sexta-feira, 19 de junho de 2015

Como falar sobre drogas com crianças



Meninos e meninas são pessoas em pleno desenvolvimento social, físico e psicológico.
Além do consumo de álcool e outras drogas ser prejudicial para o desenvolvimento das crianças e adolescentes, outros aspectos da drogadição podem envolvê-los. Exemplo disso é o recrutamento para trabalhar no tráfico de drogas.

Dados divulgados em 2002 pelo I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas mostram que 52,2 % dos adolescentes do sexo masculino já usaram álcool e outras drogas na vida. No caso das meninas com idade entre 12 e 17 anos a porcentagem é de 44,7%.

O Levantamento também apontou que o tabaco é a substância mais consumida pelos homens (46,2 %) e pelas mulheres (36,3%). Quanto à maconha, 10,6% dos homens e 3,4 % das mulheres admitem já ter feito uso.

As substâncias ilícitas mais comuns são as voláteis (cola de sapateiro, refil de isqueiro e lança-perfumes), maconha e cocaína. As voláteis assim como as legais são mais consumidas devido ao seu fácil acesso e baixo custo.

O uso destas drogas pode provocar dificuldades na concentração algo prejudicial para os adolescentes e para as crianças que estão em idade escolar. Entre os problemas físicos, estão as lesões nos pulmões e no sistema nervoso central. Elas ainda podem causar alguns efeitos psicológicos como depressão, alterações no humor e ansiedade excessiva.

A agressividade, irritabilidade e queda no rendimento escolar podem ser os primeiros sinais do uso de drogas por meninos e meninas. O papel da família para evitar o problema é fundamental e deve ser por meio de muita conversa. Desta forma, as crianças e os adolescentes conhecerão os perigos que a dependência química pode trazer. Entretanto, se o caso for grave podem ser necessários acompanhamento de um especialista ou até internações.

Para enfrentar o problema da dependência química, o Estado  faz programas voltados para prevenção e combate do consumo de drogas. Além disso, a sociedade pode participar de  estratégias de enfrentamento.

O que diz a Lei?

De acordo com a Constituição Federal, é dever do Estado preservar a ordem pública e deixar intactas as pessoas e o patrimônio através de órgãos, como a Polícia Federal, que possui a responsabilidade de “prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência” (art. 144).

O Estatuto da Criança e do Adolescente, lei 8.069/90, determina que é proibida a venda à criança ou ao adolescente de “bebidas alcoólicas e produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda que por utilização indevida” (art. 81). A punição para aqueles que vendam, forneçam ainda que gratuitamente, ministrem ou entreguem, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, é de “detenção de dois a quatro anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave” (art. 243).

A Lei Nº 11.343 institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas – Sisnad, que tem a finalidade de “articular, integrar, organizar e coordenar as atividades relacionadas com a prevenção do uso indevido, a atenção e a reinserção social de usuários e dependentes de drogas e a repressão da produção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas” (art. 3).

Com quem falar sobre isso?

Procure um psicólogo e um pediatra para saber sobre os problemas psicológicos e biológicos que a droga causa no adolescente e na criança que a consome.

Fale com o secretário de Saúde ou de Educação do município para saber quais programas são voltados para o combate e prevenção da dependência química. Descubra se existe algum centro que interne e trate os dependentes químicos.

Os Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), COMAD e os conselhos tutelares acompanham alguns casos de uso de drogas entre meninos e meninas. Visite esses locais e converse com os profissionais que lá atuam para obter dados e conhecer a condição social que envolve a dependência.

As polícias militar, civil e federal são importantes fontes para a questão do tráfico de drogas.
 Especialistas concordam que a prevenção é (ainda mais em relação ao crack) praticamente a única forma de evitar que a droga se torne um problema mais à frente. Crianças pequenas precisam receber informações de forma mais lúdica, com teatro, fantoches ou historinhas. Acima dos dez anos, as crianças já têm algum discernimento para papos mais sérios. Para abordar o tema, os pais podem perguntar o que o filho acha do assunto. Se ouvir palavras positivas ou de brincadeira, pode rebater, dizendo que não é bem assim. “Falar a verdade é essencial”. Se a criança perguntar se o pai já usou drogas, ele tem que ser sincero e falar de drogas lícitas e ilícitas. Outro ponto importante: o pai tem de pensar bem ao escolher um filme, livro ou site para abordar o tema com os filhos.

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