ele nunca teria coragem de falar. Ele apenas pode obedecer e seguir esse impulso aparentemente estranho; sente que a sua obra é maior do que ele e exerce um domínio tal que ele nada lhe pode impor. Ele não se identifica com a realização criadora; ele tem Consciência de estar submetido à sua obra ou, pelo menos, ao lado, como uma segunda pessoa que tivesse entrado na esfera de um querer estranho. (par.110)

A Arte surge não do Ego, mas da natureza total. O artista se abre para o inesperado, e quantas vezes não se surpreende com o que sai dele! Como a mãe que gesta um filho, cabe ao verdadeiro artista dar passagem àquilo que agora emerge de dentro dele, mas que reconhecerá não ser ele e que, sabe, só surge Deo concedente.

Por isso, diz von Franz (1990), a atividade criativa deve ser feita de forma religiosa, no sentido de observação cuidadosa do numinoso. Um belo exemplo disso é a história de “Seu” Gabriel, contada por Byington (1994) em seu artigo “A Missão de Seu Gabriel e o Arquétipo do Chamado”, baseado, por sua vez, no livro da antropóloga Amélia Zaluar sobre a vida e a obra de Gabriel dos Santos.

Seu Gabriel nasceu em 1892. Seu pai era um negro mestiço, escravo e feitor de outros negros e sua mãe era filha de uma índia. Era o quarto filho, de uma família de doze irmãos. Desde cedo, manifestou uma acentuada queda para as artes. Cantava, fazia flores de papel crepom para vender, desenhava muito bem riscos para tecidos bordados. Pintava em cartolina sereias e santos, de encomenda, dedicando versos, de sua autoria, à pessoa que o contratava. Muito religioso, chegou a construir uma capelinha dedicada a Santo Antônio, onde ele organizava festas nas datas tradicionais da Igreja Católica. No altar, santos de barro, que ele mesmo esculpia e pintava. Mas quando percebeu que a religião católica não o satisfazia plenamente, passou para a Igreja Batista, à qual pertenceu até morrer. Nessa ocasião desfez-se dos santos e derrubou a capelinha.

Desde pequeno, Gabriel intuiu que teria que viver sozinho, “fora da família”, para fazer, com tranqüilidade os “trabalhinhos” de que tanto gostava, para ter seu espaço e liberdade de criar. Aos vinte anos, uma “revelação”, um sonho lhe mostrou que devia construir uma casa “só para si”.

Começou a construí-la pouco a pouco, e levou quase dez anos para concluir a obra. Dispunha de poucos recursos para comprar o material e trabalhava sozinho, em seus momentos de folga. Semi-analfabeto e utilizando como recurso principal a intuição, aprendeu sozinho a executar uma série de tarefas. Fez de tudo: foi pedreiro e carpinteiro, arquiteto e construtor, operário e artista. Mas não construiu uma cozinha, pois sentiu que naquela casa não se devia fazer refeições.

Depois de a casa terminada, um novo sonho lhe traz a idéia de enfeitá-la. Mas como? Com quê? “Matutando” muito, resolveu embelezar seu rancho com o refugo das construções locais, “restos de obras grandes da cidade”, com objetos e materiais quebrados encontrados no lixo, com coisas jogadas fora porque consideradas imprestáveis para o uso. – “Pensei em fazer do nada.”

Assim, não havia materiais “nobres” para Gabriel. Utilizava cacos, sobras, restos. Via neles, nos materiais mais humildes, possibilidades que os outros não viam. Tudo servia para compor sua casa/escultura, para dar vazão a uma prodigiosa criatividade. O “imprestável”, o “lixo”, o “inútil”, transformavam-se, através de seus olhos visionários, em matéria preciosa para a produção de beleza não percebida pelas pessoas comuns. Surge a Casa da Flor.

Em seu discurso, percebe-se que acreditava criar guiado por inspiração divina, associando sua capacidade inventiva com a força e a criatividade de um espírito superior: – “Eu mesmo fazendo, eu mesmo me espantando, isso pode ser só de mim?… Isso não é da gente, não. É o espírito de Deus que concede!”

Gabriel nunca se casou, nem teve filhos. Sempre morou sozinho na Casa da Flor. Dizia mesmo que não conseguia dormir com a presença de outra pessoa em sua casa, mesmo que fosse uma criança. Isso o perturbava muito. Teve como companhia, durante muitos anos, alguns cachorros, dentre eles, Diamante. Quando este morreu, anotou seu pesar em um caderno e construiu para ele um túmulo. Fez o mesmo para uma galinha, à qual havia se afeiçoado.

Seu Gabriel foi gradativamente perdendo a visão, e, no final, via somente sombras. Mas isso lhe bastava para que continuasse trabalhando no embelezamento do seu lar, o que fez até os 92 anos, quando faleceu sem deixar sua casa. Cinco dias antes de sua morte, pediu ao sobrinho Wilson para zelar por sua casa, para ser “sua pessoa”, justificando: – “Isto é um enredo, uma história”…

Segundo Byington,

O Arquétipo do Missionário se constelou na personalidade de Seu Gabriel dentro do dinamismo de alteridade. A casa como Outro fascinou o Ego para uma vivência dialética e criativa, que o atraiu em função de um todo incomensurável vivenciado por Seu Gabriel como a vontade de Deus, a ele revelada paulatinamente durante o desenvolvimento da obra. A imaginação e o sonho interligaram o Eu, o Outro e o Todo através de uma vivência afetiva e intuitiva de origem racionalmente inexplicável e revelada por símbolos. A construção da casa tornou-se, assim, uma ocupação criativa inerente a uma vocação existencial inseparável do significado da vida. É a vivência da arte subordinada à totalidade. (1994, p.118)

Outro exemplo da ligação entre a arte e a religiosidade foi presenciado por mim ao assistir a uma apresentação de uma bailarina indiana. A Índia possui tradicionalmente uma cultura na qual a sacralidade não ficou tão separada das atividades seculares, ou melhor, nesse país, muitas das atividades permanecem, ainda com uma certa freqüência, inseparáveis de seu caráter sagrado. Assim, antes de determinadas atividades cotidianas, alguns ritos são realizados. Isso ocorre também antes de uma performance de música clássica, ou uma apresentação teatral. Na apresentação à qual me refiro, a dançarina, ao iniciar o espetáculo, havia feito um rito de entrada – uma homenagem a um deus, possivelmente Ganesha, considerado o patrono das Artes e, não por acaso, aquele que abre caminhos; ou então, a Shiva Nataraja, o deus que criou o mundo dançando [segundo uma dançarina, “qualquer Deus pode estar lá: Nataraja, Ganesha. (…) Para uma estudante cristã, tínhamos um Nataraja e um Jesus no palco.” (Gaston, p.163)]. Ao final da apresentação, foi muito aplaudida e a platéia pediu bis. Ela então, de modo absolutamente natural, pediu desculpas de antemão, dizendo que ela já havia feito o rito de saída (evidentemente não usou esta terminologia), e que, portanto, quem iria se apresentar agora seria somente ela, e por isso a dança não seria mais a mesma coisa. Isto revela a enorme diferença que existe entre a Arte como expressão de algo maior, expressão da totalidade, e a expressão puramente egóica. Não sei se nós, da platéia, teríamos sintonia e sensibilidade suficientes para perceber isso, mas, para ela, era algo que fazia toda a diferença. A esse respeito, comenta Indira Rajan, dançarina de uma família tradicional de dançarinas: “Porque os componentes da dança são baseados em Deus, o palco deve ser como um templo” (idem, ibidem).

Em seu livro O Sagrado, Rudolf Otto estuda a experiência religiosa buscando esclarecer seu caráter específico e sua fenomenologia. Procura descrever o “Deus vivo”, e não uma idéia ou noção abstrata de Deus, mas sua vivência. Encontra, então, o sentimento de pavor diante do sagrado, do mysterium a um só tempo tremendum e fascinans, que exala uma superioridade esmagadora de poder e no qual se expande a plenitude do Ser. Essas experiências foram chamadas por Otto de numinosas (numen=deus), porque são provocadas pela revelação de um poder divino.

O mundo numinoso caracteriza-se como qualquer coisa de ganz andere (totalmente outro) de radical e totalmente diferente; em relação ao ganz andere, o homem tem o sentimento de profunda nulidade, o sentimento de não ser mais do que uma criatura. (Eliade, p.24)

Voltemos aqui ao Mahabharata, mais especificamente aos ensinamentos do Gita, que propõe que as ações não visem seus frutos, e que sejam movidas pelo sentido profundo contido nelas mesmas. Esta é a ação que expressa a conexão consciente com o centro, com o Arquétipo Central, com o Todo, e por isso, basta a si mesma. A plenitude se revela àquele que cria porque, ao criar, ele obedece ao chamado para que realize sua natureza profunda. Ao acolhê-lo, o ser humano exercita e é tomado por sua capacidade imaginativa; através dele, o mundo é criado e, ao criar, o ser humano é. Por isso, o ato de criar basta a si mesmo e não busca finalidade outra que ele próprio, pois seu sentido lhe é inerente.

Essa concepção aproxima-se da idéia indiana da criação através do lilā, o jogo divino que acontece num estado de arrebatamento muito semelhante ao do artista imerso no processo criativo. Os deuses são tão plenos e completos que sua atividade só pode ser vista como livre dos domínios da lei de causa e efeito, e para além da natureza pragmática e utilitária que governa os seres humanos. Ao contrário, sua ação volta-se para o reino da liberdade. Sob esta perspectiva, a liberdade criativa é um ato divino.

Podemos, assim, pensar no ato criativo como a vivência de uma hierofania, termo proposto por Eliade e que significa a manifestação do sagrado.

De acordo com von Franz (1990),

A arte como fenômeno psíquico primordial cumpre uma tarefa religiosa e representa um aspecto do “levar cuidadosamente em conta as forças transcendentais” que correspondem aos cantos, preces e rituais dos sacerdotes. Dar forma aos espíritos é tarefa “sagrada” e as obras devem ser formadas em atenção a si mesmas (ao espírito), e não de acordo com o gosto ou a disposição de ânimo do artista. (p. 246)

Em termos psicológicos, podemos dizer que o sagrado é tudo aquilo que nos faz ultrapassar a literalidade, abrindo nosso horizonte para o ganz andere, para o mais além. Em outras palavras, a transcendência nos é dada pela dimensão simbólica. Lembremos que a transcendência é aqui compreendida como a percepção da relação entre o Ego e algo que ele vivencia como maior que ele. Por isso nos diz Eliade (1956) que, para aqueles que têm uma experiência religiosa (para nós, uma vida simbólica), toda a Natureza é susceptível de revelar-se como sacralidade cósmica (p. 26). O homem religioso (o homo simbolicus) se esforça por permanecer o maior tempo possível ligado a um universo sagrado (ou seja, à totalidade). No ato de criar, o artista busca aquele momento mágico, sagrado, no qual a obra lhe diz que está completa.

Ainda de acordo com Eliade, o espaço sagrado é uma ruptura dentro do espaço profano. Este temenos é a terra consagrada, a nossa pátria, a nossa casa, o templo, o espaço analítico, mas também o palco, a tela, o papel que receberá um poema, o chão onde a criação do arquiteto tomará forma. No recinto sagrado, é possível a comunicação com os deuses. Quanto ao tempo, Eliade também considera o tempo sagrado aquele que se abre para a eternidade, para a permanência. O tempo sagrado é o tempo dos mitos, da essência, da Arte, que se sobrepõe à vida. “Para além da vida está a morte; para além da Arte, a eternidade”, disse o poeta.

A ligação profunda entre a Arte e transcendência faz com que muitas vezes elas se unam e se mesclem a tal ponto que se tornam indistintas. Alguns exemplos são as pinturas realizadas nos corpos de povos tribais em momentos importantes; ainda hoje, em cerimônias de casamento, muitas indianas pintam as mãos e os pés; as danças sagradas, realizadas inclusive em templos, como é o caso das devadasis, as dançarinas hindus “dedicadas a um marido divino que nunca morre”, que em rituais festivos dançam o drama para recriar a história divina. Temos também poemas místicos, como A Noite Escura da Alma, de San Juan de la Cruz, e o Gitagovinda, de Jayadeva; músicas e cânticos sagrados, entoados em templos; a arte sacra, espalhada pelo Ocidente e Oriente; a arquitetura, expressando ela própria a sacralidade do espaço, e tantas outras manifestações. Quero ressaltar, entretanto, aquela arte cuja expressão é inseparável do sagrado: a Mandala.

As mandalas são círculos sagrados, formas concêntricas criadas tradicionalmente com a finalidade de “colocar um fim no sofrimento, um desejo intenso de buscar a iluminação em prol dos outros e uma visão correta da realidade” (Dalai Lama, in Brauen, 1992). Fundamentalmente, são secretas. São representações pictóricas utilizadas, por exemplo, no Budismo Tibetano para expressar as verdades religiosas mais profundas. São aspectos do Absoluto, mas não ele próprio em todo seu esplendor e bem-aventurança. O objetivo de cada visualização é descobrir e realizar a divindade radiante. Assim, essas representações são auxílios para a meditação, para buscar e encontrar um centro, onde, tradicional e universalmente, considera-se o lugar da divindade (Brauen, 1992).


As mandalas podem ser pintadas, mas também desenhadas e dançadas, como é feito em muitas tradições, com as danças circulares.
Para Jung,desde tempos imemoriais, o círculo e o centro têm sido considerados símbolos do divino, ilustrando a unidade do deus encarnado: o único ponto no centro e muitos na circunferência. (1950, par. 327)

É importante lembrarmos também que a criatividade do artista está inserida tanto no Self Cultural como no processo de desenvolvimento de sua personalidade, pois indivíduo e cultura são polaridades inseparáveis. Alguns artistas, inclusive, escancaram seu processo pessoal para a Cultura, expondo em sua Arte vivências extremamente íntimas, mas que, ao se fundirem às experiências profundamente humanas, transcendem a individualidade e mostram seu caráter universal. Penso que a obra de Frida Kahlo exemplifica isto de uma maneira extraordinariamente exuberante.

A criatividade do Self não se restringe à criatividade pela Arte, embora ela possa estar presente de forma explícita, sobretudo quando o caminho da realização do Ser, o Processo de Individuação, passa pela sensibilidade artística e pela necessidade de a pessoa elaborar essas vivências na dimensão estética.

Byington (1996) afirma que a dimensão onírica, por exemplo, tem tudo a ver com a dimensão da poesia. Diz ele:

Sua expressão em imagens metafóricas capazes de evocar as mais variadas emoções e nuances da sensibilidade da alma sem a obrigação de se explicar coisa alguma tornam os sonhos a poesia noturna do Self. (p. 135)

Abrir-se para a vida simbólica é abrir-se para o mistério. E a vida é um grande mistério. Quanto mais importante for a experiência, mais misteriosa ela será. Experiências fundamentais, como o amor, a morte, a transcendência, são vivências profundas e impossíveis de serem circunscritas pela nossa razão. Necessitamos, assim, uma linguagem metafórica para tentar expressar de modo mais completo o que vivemos. Nesse contexto, a Arte é fundamental. Sua linguagem simbólica, metafórica, seja ela poética, dramática, através da expressão corporal, da música, das cores e das formas, estende-se sobre todas as culturas, mantendo nossa identidade ao mesmo tempo em que é profundamente transgressora.

Ao não precisar explicar coisa alguma, a Arte é inseparável da liberdade. A Arte não pode ser presa, nem restrita, limitada ou confinada pelo que quer que seja. A Arte, assim como os sonhos, é livre e libertária. Como nossos sonhos apontam o caminho da criatividade profunda, a liberdade intrínseca à Arte faz dos artistas seres precursores de mudanças culturais.

Citando Fernando Pessoa, toda arte é uma confissão de que a vida não basta.

Referências Bibliográficas

Brauen, Martin (1992). The Mandala – Sacred Circle in Tibetan Buddhism. London: Serindia Publications, 1992.

Byington, Carlos A. B. “A Missão de Seu Gabriel e o Arquétipo do Chamado”. Junguiana, Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, no.12, 1994, pp. 110-133.

___________ (1996). Pedagogia Simbólica. Edição revisada e atualizada: A Construção Amorosa do Saber. São Paulo: W11 Editores, 2004.

Carrière, Jean-Claude. Māhabhārata (Guia do espectador para o filme de Peter Brook). Tradução: Carlos Alberto da Fonseca, USP, 1992.

Eliade, Mircea. (1956). O Sagrado e o Profano – A Essência das Religiões. Lisboa: Ed. Livros do Brasil, s/d.

Gaston, Anne-Marie “Dance and the Hindu Woman – Bharatanatyam Re-ritualized”, in Leslie, Julia, ed. Role and Rituals for Hindu Women. Cambury: Assoc. UP, 1991.

Jung, Carl Gustav (1922). Relação da Psicologia Analítica com a Obra de Arte Poética. CW15. Petrópolis: Ed.Vozes, 1987, par. 110.

___________ (1950). Concerning Mandala Symbolism. CW9 Part I. London: Routledge & Kegan Paul, 1959.

Kinsley, David (1979). The Divine Player – A Study of Krishna Lilā. Delhi: Motilal Banarsidass, 1979.

Rilke, Rainer Maria (1953). Cartas a um Jovem Poeta. Porto Alegre: Editora Globo, 1983.

von Franz, Marie-Louise (1990). Psicoterapia. São Paulo: Paulus, 1999.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Deusas Gregas e o Feminino

Ainda somos fortemente influenciados pela cultura grega. Na Mitologia os gregos mostravam, por meio do mito de Pandora, a misoginia. Pandora trouxe o mal ao mundo, assim como Eva na cultura judaico cristã.
Mas isso não é totalmente negativo. O feminino estar próximo ao mal, significa que está mais próximo ao humano e com possibilidade de desenvolvimento maior, pois tem mais familiaridade com a sombra.
Os gregos também possuíam muito medo da deusa Afrodite. Deusa da sexualidade feminina, da fertilidade, do amor e sedução, vivia seu desejo da forma que lhe convinha. Era a deusa mais bela, mais desejada e invejada do panteão.
Esse medo é retratado no mito do encontro da deusa com o mortal Anquises.
A deusa, ao ver o mortal se apaixona e decide entrar na tenda do rapaz e quando ele a vê a saúda como uma imortal, prometendo-lhe um altar e sacrifícios, e suplicando-lhe a bênção para ele e sua posteridade. Diante do medo, a deusa mente, dizendo ser uma donzela mortal, uma princesa frígia que também sabia falar a língua dos troianos. O mortal deita-se com a deusa imortal, sem saber o que estava fazendo. Afrodite desperta o amante adormecido e mostra-se a ele em sua verdadeira forma e beleza. Anquises fica assustado quando viu os lindos olhos dela. Virou-se para o outro lado, cobriu o rosto e implorou-lhe que o salvasse. Pois nenhum homem mortal continua gozando de boa saúde pelo resto da vida depois de haver dormido com uma deusa. Com ele então, concebe Enéias. Mas de sua parte, a deusa lamentou haver-se entregue a um mortal.

O medo da sexualidade afrodisíaca da mulher ainda persiste em nossa sociedade Ocidental. O medo de ser subjugado pelo desejo feminino ainda vive no homem moderno.
Além disso, em civilizações anteriores as deusas do amor e fertilidade também eram deusas da magia, da guerra e da morte, como a nórdica Freya, por exemplo. Amor e guerra sempre foram faces da mesma moeda.
Os gregos retiraram a qualidade guerreira de Afrodite e projetaram em seu amante Ares, que, por sua vez, também era rejeitado pelos gregos, por sua impulsividade e caráter agressivo. Os dois amantes eram uma ameaça ao patriarcado nascente à época.
A deusa da guerra para os gregos era Atena. Deusa da estratégia de guerra, da civilização, da cultura, diplomacia e da sabedoria. Era tida em alta conta pelos romanos e era a favorita de seu pai Zeus, o grande senhor do Olimpo.

Era casta, virgem e moderada. Ela inspirava os heróis com sua sabedoria e podia ser tão implacável quanto Ares, mas mantinha distância das paixões. Bem diferente da impetuosa Freya, suas ações eram movidas pela estratégia e frieza.

É possível que em tempos remotos Atena tenha sido uma deusa da fertilidade e tido o caráter maternal de todas as Grandes Mães da pré-história, no entanto, foi “domesticada”, formando um duplo sombrio com Afrodite.
Além disso, Atena e seu irmão Hefesto aparecem frequentemente juntos na arte grega, ambos são considerados co-instrutores da humanidade nas artes, e em vários lugares dividiam um culto em tempos remotos, o que sugere que em uma fase primitiva, não documentada, Hefesto pode ter sido um esposo de Atena.
Atena sendo levada em tão alta conta e sendo separada de seus atributos originais, mostra a nós que as qualidades femininas levadas em consideração atualmente, são a moderação dos instintos e a castidade.
No entanto, as Deusas da fertilidade clamam sua volta. Essa sombra reprimida precisa ser olhada novamente. O amor e a guerra, a fertilidade e a exuberância da sexualidade e sensualidade femininas precisam ser novamente compreendidas para assim deixarem de ser temidos.
Afrodite ainda sobreviveu na cultura grega e possuía seu culto, mas infelizmente hoje, na cultura cristã ela foi suprimida. Ainda enxergamos aspectos femininos como Pandora e Eva. Precisamos de um novo olhar para o feminino, que una novamente esses aspectos separados.
Referências:
BRANDÃO, J. – Mitologia Grega Vol. 1, Petrópolis: Vozes, 1986
BOLEN, J. S. – As Deusas e a Mulher. São Paulo: Paulus, 1990

CAMPBELL, J. O Poder do Mito. São Paulo: Palas Athena, 1990.

sábado, 12 de novembro de 2016

Como controlar a ansiedade na hora da prova

 1. Prepare-se bem para a prova. Quanto mais bem preparado você estiver, menos ansioso se sentirá. O ideal é que você mude a forma de encarar os testes. Em vez de enxergá-los como um mal necessário, passe a vê-los como um desafio e uma oportunidade de demonstrar sua disciplina, empenho, inteligência, memória e raciocínio.
2- Não estude para a prova na véspera. Comece a se preparar com antecedência. Se a prova for muito importante ou testar muito conteúdo, comece a se preparar para ela no mínimo duas semanas antes. Além de estudar o material didático que consta no livro ou na apostila, revise as anotações que fez em classe. Em outros artigos, isto foi dito e será repetido aqui: não deixe para estudar para a prova na véspera. Se você se preparar com antecedência, sentirá muito menos ansiedade no dia do exame. Isso porque você terá tido tempo suficiente para estudar e revisar o material, fazer séries de exercícios para testar se realmente entendeu o que estudou e tirar dúvidas com o professor sobre
3- É fundamental que você mantenha uma atitude positiva e confiante durante seu preparo para a prova. Seja no preparo para a prova, seja no próprio dia da prova, não pense que qualquer conceito está fora do alcance da sua inteligência. Tenha um pouco de paciência consigo mesmo. O que é difícil hoje parecerá muito mais fácil amanhã. Quando um aluno se esforça para compreender algum conceito, é apenas uma questão de tempo até que ele o domine.
4- Se for possível, faça exercícios físicos nos dias que antecedem a prova. Isso reduz estresse e ansiedade. E melhora o raciocínio e a memória.
5- Tente dormir bem na noite anterior a prova Uma boa noite de sono é uma ótima forma de combater o estresse e a ansiedade. Pouco sono prejudica a memória. Além disso, estudos indicam que a falta de sono resulta em ansiedade, nervosismo, falta de concentração e fadiga mental.
6- Tente chegar cedo ao local da prova. Pessoas que chegam atrasadas geralmente chegam ansiosas.
7- Durante a prova,tente manter a calma. Caso se sinta muito ansioso devido à dificuldade das questões, respire profundamente e tente relaxar. A respiração profunda diminui a ansiedade e melhora a concentração.




8- Leia as instruções da prova com cuidado. Se houver alguma instrução que não tenha compreendido, não hesite em tirar a dúvida com o professor/supervisor.
9- Antes de iniciar a prova, tente calcular quanto tempo vai demorar em cada questão. Se souber administrar bem o tempo, você se sentirá menos ansioso.
10- Antes de responder às questões da prova,  você deve começar a prova pelas questões mais fáceis. Isso lhe dará um sentimento de confiança. Deixe as mais difíceis por último.
11- Durante a prova, não seja influenciado pelos sentimentos de outros alunos. Se eles estão ansiosos, não permita que a ansiedade deles o afete. Se eles acham a prova difícil demais, não significa que seja. Também não se deixe influenciar pela velocidade com a qual eles respondem às questões. Fazer uma prova rapidamente não significa conhecer bem a matéria. Utilize bem o tempo, concentre-se em fazer uma boa prova.
12- Se você não souber como resolver uma questão  não fique ansioso e certamente não se desespere. Passe para a seguinte . Depois de responder a todas as questões fáceis, volte para as difíceis. Lembre-se: você não precisa acertar absolutamente todas as questões da prova para tirar uma boa nota.
13- Concentre-se na prova. Quando nossa mente está concentrada em uma tarefa, há menos chances de ser contaminada por sentimentos de ansiedade, insegurança e nervosismo