sábado, 31 de outubro de 2009

Não faça do sofrimento, um vício

Maria Luiza Pires, psicoterapeuta, médica e auditora médica da Bradesco Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein, destaca pontos importantes do comportamento que devem ser observados. Confira:

1) Em que momento podemos perceber que a tristeza pela perda “passa dos limites”?
Sofrer é uma realidade que diz respeito a todos nós. A tristeza por uma perda é algo inevitável na vida das pessoas. Perdemos amigos, parentes, e tantas outras coisas que podemos lembrar e enumerar nas nossas vidas. No entanto, apesar do sofrimento fazer parte da condição humana, é preciso ficar atento para o sofrimento evitável, que não necessitaria fazer parte da vida cotidiana. A tristeza ou o sofrimento que “passou dos limites” pode ser evidenciado quando o mesmo causa isolamento social, depressão, pensamentos obsessivo-compulsivos e ansiedade disfuncional (gasta-se muita energia para pouco ou nenhum resultado). No capítulo 3 do nosso livro relatamos alguns casos para exemplificar esta condição.

2) Há alguma predisposição psicológica que favoreça este diagnóstico de depressão?
Sofrer em demasia pode estar camuflado em alguns quadros psicodinâmicos. É importante perceber quando isso acontece para poder encaminhar a pessoa a um especialista / psiquiatra para uma avaliação e receber tratamento medicamentoso se for o caso. Do ponto de vista daqueles viciados em sofrimento, podemos dizer que o adulto sofrente de hoje foi uma criança que se sentiu pouco amada, reprimiu seu desejo de ser cuidada e perpetuou sentimentos de vergonha, inferioridade e inadequação, estruturando uma forma sofrida de viver.

3) O meio em que vivemos, nossas crenças e a maneira como somos educados por nossos pais influencia a percepção e reação sobre as situações adversas?
Hoje vivemos no que chamamos de mundo contemporâneo ou sociedade pós-moderna, que pode ser definida basicamente pelo cientificismo, abandono do ideal de reflexão/contemplação e exaltação do mercado e busca da felicidade individual. Somos influenciados pela ideologia capitalista do consumo e do acúmulo, tanto de bens materiais quanto de informações e novidades tecnológicas: o homem de hoje esta cada vez mais ansioso e desconectado do universo. A competitividade e o materialismo exacerbados, a perda da tradição e a velocidade acelerada em que vivemos conduziram ao individualismo e ao hedonismo. Neste contexto, predominam a inseguranca, a sensação de vazio e a falta de sentido na vida.

4) Qual a melhor orientação para tratamento? As pessoas de convívio comum podem ajudar? Como?
A melhor opção é procurar auxílio especializado na psicoterapia. O processo terapêutico permite a desconstrução de padrões comportamentais e pode ser a chave para um trabalho de conscientização. Obviamente a presença de amigos e a convivência em grupos sociais é importante, porque pode proporcionar o surgimento de novos modelos relacionais e favorecer uma nova sociometria. O apoio da família também é fundamental para evitar o isolamento e a sensação de abandono. Entendemos o ser humano como um ser relacional em que o conhecimento de si e do mundo se apoia no processo de complementariedade e de interdependência com o outro.

Estima-se que no Brasil cerca de 12% dos homens e 20% das mulheres terão algum nível de depressão em alguma fase da vida. Em geral, nos serviços de atendimento primários a incidência de depressão varia de 10% a 15% dos pacientes avaliados. O falso diagnóstico pode ocorrer quando o paciente apresenta sintomas facilmente confundíveis com depressão – caso de uma tristeza profunda por uma perda importante ou estresse.

sábado, 24 de outubro de 2009

Cigarro na Gravidez e Delinqüência Juvenil


Se já não bastassem todos os malefícios físicos e psicológicos trazidos ao recém-nascido e à criança no seu desenvolvimento, temos hoje, o conhecimento, através de vários estudos científicos metodologicamente corretos, que a exposição pré-natal do feto ao tabagismo materno durante a gravidez, está associada a uma maior chance de distúrbios de comportamento e do Transtorno da Hiperatividade com Déficit Atencional ( doença iniciada na infância que tem como principais características a impulsividade, agressividade, falta de atenção e concentração e hiperatividade) na adolescência, principalmente em meninos.

Esses comportamentos, chamados de disruptivos, favorecem a delinquência, a depressão, o suicídio e o uso de drogas entre adolescentes, sem dúvida alguma fatores geradores de culpa em algumas mães, dependendo de suas características de personalidade e relacionais.

Alguns estudos recentes têm examinado os antecedentes maternos de vários meninos pré-púberes com transtornos de conduta. Esses estudos acharam uma frequência maior de tabagismo materno durante a gravidez em 22% dos meninos com déficit atencional contra 8% dos chamados controles normais. Vários outros fatores foram controlados para não causarem distorções nos estudos, como por exemplo, condição sócio-econômica, inteligência dos pais e história parental de transtorno de conduta ou hiperatividade.

Wakschlag e colaboradores, em 1997, chegaram à conclusão que mulheres fumantes de mais da metade de um maço de cigarros por dia, eram mais propensas a terem filhos com distúrbio de conduta. Importante frisarmos que esses autores concluiram ser o tabagismo um fator de risco isolado para o distúrbio de conduta entre os adolescentes.

Pesquisadores da Suécia, em 1998, estudaram 62 crianças com Déficit Atencional e Hiperatividade, comparando-as com crianças normais. Eles acharam que no subgrupo de pré-púberes doentes havia o dobro de mães que tinham fumado durante a gravidez.

Outro estudo realizado por Fergusson e colaboradores, na Nova Zelândia, com 1265 indivíduos com idade variando entre 16-18 anos, concluiu que as crianças expostas à nicotina durante a gestação tinham maior prevalência de uso de drogas, distúrbios de comportamento e depressão.

O mais recente trabalho publicado sobre o tema, em 2005, no British Journal of Psychiatry, pesquisou 723 casais de gêmeos idênticos e 1173 não idênticos. Os pesquisadores associaram diretamente o fumo, durante gravidez, ao transtorno do déficit atencional e hiperatividade. Um outro trabalho de 2005, publicado na revista Pediatrics, também encontrou tal direção. Segundo este trabalho, as futuras mães correm um risco três vezes maior de ter filhos com transtornos de hiperatividade se fumarem durante a gravidez.

Há algumas hipóteses bem conduzidas, entre elas a de que a nicotina atuaria estimulando o sistema motivacional cerebral dopaminérgico (dopamina é uma substância química que comunica as células nervosas entre si) durante uma fase crítica do desenvolvimento cerebral do feto, o que predisporia tardiamente a um risco aumentado do uso de outras drogas na adolescência.

Portanto, embora estudos retrospectivos mereçam uma análise crítica mais rigorosa, a hipótese de que o tabagismo na gravidez predispõe a doenças mentais na infância e adolescência é bem razoável. A única dúvida que nos restaria seria em relação ao período de amamentação. Será que a exposição da criança à nicotina através do leite mateno não é o mais importante nesses efeitos?

De qualquer forma, programas de prevenção do tabagismo materno durante a gravidez devem ser incentivados, na Rede de Saúde Pública, pelos inúmeros malefícios que essa prática pode acarretar ao futuro jovem. Acho extremamente sensibilizador uma mulher ter o conhecimento de que a sua dependência de nicotina pode ser um dos fatores de risco para futuros delinquentes juvenis.

sábado, 3 de outubro de 2009

A Mente apaga registros duplicados - Mendonça (Estado de São Paulo)



O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.

Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio.... você começará a perder a noção do tempo.

Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.

Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: Nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.

Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.

Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.

É quando você se sente mais vivo.

Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas.

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente. Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.

Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.

Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência). Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente.

Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo. Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.

Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -.... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.

Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década. Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA

A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.

Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque). Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos. Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).

Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.

Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.

Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente. Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.

Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes. Seja diferente. Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos.. . em outras palavras... V-I-V-A. !!!

Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.

E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.

Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.

Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é? Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.

E S CR EVA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES
di fE rEn tEs ! CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE... V I V A !!!!!!!!