sexta-feira, 29 de agosto de 2008

TDAH - Transtorno do Deficit de Atenção


Transcrevo fragmentos da palestra que ministrei no Colégio Anglo, acreditando que a hiperatidade é um assunto pouco discutido mas muito importante para pais e professores que lidam constantemente com crianças que apresentam esse tipo de transtorno.
O TDAH é um distúrbio neurobiológico que se caracteriza pela alteração da atenção,impulsividade e hiperatividade,tem início na infância e atinge entre 3 à 6 % de todas as crianças em idade escolar.
Os principais sintomas são: dificuldade de manter atenção ou focalizar numa tarefa por muito tempo, extrema agitação e impulsividade.
Pesquisas revelam diferenças significativas na estrutura e funcionamento do cerébro dos portadores de TDAH, principalmente no hemisfério direito do cérebro, no córtex pré-frontal.Embora se fale que ahá maior probabilidade em crianças com mães que abusaram de fumo e álcool na gravidez, está claro que o fator mais importante é a hereditariedade.
Esse transtorno atinge todos os aspectos da vida de uma pessoa:
* Pessoal:Sentimentos de frustração e baixa auto-estima, em função das dificuldades encontradas para desempenhar corretamente as mais diversas atividades.

* Escolar: Dificuldade de aprendizagem, levando a baixo rendimento escolar, repetencia e consequentemente abandono nos estudos.

* Social:Problemas de relacionamento, devido a falta de atenção nas pequenas coisas, falta de "tato", sempre falando muito ou se metendo e interrompendo, incapacidade de acompanhar a dos grupos.

*Profissional:Afalta de organização, a dificuldade de manter o nível de atenção e a persistencia no trabalho, a inquietação e a busca de estímulos variados fazem com que adultos não consigam alcançar boa posição profissional.

O TDAH não desaparece com a idade, há apenas uma modificação na sintomatologia, por exemplo, a hiperatividade tão explícita na criança, aparece no adulto como forma de inquietação interna, um desejo constante de mudanças ou de estímulos cada vez maiores.
Para o tratamento é necessário um procedimento multidisciplinar onde envolva profissionais da área de saúde, pais e educadores.
O aluno com TDAH é criativo, inteligente, multitalentoso, e deseja agradar os adultos que os rodeiam mas é resistente a mudança de ambiente, é pouco tolerante a atividades repetitivas e longas, quando necessita de medicação ara conter o estado de ansiedade, geralmente é ministrado fluoxetina,que inibe a serotonina.
O importante, é não estigmatizar a criança, com adjetivos que não se aplicam ao transtorno, como por exemplo: doença mental, loucura, falta de inteligência, defeito de caráter, preguiça e falta de vontade.
O importante é está pronto a acolher a criança, ouvir o que ela tem a dizer sobre seu comportamento e intolerância para às atividades, ouvir a versão dela quando agride um coleguinha ou faz bagunça na sala.
Conversar com os pais, procurar ajuda psicológica, trazer novos estímulos que prendam sua atenção na sala de aula, como por exemplo: colocar a criança para colaborar com a professora na hora da leitura, mostrando as figuras para a classe, etc...
Mostrar para a criança que ela pode desenvolver métodos que facilitem seus estudos , como por exemplo, se esquece de fazer as tarefas escolares de casa, usar uma agenda onde anote tudo que precisa ser feito, e aprender a consultá-la todos os dias quando voltar da escola, pois aí lembrará das tarefas à fazer.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Orfãos Geriatras: o que sentimentos de depressão e solidão podem ocasionar nos idosos.


Assistimos a um progressivo envelhecimento da população, fruto do constante
progresso das ciências em geral e da medicina em particular (principalmente no campo da prevenção), bem como das condições de vida.
Enquanto a Organização Mundial de Saúde há anos se propunha como objetivo aumentar a esperança média de vida, hoje considera como desafio uma melhor qualidade de vida que passa por manter os idosos ativos, preenchendo a sua necessidade existencial(sentido para a vida).
A solidão é completamente contrária ao conceito do "humano". No entanto, a solidão e o abandono entre pessoas idosas são mais comuns do que se pensa, operando no conceito capitalista da sociedade, "o que não serve deixa-se fora".
Da mesma forma, as mudanças físicas e o seu quadro familiar levam-nos a sofrer das maiores depressões e a ser um grupo humano com elevadas taxas de suicídio (Ministério da Saúde, 2004).
Envelhecer é uma parte importante de todas as sociedades humanas, pois reflete não só mudanças biológicas, mas também sociais e culturais, por isso, urge estudar melhor esta idade para melhor a compreender e dar resposta às suas necessidades .
Relativamente aos sentimentos de solidão, confirmou-se, através de pesquisas, a existência de diferenças significativas em termos estatísticos para: estado civil , sendo que os solteiros e divorciados assumem níveis mais elevados de solidão do que os casados; ao nível da percepção pessoal de preocupação familiar e dos amigos bem como na recepção de visitas dos amigos, os idosos que têm menos contato e percepção de preocupação dos amigos e familiares, apresentam mais sentimentos de solidão.
No que concerne aos níveis de depressão, observam-se diferenças estatisticamente significativas: na ocupação de tempos-livres “leitura”: quem ler apresenta níveis inferiores de depressão relativamente aqueles que não lêem.
Os idosos que se preocupam com seus amigos apresentam menores índices de depressão.
A maioria dos idosos resiste à ideia de deixar a sua casa, mesmo face a uma realidade de declínio físico e incapacidade para viver de forma independente, sendo sentida como uma perda de identidade, é o seu espaço que fica para trás .
Quando se avalia os sentimentos de solidão experiênciados pelos idosos institucionalizados em relação com os dos idosos não institucionalizados constata- se que os valores encontrados permitem inferir que os sentimentos de solidão variam significativamente em função do contexto habitacional do idoso; foram os idosos que viviam em Instituições que apresentaram mais sentimentos de solidão.
Os idosos parecem “suportar” melhor as condições de vida próprias do envelhecimento quando têm junto de si pessoas afetivamente significativas.
No entanto muitas vezes são deixados ao isolamento, quer por familiares, quer por amigos e isso reflete nos seus elevados sentimentos de solidão.
Nos idosos os distúrbios psíquicos de maior incidência são as síndromes depressiva e demencial.

 Comparando níveis de depressão de idosos institucionalizados relativamente com os não institucionalizados, observa-se que a depressão varia em função do contexto habitacional do idoso. Foram os idosos que vivem em Instituições quem apresentou níveis de depressão superiores.
O estado civil sugere que a pessoa partilha, ou não, a sua vida com um companheiro,pois, as pessoas que mantêm intimidade com um “confidente” serão,em regra, capazes de suportar melhor as privações a que estão sujeitas, durante o envelhecimento. Ao nível do estado civil, os idosos solteiros e divorciados apresentaram mais sentimentos de solidão.
As perdas suscitam nas pessoas idosas depressão,ansiedade, reações psicossomáticas, afastamento e descompromisso. 
O fato de se viver sozinho aumenta a prevalência de solidão na população idosa .
Para alguns dos autores, a perda do cônjuge, de um amigo, familiar ou colega, pode provocar ansiedade na medida em que o idoso pode prever que a sua morte também se avizinha.
Os idosos que viviam sozinhos apresentam mais sentimentos de solidão do que aqueles que vivem acompanhados. Tanto o estado civil como a companhia com quem vivem os idosos pareceu mostrar-se muito importantes na definição de quadros de isolamento social e solidão.
Quando envelhecemos, perdemos parte do fulgor corporal e dominam as queixas dolorosas. No que diz respeito aos sentimentos de solidão em concreto, A perda de familiares ou do seu afeto proporciona maiores níveis de isolamento e solidão.
Para além da família, também os amigos proporcionam um elevado conforto social. A escolha dos amigos, a integração numa rede de apoio e a socialização são medidas válidas para controlar o ambiente e manter um ótimo estado de saúde.
Os amigos estimulam os idosos a tomarem conta da sua saúde, atenuando sentimentos de depressão e ansiedade nos momentos difíceis. 
Idosos que referem mais contato com amigos apresentaram menos sentimentos de solidão. Com relação aos elos de amizade, a situação é diferente da familiar: tanto a percepção de preocupação por parte dos amigos, como o próprio contato com eles, através de visitas influenciam substancialmente os sentimentos de solidão dos idosos. Os amigos parecem assumir uma cumplicidade geracional (em termos de código de valores, dificuldades, receios e dúvidas) além de proporcionar uma sensação de juventude e independência da família tradicionalmente cuidadora.
A solidão nos idosos demonstra atitudes sociais diante da morte e do morrer, pelo que ter muitos amigos funcionaria como um escape ao pensamento na morte. Uma discussão mais aberta e clara sobre a morte, para a sua desmistificação seria a melhor atitude do que o ocultamento e o silêncio em torno do tema. Por outro lado, o grupo de amigos é escolhido por cada um de nós e a família é-nos atribuída podendo, ou não, corresponder às nossas expectativas e carências.
O processo de envelhecimento é usualmente caracterizado em termos do estreitamento do círculo de relações significativas, o que faz com que os idosos tenham cerca de metade das relações que tinham no início da vida adulta. A depressão nos idosos também varia em função da percepção de preocupação dos amigos, os idosos que apresentam uma percepção de maior preocupação dos amigos, os que apresentam menos depressão.
A auto-suficiência no cuidado de si próprio e em atividades afins, executadas no contexto do domicílio, a outras que impliquem deslocação (com ou sem transportes) é muito importante para o idoso. Só a atividade física e mental pode combater o acelerar do processo de senescência do idoso.
Estudos mostram que à medida que as pessoas envelhecem tendem a perder hábitos de leitura ou a lerem fundamentalmente artigos pouco exigentes a nível intelectual. A mesma autora refere que no envelhecimento ativo existem três áreas a ter em consideração: a biológica, intelectual e emocional e que ao nível emocional, a motivação assume uma preponderância extrema.
Por sua vez, por detrás dos problemas de motivação estão muitas vezes problemas emocionais do tipo depressivo ou ansioso.
A depressão gera sérias dificuldades para manter a motivação, e a ansiedade leva à fuga e ao desinteresse precipitado.
Dentre uma lista de ocupações de tempos livres, a leitura apresenta-se como um bom passatempo, os idosos que liam mais apresentam menos depressão. É importante motivar os nossos idosos a ler e a estimular as suas capacidades cognitivas, com o ganho de poderem diminuir sentimentos depressivos.Não obstante, a depressão geriátrica é pouco reconhecida.
Ocorre frequentemente na presença de condições médicas gerais ou doenças neurológicas, cujas manifestações são similares a sintomas depressivos (por exemplo, falta de energia, fadiga, cansaço, diminuição da libido).
Os idosos ainda obscurecem o diagnóstico quando não evidenciam o sintoma de humor deprimido ou tristeza e enfatizam irritabilidade, ansiedade, dificuldades cognitivas e sintomas somáticos.
O diagnóstico diferencial envolve as perturbações do humor, a reação
de ajustamento com humor depressivo e o luto. Pelo que antecedentes familiares ou pessoais de depressão devem ser sintomas ou manifestações a que devemos estar atentos.
Quando nos referimos à existência de sintomas depressivos anteriores aos 65 anos, algumas pesquisas registraram diferenças estatisticamente significativas na sintomatologia depressiva após esta idade.
Os idosos com histórico depressivo anterior aos 65 anos podem apresentar maior propensão a contrair sintomatologia depressiva na terceira idade, o que é reconhecido como um fator de risco para depressões reincidentes.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Sobre limites em nossas vidas


Estou clinicando, e tanto no consultório como no posto de saúde, atendo muitas pessoas com uma queixa, um problema em suas vidas: o Limite.
São casos tão interessantes que resolvi falar de limite nesta semana. Casos em que a mãe queixa-se que só falta apanhar do filho em casa, que não sabe mais o que fazer, pois a criança(que as vezes nem é tão criança assim), faz o que tem vontade e não obedece a ninguém, se transformando em um tirano no lar.
Mulheres que não conseguem dizer não aos seus maridos, e devido a essa conduta, cedem o que podem e o que não podem.
O que precisamos para dar limites a pessoas, para dizer não de vez em quando, o que falta?
O limite é a forma que temos para que não sejamos invadidos pelo outro, aceitarmos o que na verdade não queríamos, fazer o que não desejamos.
É abolir a vontade própria, é anular-se em benefício do outro que na maioria das vezes nem é tão solícito assim.
E o que fazer, onde encontrar dentro de nós essa capacidade de nos preservarmos e sermos donos de nossa vontade, é difícil, existe o medo de fazer o outro se aborrecer e não mais sentir afeto por nós, então temos apenas que ceder, mas na verdade, quando nos colocamos, mostramos um afeto principal, o afeto por nós mesmos.
Quando se trata de filhos, percebo uma grande dificuldade dos pais em dizerem não, a criança se transforma no dono da casa, come se quiser e o que quer, não faz as tarefas escolares, é alvo de reclamações na escola, e os pais levam ao consultório apavorados, sem saber como agir e quando falamos do limite, é como se soltássemos uma bomba, eles olham para os filhos e dizem: "Tá vendo o que a doutora está dizendo, é para você me obedecer". E aí, muitas vezes é tarde demais, os pais procuram a escola para dar educação doméstica, e o psicólogo para dar a noção de algumas regras básicas para uma convivência saudável entre pais e filhos.
Sentem-se culpados com alguns "nãos", que devem fazer parte da educação, e depois dessa omissão descobrem, após algum tempo que é tarde demais para impor o respeito necessário.
Quanto as esposas, namoradas, o limite ao companheiro parece ser uma missão impossível, elas cedem todo o tempo e chegam ao consultório, chorosas, acreditando que só há duas saídas , ou continuam se omitindo e sofrendo , pois não tem vida própria, ou se separam. Muitas vezes a solução não é tão drástica assim, basta a coragem de ter uma conversa franca com o companheiro, que muitas vezes nem sabe o quanto a companheira sofre, e colocar alguns pontos que apesar de óbvios, não são discutidos, como por exemplo, a questão da atividade sexual do casal, como a maioria tem vergonha de tocar nesse assunto,ele passa batido, corroendo o coração das esposas e amantes. Outro ponto é a criação dos filhos, a mulher dar uma orientação ao filho e o pai outra, desautorizando a genitora.E por aí vai...
Limite é importante, pois se não verbalizarmos o que queremos, o que sentirmos, ou mesmo estando óbvio, o outro não percebe (ou faz e conta que não percebe), ninguém vai nos ouvir, e principalmente nos respeitar. E somos dignos de respeito em qualquer lugar, em casa, no trabalho,com os amigos, em muitas ocasiões precisamos nos impor ao outro de forma a fazer nossos direitos.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Sindrome do Pânico, sintomas e tratamento


Tenho me deparado com situações que me fizeram pesquisar sobre a síndrome do pânico, percebo que é mais comum do que pensei e por isso resolvi escrever sobre ela.
Quais os sintomas físicos de uma crise de pânico?
Os sintomas físicos de uma crise de pânico aparecem subitamente, sem nenhuma causa aparente (apesar de existir, mas fica difícil de se perceber). Os sintomas são como uma preparação do corpo para alguma "coisa terrível". A reação natural é acionar os mecanismos de fuga. Diante do perigo, o organismo trata de aumentar a irrigação de sangue no cérebro e nos membros usados para fugir - em detrimento de outras partes do corpo, incluindo os órgãos sexuais.
Eles podem incluir :
+ Contração / tensão muscular, rijeza
+ Palpitações (o coração dispara)
+ Tontura, atordoamento, náusea
+ Dificuldade de respirar (boca seca)
+ Calafrios ou ondas de calor, sudorese
+ Sensação de "estar sonhando" ou distorções de percepção da realidade
+ Terror - sensação de que algo inimaginavelmente horrível está prestes aacontecer e de que se está impotente para evitar tal acontecimento
+ Confusão, pensamento rápido
+ Medo de perder o controle, fazer algo embaraçoso
+ Medo de morrer
+ Vertigens ou sensação de debilidade

Uma crise de pânico dura vários minutos e é uma das situações mais angustiantes que podem ocorrer a alguém. A maioria das pessoas que tem uma crise terá outras (se não tratar). Quando alguém tem crises repetidas ou sente muito ansioso, com medo de ter outra crise, diz-se que tem transtorno do pânico.


O que é o transtorno do pânico?
Transtorno do pânico é um problema sério de saúde. Este distúrbio é nitidamente diferente de outros tipos de ansiedade, caracterizando-se por crises súbitas, sem fatores desencadeantes aparentes e, frequentemente, incapacitantes.
Depois de ter uma crise de pânico - por exemplo, enquanto dirige, fazendo compras em uma loja lotada ou dentro de um elevador - a pessoa pode desenvolver medos irracionais (chamados fobias) destas situações e começar a evitá-las.
Gradativamente o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise podem atingir proporções tais, que a pessoa com o transtorno do pânico pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo pôr o pé fora de casa.
Neste estágio, diz-se que a pessoa tem transtorno do pânico com agorafobia. Desta forma, o distúrbio do pânico pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana de uma pessoa como outras doenças mais graves - a menos que ela receba tratamento eficaz e seja compreendida pelos demais.

O que causa o transtorno do pânico? Por que ele ocorre?
De acordo com uma das teorias, o sistema de "alerta" normal do organismo - o conjunto de mecanismos físicos e mentais que permite que uma pessoa reaja a uma ameaça - tende a ser desencadeado desnecessariamente na crise de pânico, sem haver perigo iminente.
Algumas pessoas são mais suscetíveis ao problema do que outras. Constatou-se que o T.P. ocorre com maior frequência em algumas famílias, e isto pode significar que há uma participação importante de um fator hereditário (genético) na determinação de quem desenvolverá o transtorno.
Entretanto, muitas pessoas que desenvolvem este transtorno não tem nenhum antecedente familiar.
O cérebro produz substâncias chamadas neurotransmissores que são responsáveis pela comunicação que ocorre entre os neurônios (células do sistema nervoso).
Estas comunicações formam mensagens que irão determinar a execução de todas as atividades físicas e mentais de nosso organismo (ex: andar, pensar, memorizar, etc).
Um desequilíbrio na produção destes neurotransmissores pode levar algumas partes do cérebro a transmitir informações e comandos incorretos. Isto é exatamente o que ocorre em uma crise de pânico: existe uma informação incorreta alertando e preparando o organismo para uma ameaça ou perigo que na realidade não existe.
É como se tivéssemos um despertador que passa a tocar o alarme em horas totalmente inapropriadas.
No caso do Transtorno do Pânico os neurotransmissores que encontram-se em desequilíbrio são: a serotonina e a noradrenalina.
O transtorno do pânico é um problema sério?
O T.P. já é considerado um problema sério de saúde. Atualmente 2 a 4% da população mundial sofre deste mal, que acomete mais mulheres do que homens em uma proporção de 3 para 1.
Há muito que o T.P. deixou de ser um diagnóstico de exclusão. Hoje, mais do que nunca, há necessidade de um diagnóstico de certeza para tal entidade clínica.
As pessoas que sofrem deste mal costumam fazer uma verdadeira "via-crucis" a diversos especialistas médicos, e após uma quantidade exagerada de exames complementares recebem, muitas vezes, o patético diagnóstico do "nada", o que aumenta sua insegurança e seu desespero.
Por vezes esta situação dramática é reduzida a termos evasivos como: estafa, nervosismo, stress, fraqueza emocional ou problema de cabeça. Isto pode criar uma incorreta impressão de que não há um problema de fato e de que não existe tratamento para tal patologia.
O T.P. é real e potencialmente incapacitante, mas pode ser controlado com tratamentos específicos. Por causa dos seus sintomas desagradáveis, ele pode ser confundido com uma doença cardíaca ou outra doença grave.
Frequentemente as pessoas procuram um pronto-socorro quando têm a crise de pânico e podem passar desnecessariamente por extensos exames médicos para excluir outras doenças.
Os médicos em geral tentam confortar o paciente em crise de pânico, fazendo-o entender que não está em perigo. Mas estas tentativas podem às vezes piorar as dificuldades do paciente: se o médico usar expressões como "não é nada grave", "é um problema de cabeça" ou "não há nada para se preocupar", isto pode produzir uma impressão incorreta de que não há problema real e de que não existe tratamento ou de que este não é necessário, conforme já comentado.

Qual é a população atingida?
As pessoas que tem o T.P., em sua maioria, são pessoas jovens (faixa etária de 21 a 40 anos), que encontram-se na plenitude de suas vidas profissionais.
O perfil da personalidade das pessoas que sofrem do T.P., costuma apresentar aspectos em comum: geralmente são pessoas extremamente produtivas à nível profissional, costumam assumir uma carga excessiva de responsabilidades e afazeres, são bastantes exigentes consigo mesmos, não convivem bem com erros ou imprevistos, têm tendência a se preocuparem excessivamente com problemas cotidianos, alto nível de criatividade, perfecionismo, excessiva necessidade de estar no controle e de aprovação, auto-expectativas extremamente altas, pensamento rígido, competente e confiável, repressão de alguns ou todos os sentimentos negativos (os mais comuns são, o orgulho e a irritação), tendência a ignorar as necessidades físicas do corpo, entre outras.
Essa forma de ser acaba por predispor estas pessoas a situações de stress acentuado, fato este que pode levar ao aumento intenso da atividade de determinadas regiões do cérebro desencadeando assim um desequilíbrio bioquímico e consequentemente o aparecimento do T.P.
Vale ressaltar ainda que alguns medicamentos como anfetaminas (usados em dietas de emagrecimento) ou drogas (cocaína, maconha, crack, ecstasy, etc), podem aumentar a atividade e o medo promovendo alterações químicas que podem levar ao T.P.


Existe tratamento para este problema?
Existe uma variedade de tratamentos para o T.P.. O mais importante neste aspecto é que se introduza um tratamento que vise restabelecer o equilíbrio bioquímico cerebral numa primeira etapa. Isto pode ser feito através de medicamentos seguros e que não produzam risco de dependência física dos pacientes.

Numa segunda etapa prepara-se o paciente para que ele possa enfrentar seus limites e as adversidades vitais de uma maneira menos estressante. Em última análise, trata-se de estabelecer junto com o paciente uma nova forma de viver onde se priorize a busca de uma harmonia e equilíbrio pessoal. Uma abordagem psicoterápica específica deverá ser realizada com esse objetivo.
O sucesso do tratamento está diretamente ligado ao engajamento do paciente com o mesmo. É importante que a pessoa que sofre de T.P. entenda todas as peculiaridades que envolvem este mal e que queira fazer uma boa "aliança terapêutica" com seu médico no sentido de juntos superarem todas as adversidades que poderão surgir na busca do seu equilíbrio pessoal.
Para as pessoas que não tem, e para as que possam vir a conviver com o problema:
O T.P. não é loucura, nem "frescura". Infelizmente é comum que os distúrbios psíquicos sejam interpretados como simples fraqueza de caráter.
O melhor jeito para conviver com uma pessoa que passou pelo T.P., É compreender pelo que a pessoa passa; fazendo com que essa pessoa saiba que você entende o que se passa com ela, isso irá tranquilizá-la, trazendo bem-estar, pois é bem difícil se ter um "ataque", perante uma pessoa ou ambiente que conheça o problema, junto com um "tratamento", preferencialmente, tratado por um psiquiatra.
Pois os que sofrem com o transtorno do pânico são ótimas companhias, devido a sua sensibilidade apurada, pois uma experiência ruim algumas vezes frutifica em crescimento interior. E sempre mantenha essa pessoa normalmente convivendo com suas atividades, percebendo as suas limitações e não "forçando nenhuma barra". Aos poucos a vida volta a normalidade.
O Transtorno do Pânico é comum, pode ser claramente definido, diagnosticado e tratado;
O conhecimento obtido através da pesquisa está resultando num aperfeiçoamento da diagnose,tratamento e qualidade de vida das pessoas que sofrem do distúrbio do pânico;
Preparação profissional: Com o aumento da informação, tornando as pessoas cientes do distúrbio, assim médicos e profissionais de saúde mental, devem se preparar para o diagnosticar e/ou tratar do distúrbio do pânico.