quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Orfãos Geriatras: o que sentimentos de depressão e solidão podem ocasionar nos idosos.


Assistimos a um progressivo envelhecimento da população, fruto do constante
progresso das ciências em geral e da medicina em particular (principalmente no campo da prevenção), bem como das condições de vida.
Enquanto a Organização Mundial de Saúde há anos se propunha como objetivo aumentar a esperança média de vida, hoje considera como desafio uma melhor qualidade de vida que passa por manter os idosos ativos, preenchendo a sua necessidade existencial(sentido para a vida).
A solidão é completamente contrária ao conceito do "humano". No entanto, a solidão e o abandono entre pessoas idosas são mais comuns do que se pensa, operando no conceito capitalista da sociedade, "o que não serve deixa-se fora".
Da mesma forma, as mudanças físicas e o seu quadro familiar levam-nos a sofrer das maiores depressões e a ser um grupo humano com elevadas taxas de suicídio (Ministério da Saúde, 2004).
Envelhecer é uma parte importante de todas as sociedades humanas, pois reflete não só mudanças biológicas, mas também sociais e culturais, por isso, urge estudar melhor esta idade para melhor a compreender e dar resposta às suas necessidades .
Relativamente aos sentimentos de solidão, confirmou-se, através de pesquisas, a existência de diferenças significativas em termos estatísticos para: estado civil , sendo que os solteiros e divorciados assumem níveis mais elevados de solidão do que os casados; ao nível da percepção pessoal de preocupação familiar e dos amigos bem como na recepção de visitas dos amigos, os idosos que têm menos contato e percepção de preocupação dos amigos e familiares, apresentam mais sentimentos de solidão.
No que concerne aos níveis de depressão, observam-se diferenças estatisticamente significativas: na ocupação de tempos-livres “leitura”: quem ler apresenta níveis inferiores de depressão relativamente aqueles que não lêem.
Os idosos que se preocupam com seus amigos apresentam menores índices de depressão.
A maioria dos idosos resiste à ideia de deixar a sua casa, mesmo face a uma realidade de declínio físico e incapacidade para viver de forma independente, sendo sentida como uma perda de identidade, é o seu espaço que fica para trás .
Quando se avalia os sentimentos de solidão experiênciados pelos idosos institucionalizados em relação com os dos idosos não institucionalizados constata- se que os valores encontrados permitem inferir que os sentimentos de solidão variam significativamente em função do contexto habitacional do idoso; foram os idosos que viviam em Instituições que apresentaram mais sentimentos de solidão.
Os idosos parecem “suportar” melhor as condições de vida próprias do envelhecimento quando têm junto de si pessoas afetivamente significativas.
No entanto muitas vezes são deixados ao isolamento, quer por familiares, quer por amigos e isso reflete nos seus elevados sentimentos de solidão.
Nos idosos os distúrbios psíquicos de maior incidência são as síndromes depressiva e demencial.

 Comparando níveis de depressão de idosos institucionalizados relativamente com os não institucionalizados, observa-se que a depressão varia em função do contexto habitacional do idoso. Foram os idosos que vivem em Instituições quem apresentou níveis de depressão superiores.
O estado civil sugere que a pessoa partilha, ou não, a sua vida com um companheiro,pois, as pessoas que mantêm intimidade com um “confidente” serão,em regra, capazes de suportar melhor as privações a que estão sujeitas, durante o envelhecimento. Ao nível do estado civil, os idosos solteiros e divorciados apresentaram mais sentimentos de solidão.
As perdas suscitam nas pessoas idosas depressão,ansiedade, reações psicossomáticas, afastamento e descompromisso. 
O fato de se viver sozinho aumenta a prevalência de solidão na população idosa .
Para alguns dos autores, a perda do cônjuge, de um amigo, familiar ou colega, pode provocar ansiedade na medida em que o idoso pode prever que a sua morte também se avizinha.
Os idosos que viviam sozinhos apresentam mais sentimentos de solidão do que aqueles que vivem acompanhados. Tanto o estado civil como a companhia com quem vivem os idosos pareceu mostrar-se muito importantes na definição de quadros de isolamento social e solidão.
Quando envelhecemos, perdemos parte do fulgor corporal e dominam as queixas dolorosas. No que diz respeito aos sentimentos de solidão em concreto, A perda de familiares ou do seu afeto proporciona maiores níveis de isolamento e solidão.
Para além da família, também os amigos proporcionam um elevado conforto social. A escolha dos amigos, a integração numa rede de apoio e a socialização são medidas válidas para controlar o ambiente e manter um ótimo estado de saúde.
Os amigos estimulam os idosos a tomarem conta da sua saúde, atenuando sentimentos de depressão e ansiedade nos momentos difíceis. 
Idosos que referem mais contato com amigos apresentaram menos sentimentos de solidão. Com relação aos elos de amizade, a situação é diferente da familiar: tanto a percepção de preocupação por parte dos amigos, como o próprio contato com eles, através de visitas influenciam substancialmente os sentimentos de solidão dos idosos. Os amigos parecem assumir uma cumplicidade geracional (em termos de código de valores, dificuldades, receios e dúvidas) além de proporcionar uma sensação de juventude e independência da família tradicionalmente cuidadora.
A solidão nos idosos demonstra atitudes sociais diante da morte e do morrer, pelo que ter muitos amigos funcionaria como um escape ao pensamento na morte. Uma discussão mais aberta e clara sobre a morte, para a sua desmistificação seria a melhor atitude do que o ocultamento e o silêncio em torno do tema. Por outro lado, o grupo de amigos é escolhido por cada um de nós e a família é-nos atribuída podendo, ou não, corresponder às nossas expectativas e carências.
O processo de envelhecimento é usualmente caracterizado em termos do estreitamento do círculo de relações significativas, o que faz com que os idosos tenham cerca de metade das relações que tinham no início da vida adulta. A depressão nos idosos também varia em função da percepção de preocupação dos amigos, os idosos que apresentam uma percepção de maior preocupação dos amigos, os que apresentam menos depressão.
A auto-suficiência no cuidado de si próprio e em atividades afins, executadas no contexto do domicílio, a outras que impliquem deslocação (com ou sem transportes) é muito importante para o idoso. Só a atividade física e mental pode combater o acelerar do processo de senescência do idoso.
Estudos mostram que à medida que as pessoas envelhecem tendem a perder hábitos de leitura ou a lerem fundamentalmente artigos pouco exigentes a nível intelectual. A mesma autora refere que no envelhecimento ativo existem três áreas a ter em consideração: a biológica, intelectual e emocional e que ao nível emocional, a motivação assume uma preponderância extrema.
Por sua vez, por detrás dos problemas de motivação estão muitas vezes problemas emocionais do tipo depressivo ou ansioso.
A depressão gera sérias dificuldades para manter a motivação, e a ansiedade leva à fuga e ao desinteresse precipitado.
Dentre uma lista de ocupações de tempos livres, a leitura apresenta-se como um bom passatempo, os idosos que liam mais apresentam menos depressão. É importante motivar os nossos idosos a ler e a estimular as suas capacidades cognitivas, com o ganho de poderem diminuir sentimentos depressivos.Não obstante, a depressão geriátrica é pouco reconhecida.
Ocorre frequentemente na presença de condições médicas gerais ou doenças neurológicas, cujas manifestações são similares a sintomas depressivos (por exemplo, falta de energia, fadiga, cansaço, diminuição da libido).
Os idosos ainda obscurecem o diagnóstico quando não evidenciam o sintoma de humor deprimido ou tristeza e enfatizam irritabilidade, ansiedade, dificuldades cognitivas e sintomas somáticos.
O diagnóstico diferencial envolve as perturbações do humor, a reação
de ajustamento com humor depressivo e o luto. Pelo que antecedentes familiares ou pessoais de depressão devem ser sintomas ou manifestações a que devemos estar atentos.
Quando nos referimos à existência de sintomas depressivos anteriores aos 65 anos, algumas pesquisas registraram diferenças estatisticamente significativas na sintomatologia depressiva após esta idade.
Os idosos com histórico depressivo anterior aos 65 anos podem apresentar maior propensão a contrair sintomatologia depressiva na terceira idade, o que é reconhecido como um fator de risco para depressões reincidentes.

4 comentários:

Maria disse...

Menina... quase um livre...
Muito esclarecedor.
Um abraço

Edimar Suely disse...

Olá,

Maravilhosa sua postagem. Amei seu espaço e voltarei outras vezes.

Desejo uma linda quinta feira e muita paz.

Smack!

Edimar Suely
jesusminharocha.blig.ig.com.br

Socorro Costa disse...

Amei o artgo sobre orfãos geriatras. Colei no meu blog com sua referência de colagem... Gosto muito do seu blog.
abs

Mizé disse...

Olá. Tenho vindo visitar o seu blog, mas raramente comento. Gosto muito dos seus artigos, actuais e informativos.
A Geriatria é uma área em que, a meu ver, se tem investido pouco. Portugal não é excepção.
Li um livro bastante interessante acerca do envelhecimento chamado "Psicologia do Envelhecimento", Ano: 2000; autor:Roger Fontaine; Editora: Climepsi. Valeu a pena, por isso deixo a referência em caso de não conhecer.
Até breve. Mizé.