sábado, 26 de março de 2011

Interação Pais Bebê


Muitas histórias antecedem a chegada do bebê na família e influenciam o desenvolvimento futuro dessa criança, mesmo antes da criança ser concebida, já se fala nela, se faz projeto onde ela está incluída ou não.
Futuras mamães apresentam modificações na imagem corporal, podendo surgir sentimentos de invasão, angústia, medo e impotência.Desejos de ter e de não ter o filho, temor da gravidez não chegue ao fim.
Medo que a relação com o marido mude, havendo para isso necessidade de adaptação recíproca.
Enquanto o bebê está em construção surgem os movimentos fetais que denotam a autonomia do bebê,onde podem ocorrer as primeiras fantasias em relação ao parto e a espera desse outro desconhecido.
Nesse momento podem surgir na futura mamãe, labilidade de humor,regressão, e devaneios maternos.
E o possível estado depressivo, a dicotomia aceitação- aversão.
A relação paterna que se manifesta no encontro desse filho sem a intermediação da mulher - mãe,surgindo possivelmente sentimentos contraditórios, como por exemplo, ciúme, alegria, medo, impotência, potência.O pai será instrumento importante no processo de separação psiquíca entre mãe e bebê.
O bebê passa a ser concebido como um ser complexo, previsível e agente ativo na interação.
- Sinais de que o bebê está se desenvolvendo bem:
+ Olhar presente e reativo ao ambiente,
+ Sorriso social responsivo,
+ Movimentos antecipatórios,
+ Reação a estranhos,
+ Vocalização e balbucio,
+ Brinca com mãos e pés.

-Situações de Risco:
+ Depressão materna,
+ Pais com graves comprometimentos psíquicos e/ou sociais,
+ Patologia somática ao nascimento,
+ Patologia no plano funcional,
+ Separação precoce mãe-bebê,
+ Pais vivendo situação de luto grave.

- Sinais de Alerta:
+ Desinteresse e inadequação das respostas do bebê frente ao meio ambiente podem ser indicativos de risco ao desenvolvimento e uma intervenção precoce especializada pode minorar ou prevenir futuros distúrbios.
+ Evitação do olhar
+ Retardo ou ausência do sorriso social
+ Ausência de reação a estranhos
+ Ausência de movimentos antecipatórios
+ Ausência de vocalização e balbucio

Finalizando,a evolução da criança, sua integração social e suas possibilidades de autonomia dependem das relações afetivas que se estabelecem no início da vida.

sábado, 19 de março de 2011

Hiperatividade em Crianças


É o problema de saúde mental mais frequente em crianças, estima-se que de 3% a 5% das crianças em idade escolar de todo o mundo sofram desse mal, é mais frequente em meninos do que em meninas.
Algumas queixas que os pais nos trazem são: "Meu filho não pára", "Ele é impossível", "Ninguém segura essa bomba", "Ele tem duas almas, todas duas de gato", "Ele é cheio de problemas", "O sistema dele é nervoso", " Ele é maluvido", "Não aprende porque não presta atenção", "Faz tudo e não termina nada", "Vive no mundo da lua", "Tem a mão furada".
Claudius Galenus, 200 a.C, médico grego prescrevia ópio para as então chamadas "cólicas infantis", que eram, o que chamamos hoje de impaciência e inquietação.
Atualmente, existem, além da terapia, medicação para o controle da hiperatividade em crianças,a chamada Ritalina e Cloridrato de Metilfenidato, essas obtiveram crescimento de dez por cento de suas vendas, depois que os médicos passaram a prescrevê-las para o controle da hiperatividade em crianças e adolescentes.
Porém, esquecemos de avaliar o que está por trás dessa criança, ou seja, o histórico familiar e a implicação da família nesse contexto.
*Cabe ao profissional de saúde orientar a família a propiciar um ambiente de conversa onde:
- Tudo possa ser falado incluindo o porquê das restrições que a família faz a criança/adolescente hiperativo,
- Não subestimar a criança acreditando que elas não vão sentir as conseqüencias de agressões, - Criar um ambiente onde as crianças possam apreciar a si próprias,
- Respeitar as crianças e ensiná-las a respeitarem - se em seus limites,
- Falar além da proibição (o que é afinal permitido?),
- Não transformar tratamento em castigo.
* Para os educadores:
- Conhecer seus alunos, estar atento aos seus sinais,
- Lembrar que o professor não faz diagnósticos,
- Conheça seus limites, não tenha medo de pedir ajuda,
- Apresente alternativas, não existe um modelo único,
- A criança hiperativa é vítima de um problema e não a causa,
- Permita-se fracassar.

sábado, 5 de março de 2011

Depressão Pós- Parto: Prevenção e Consequencias

A depressão pós-parto é uma patologia derivada de uma combinação de fatores biopsicossociais, dificilmente controláveis, que atuam de forma implacável no seu surgimento.
Incluem:
- Gravidez não desejada;
- Baixo peso do bebê;
- Alimentação do bebê direto na mamadeira;
- Pouca idade da mãe;
- O fato da mãe não estar casada;
- Parceiro desempregado;
- Grande número de filhos;
- Desemprego após a licença maternidade;
- Morte de pessoas próximas;
- Separação do casal durante a gravidez;
- Antecedentes psiquiátricos anteriores ou durante a
gravidez;
- Problemas da tireóide (simulando de uma série de
doenças psiquiátricas);
Após o parto, ocorrem reações conscientes e inconscientes na puérpera, dentro de seu ambiente familiar e social imediato,ativando profundas ansiedades. Uma das mais importantes é a
vivência inconsciente da angústia do trauma do próprio nascimento: a passagem pelo canal do parto, que inviabiliza para sempre o retorno ao útero e empurra o bebê para um mundo totalmente novo e, portanto, temido. Isto inclui a perda repentina de percepções conhecidas, como os sons internos da mãe, o calor do aconchego, o sentido total de proteção, gerando o surgimento de percepções novas e assustadoras).
A secção do cordão umbilical separa para sempre o corpo da criança do corpo materno, deixando uma cicatriz, o umbigo, que marca o significado profundo desta separação. Assim, no inconsciente, o parto é vivido como uma grande perda para a mãe, muito mais do que o nascimento de um filho. Ao longo dos meses de gestação, ele foi sentido como apenas seu, como parte integrante de si mesma e, bruscamente, torna-se um ser diferenciado dela, com vida própria e que deve ser compartilhado com os demais, apesar de todo ciúme que desperta.
- Sinais e sintomas:
Os sinais e sintomas do estado depressivo variam quanto à maneira e intensidade com que se manifestam, pois dependem do tipo de personalidade da puérpera e da sua própria história de vida, além das mudanças bioquímicas que se processam logo após o parto.
Além das vivências inconscientes em que predominam as fantasias de esvaziamento ou de castração, as mais intensas são as ansiedades de carência materna, quando a puérpera apresenta forte dependência infantil em relação à própria mãe ou ao marido, e as de autodepreciação, quando se sente incapaz de assumir as responsabilidades maternas, e até mesmo inútil, quando não consegue captar a compreensão do significado do choro do bebê para poder satisfazê-lo.
Para poder suportar tais ansiedades, inconscientemente, alguns mecanismos de defesa são colocados em movimento, segundo as características pessoais da puérpera. Dessa maneira, ela pode apresentar-se cheia de uma energia despropositada, eufórica, falante, preocupada com seu aspecto físico e com a ordem e arrumação do ambiente em que se encontra.
As visitas são recebidas calorosamente, e a mãe parece tão disposta e auto-suficiente, como se não precisasse de ajuda externa. Em contrapartida, manifesta alguns transtornos do sono, muitas vezes necessitando de soníferos. Se o ambiente mais próximo não lhe oferecer carinho e atenções, tal estado pode produzir somatizações, como febre, constipação e outros sintomas físicos.
Do mesmo modo,se as fantasias inconscientes não puderem ser contidas, surgem as
ansiedades depressivas de modo ocasional ou em acessos de choro, ciúmes, aborrecimento, tirania ou em expressões de autodepreciação e de auto-acusação. A puérpera deprimida, ao contrário da hiperativa, pode apresentar-se com um profundo retraimento, necessidade de isolamento.
A puérpera sinta-se mais carente e dependente de proteção, como que competindo com o bebê as atenções do meio que a cerca.
A sensação predominante neste caso, é de sentir-se apenas a serviço do bebê, como se nunca mais fosse recuperar sua vida pessoal.
O homem também pode apresentar o quadro de depressão puerperal, embora com menor intensidade. A depressão masculina tem origem nos sentimentos de exclusão diante da díade mãe-bebê.
É como se ele se percebesse apenas como uma pessoa provedora, que deve trabalhar e satisfazer as exigências impostas pelo puerpério da mulher.
No caso de já existirem outros filhos, estes também podem sofrer impactos emocionais, com a ausência da mãe e o medo de perder seu amor em prol do novo membro da família. O modo como demonstram tais sentimentos freqüentemente incluem a regressão, quando solicitam novamente o uso da chupeta, apresentam transtornos do sono, inapetência, enurese noturna, e até mesmo a negação da própria mãe, como se não precisassem mais de seu amor e cuidados.
É muito difícil determinar o limite entre a depressão pós-parto normal e a patológica, chamada de psicose puerperal. A característica principal desta é a rejeição total ao bebê, sentindo-se completamente aterrorizada e ameaçada por ele, como se fosse um inimigo em potencial.
A mulher sente-se, então, apática, abandona os próprios hábitos de higiene e cuidados pessoais, pode sofrer de insônia, inapetência e apresentar idéias de perseguição, como se alguém viesse roubar-lhe o bebê ou fazer-lhe algum mal. Se a puérpera estiver neste quadro de profunda depressão, sem poder oferecer a seu filho o acolhimento necessário, este também entrará em depressão.
Neste caso, as características notadas na criança são:
* falta de brilho no olhar, dificuldade de sorrir, diminuição do apetite,vômito, diarréia e dificuldade em manifestar interesse pelo que quer que esteja ao seu redor.
Se há bloqueio materno em manifestar amor pelo filho, alguém deve assumir a tarefa de cuidar do bebê, para que o mesmo possa sentir-se amado e acolhido, pois sem amor não desenvolverá a
capacidade de confiar em suas próprias possibilidades de desenvolvimento físico e emocional.
É comum e esperado, na puérpera, a ocorrência de idéias depressivas e persecutórias,
retraimento, abandono ou hiperatividade, sem chegar ao nível alarmante da psicose puerperal.
É importante permitir que a gestante possa expressar livremente seus temores e ansiedades. Trata-se de um trabalho preventivo, se tiver início junto com o acompanhamento no pré-natal e/ou de suporte ante a crise, no caso da depressão pós-parto já instalada.
Os benefícios dessa atuação precoce e preventiva não se restringem ao bem-estar exclusivo das
mães.
- Tratamento:
O tratamento médico da depressão pós-parto deve envolver, no mínimo, três tipos de cuidados: ginecológico, psiquiátrico e psicológico.
Enfatiza-se a necessidade para o tratamento da depressão pós-parto, não apenas objetivando a
qualidade de vida da mãe mas, sobretudo, prevenindo distúrbios no desenvolvimento do bebê e preservando um bom nível de relacionamento conjugal e familiar.
Psiquiatricamente, o tratamento com antidepressivos tem indicação para os casos em que a depressão está comprometendo a função e o bem estar da mãe.
Atualmente, muitos antidepressivos estão sendo estudados em relação à lactação e os Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) foram os menos presentes no leite materno.
Entre estes, a serotonina e paroxetina parecem as melhores alternativas.
Entre os cuidados psicológicos para as pacientes com depressão pós-parto têm-se destacado com o sucesso a abordagem cognitivo-comportamental, preferencialmente em grupos de terapia.
Conseqüências de falta de tratamento, dividinde-se em precoces e tardias.
As conseqüências precoces incluem: suicídio e/ou infanticídio, negligências na alimentação do bebê, bebê irritável, vômitos do bebê, morte súbita do bebê, machucados “acidentais” no bebê, depressão do cônjugue e divórcio; já as tardias seriam: criança maltratada, desenvolvimento cognitivo inferior, retardo na aquisição da linguagem, distúrbio do comportamento e psicopatologias no futuro adulto.
Desta forma, as repercussões de uma depressão pós-parto são múltiplas. A mulher que está sofrendo da síndrome corre o risco de suicídio, como em qualquer outra situação depressiva; as relações interpessoais são perturbadas; o casal - se for o caso - também sofre,o que pode provocar uma ruptura e, por fim, as interações precoces mãe-bebê são alteradas, comprometendo o prognóstico cognitivo comportamental do bebê.
Enfatizamos o aspecto psicológico relevante durante a gravidez e o pós-parto. Um bebê inaugura a família (dito em outras palavras, um casal só passa a ser uma família quando tem um filho).
Este fator pode trazer muita alegria, afinal, a sociedade, e de forma mais direta a família ,espera manifestações de alegria e satisfação pela maternidade. Evidentemente, não existe uma fórmula para o sucesso desta empreitada que envolve no máximo três famílias - a família de origem da mulher , a do marido e a que está se formando.
Porém, existe amor, atenção, aconchego e compreensão, que podem se transformar numa espécie de continente para a mulher.
Trata-se de apoio. Mas, é evidente que este não é um processo que deva envolver a participação de apenas das pessoas próximas a mulher.
Os profissionais de saúde como Psicólogos e Médicos devem estar atentos e, quando necessário, relatar à família que algo que não está bem com a paciente, e vice versa.