sábado, 5 de abril de 2008

Adoção de crianças: O caminho do amor


Muitos pais entregam seus filhos para adoção pois são impossibilitados de assumirem uma criança, ou simplesmente não desejam esse filho.
No processo de adoção existem três partes envolvidas: pais biológicos ou a instituição intermediária, os pais adotivos e a criança.
A ideia de adotar um filho tem suas origens no ajustamento emocional que envolvem instância profundas de sentimento, e abrange três aspectos complementares: a realidade biológica, a realidade social e a realidade psicológica.Entendemos ser a primeira a via natural por onde nasce a criança,pela segunda, como ela interagirá na sociedade (se será acolhida ou não),e por fim a realidade psicológica que seria relacionada a aspectos conscientes e inconscientes de seu estar no mundo.
Quanto aos pais, o principal motivo para a adoção é a infertilidade, sendo os sentimentos mais frequentes nesses casos: a frustração, o sentimento de inferioridade, de incompletude,culpa,dúvida sobre a feminilidade ou masculinidade e descontinuidade genealógica, estando a maioria destes fatores originados também na cultura.
A sociedade, por sua vez, cria preconceitos sobre as pessoas que não exercem a função ma terna e paterna biologicamente, cobram delas um filho para darem continuidade a sua linhagem, e tendem a ver o adotado como um " filho que não é de verdade"," filho de criação".
O principal motivo para a resistência em adotar, consistem alguns medos:
1- Medo de adotar crianças mais velhas pela dificuldade na educação.
2- Medo de adotar crianças de de cor diferente da sua, pelo " preconceito dos outros".
3-Medo de adotar crianças com problemas de saúde, pela incapacidade de lidar com a situação, e pelos custos de medicamentos, médicos e hospitais.
4-Medo das crianças que viveram longo tempo em abrigos, pelos " vícios" que trariam consigo.
5- Medo que os pais biológicos possam requerer a criança de volta.
6-Medo de adotar crianças sem saber a origem de seus pais biológicos, pois acreditam que a "marginalidade" poderia ser transmitida geneticamente.
7-Crença que uma criança adotada, cedo ou tarde trará problemas.
8-Crença que a adoção visa primordialmente o adotante e não a criança.
9-Crença de que a adoção pode servir como algo para desbloquear algum fator psicológico, e tentar ter filhos naturais.
10-Crença de que quando a criança não sabe que é adotiva ocorrem menos problemas, por isso é melhor adotar bebês e " fazer de conta" que é uma família natural.
11-Crença de que adoções realizadas através do Juizado são demoradas, discriminatórias,e burocráticas, então recorrem a adoção "à brasileira". que seria registrar uma criança como se dela tivesse dado parto.
12- Consideram que somente os "laços de sangue" são verdadeiros.

As razões mais comuns de se manter uma atitude de omissão a informações, de esconder a verdadeira origem da criança, são:
  • Medo da discriminação social
  • Rejeição a diferença
  • Idéia de que a criança tenha um passado vergonhoso
  • Proteger os pais inférteis da cobrança de sociedade
A adoção de crianças e adolescentes é atualmente, da alçada da justiça especial, por força do que vem disposto no art. 39, caput, do Estatuto da Criança e do Adolescente. Jovens maiores de 18 anos serão adotados por meio de escritura pública de acordo com as disposições do Código Civil.
As crianças disponíveis para adoção são aquelas em que os genitores sejam desconhecidos ou tiveram decretada a perda do poder familiar, antigo pátrio poder, por sentença transitado em julgado, causada por uma ou mais destas razões:
  • Abandonadas
  • Vítimas de maus tratos
  • Encontradas em ambiente contrário à moral e os bons costumes
  • Descumprimento injustificado, pelos pais,dos deveres do poder familiar ou de decisões judiciais.
Dentre as modalidades de adoção existem algumas pouco conhecidas:
  • Nascituros(que tenha existência no ventre materno, vetado por Lei)
  • Tardias( crianças maiores de 2 anos)
  • Adoções Morais(crianças com necessidades especiais)
  • Interraciais (crianças com cor de pele diferente do adotante)
  • Intuitu Personae ( ato da mãe da criança ou da família biológica decidir para quem entregar a criança quando os adotantes estão com a posse fática da criança)
  • Unilateral( quando um dos cônjuges decide adotar o filho do outro, desde que haja concordância do genitor biológico)
Existem, mais de duzentas mil crianças sem família no Brasil, mas o que dificulta a adoção seria as características da criança desejada para adoção, esta seria de cor branca, do sexo feminino, olhos claros e menor de dois anos.
Já casais estrangeiros, não tem preferência de cor, sexo ou idade, mas nossa legislação privilegia a adoção por casais brasileiros, o que aumenta o número de crianças esquecidas em abrigos.
A burocracia e também as exigências de alguns futuros pais fazem um processo de adoção durar, em média, cerca de quatro anos. Estima-se que 80 mil crianças e jovens vivem em abrigos no País, cerca de 8 mil, ou 10% deles, estão em condições jurídicas de serem adotados e aguardam pais dispostos a levá-los para casa. Com a pressão da Frente Parlamentar da Adoção, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que tentará pôr em votação em maio o projeto que cria a Lei Nacional de Adoção. Entre outras medidas, a iniciativa dá agilidade ao processo de perda do poder familiar, que retira legalmente crianças da guarda dos pais naturais e é o primeiro passo para a formalização da adoção.
Já o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) concluirá a implementação do primeiro cadastro nacional de crianças prontas para adoção e de adultos interessados em adotar. Atualmente, a maioria dos cadastros está restrita aos municípios ou, em poucos casos, a um banco de dados estadual. Entre outras novidades da Lei Nacional de Adoção está a licença-paternidade, de 60 dias, para homens solteiros ou viúvos que adotarem uma criança. O projeto permite ainda adoção de maiores de 18 anos, hoje não prevista em lei. E, no caso da perda do poder familiar, limita o processo a no máximo um ano de duração.
O autor do projeto, deputado João Matos (PMDB-SC), destaca o caráter conceitual da proposta, aprovada em comissão especial e pronta para votação, dependendo apenas da decisão da Mesa Diretora e da liberação da pauta do plenário, tomada por medidas provisórias. A lei deixa claro que a adoção é um direito inalienável da criança. Antes, era vista apenas como solução para o casal que não podia ter filhos.
Embora os dados oficiais sejam precários, Matos diz que aos poucos, essa mentalidade de querer bebê, menina, branca de olhos claros está sendo deixada de lado e permite aumentar a quantidade e a qualidade das adoções.

 Segundo o deputado, que em 1987 adotou um bebê negro, de 10 meses, a média nacional de espera de futuros pais é de 3,7 anos,mas pode durar muito mais, se houver muitas exigências dos pretendentes à adoção.
Um passo contra a burocracia e a falta de informação sobre crianças que esperam ser adotadas e adultos que pretendem adotá-las será dado na próxima terça-feira com o lançamento do Cadastro Nacional de Adoção, o primeiro banco de dados sobre o assunto do País.
O cadastro pretende reunir, em seis meses, informações completas sobre os pretendentes de um lado e de outro. Uma das principais vantagens da iniciativa é unificar as listas e evitar que elas fiquem restritas às comarcas, que em geral abrangem um município ou região, como acontece atualmente.
Com o cadastro, idealizado e coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os candidatos a pais não precisarão mais fazer inscrições separadas em cada comarca onde gostariam de avançar no processo de adoção. Os interessados em adotar uma criança de qualquer ponto do País poderão encontrar um filho no outro extremo com a consulta ao cadastro que será feita pelos juízes da Infância e da Adolescência.

10 comentários:

Silvinha disse...

Ótimo post, xará!
Somos todos adotados. A Bíblia diz em Gálatas 3.23-4.7 que adoção é o meio através do qual os convertidos entram para a família de Deus. Em outra passagem, Romanos 8.15, vemos que recebemos o direito de chamarmos a Deus de "Papai" (Aba Pai).
Em Efésios 1.5 lemos que Deus nos predestinou para Ele através da adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, "segundo o beneplácito de sua vontade". Deus, ao nos colocar em sua família, está revelando uma graça infinitamente maior do que a de um casal ao abrir seu lar e trazer para ali uma criança que não nasceu deles.
O significado da nossa adoção na família de Deus é profundo demais, porém, na maioria das vezes não nos damos conta disso.
Ao sermos adotados por Deus passamos a ser irmãos e irmãs de Jesus Cristo, com um lugar garantido eternamente na família celestial!
P.S.: um dos ideais meu e do meu esposo sempre foi e continua sendo, adotarmos nossos próximos filhos.
[ ]´s querida!

Edna Moda disse...

Parabéns pelo seu blog que foi mencionado no blog que indica blogs no tema Reflexões: http://ednamoda.blogspot.com/

Anônimo disse...

Oi Silvia

Eu não posso mais ter filhos, tenho meu filho Pedro com 5A, gostaria de ter uma menina.
Mas trabalho na área da educação e não sou uma pessoa preconceituosa. Mas vejo cada situação de filhos e pais adotivos, que minha coragem se esvai...
Não sei, tenho pensado muito nisso, mas vejo que muitas vezes tentando fazer o bem o laço afetivo que a criança tem com os pais biológicos estão enraigados de tal forma que é quase impossível romper.

Preciso pensar mais sobre isso.

Abraços amigo,

Silvia

Anônimo disse...

Oi Silvia,

Obrigada pelo convite,

Tenho dois filhos homens, 24 e 18 anos, nesse momento de minha vida, estou querendo netos para curtir, não posso ter mais filhos.
Independente de adotivos ou naturais meus netos serão muito bem vindos.

Conheço casais amigos que adotaram e a experiência é muito gratificante.

Abraços,

Angela

Anônimo disse...

Resolvi comemorar meus 4o anos em uma casa de crianças que ficam sob a guarda do estado para adoção, os convidados eram elas, mais de 25 crianças que estavam fora da idade que muitos desejavam adotar, levei bolo,bolas, roupas, presentes, reverti meus presentes em doações para eles, foi inesquecível, foram: meu filho mais novo, minha irmã e minha ajudante, com 2 carros abarrotados de presentes.

A senhora responsável pelo local, só informou a eles que eu iria, no dia da festa, para não provocar ansiedade, tinham casos de vários irmãos que não queriam se separar, e com essa atitude, a adoção fica mais difícil para quem quer apenas uma criança, diminue a chance de mudnça de vida.

Saí do local com uma leveza na alma, com uma felicidade íntima, me senti honrada por está no meio de crianças tão corajosas e dispostas a compartilhar......

Nós podemos fazer a diferença, parabéns Joaquin pela sua atitude de cuidar de crianças que precisam de um lar, uma família, amor, e pais maravilhosos como você deve ser com seu companheiro.

parabéns novamente pela sua sensibilidade e humanidade.

Abraços da anja

Anônimo disse...

Grato Maria Angela estou feliz e orgulhoso só lamento que tudo teve que ser feito no meu pais porque aqui não podia ser , pena com tantas crianças no Brasil pedindo seus direitos básicos como já falara Marise no seu post http://www.via6.com/topico.php?tid=170756&cid=
Qual a única coisa que reivindica um bebê? Todos os bebês do mundo, bebês que um dia também fomos? Todos os bebês reivindicam afeto, carinho, aconchego, alimento, roupinha de algodão, bundinha limpa, quietude ao dormir, sorrisos ao acordar. Esse é o nosso único código genético, toda a nossa moral, costumes, hábitos, leis e normas de conduta. Saúde física, emocional e mental
Obrigado Marianjo pelo respeito e o seu valor como ser humano.
Joaquim

Anônimo disse...

Bem fala o Joaquim ao dizer que adotar é receber, e não doar. Em junho do último ano ganhei mais um sobrinho, o Pedrinho, adotado pela minha irmã com quase cinco anos. Ele foi deixado no orfanato com três meses e este ano passou o primeiro Natal com uma família, agora sua família. É uma criança maravilhosa, que irradia alegria, e está sendo um grande presente na vida de minha irmã e de todos nós. Gosta muito de cantar e brinca com as palavras, compondo... Esta semana, inventou uma música no banho: "como é bom ter uma mamãe, mamãe eu te amo muito...". Minha irmã se derrete.
Ele é uma criança generosa, grata pela vida... Sempre olha para o céu e diz: mamãe, olha como o dia está bonito!
A cada dia ele se sente mais seguro e mais amado, destaca-se na escola e demonstra muito amor e fé na vida.

Abraços.
ESTHER

Anônimo disse...

Esther e Joaquin,

Belas palavras, pautadas em amor ao proximo. No momento eu nao teria coragem.

Como disse, a Esther adotar e receber, e nao doar. Dar e receber carinho, apoio, alimentacao, roupa lavada, alfabetizacao, enfim, tudo o que uma crian;a mereca ter.

A adocao pode transformar o mundo. Quanto ao meu momento, cada dia e um dia, cabe a cada um quebrar seus paradigmas. Quem sabe?

Abra;os,,

Sergio

Anônimo disse...

Ah, como seria BOM a certeza de que o AMOR é capazz de forjar um Homem ou uma Mulher...

Infelizmente, seu alcance esta muito aquem desta hercúlea e impossível tarefa, uma vez que, no máximo, é capaz de MOLDAR um Homem ou uma Mulher...

Quando então, minha experiência, possuo Irmãos por parte de Pai, Irmã por parte de Mãe, Irmãos por parte de Pai e Mãe e Irmãos sem nenhuma relação biológica com Pai e Mãe, me permite afirmar que índole é algo IMUTÁVEL, que pode, apenas e tão somente, e mesmo assim as vezes, ser controlado ou educado.

Adotar, é na realidade um ato de AMOR, de e com Aquele que ADOTA, uma vez que, independente de quem é o Adotado, do que vier a Pensar o Adotado, do que vier a Fazer o Adotado, sempre deverá ser AMADO.

Estas palavras tentam trazer à reflexão, o fato concreto de que muitos, vêem na adoção, a solução de problemas pessoais não resolvidos, o que é na realidade, um enorme equívoco, pois, a Adoção nos coloca em situação limite de AMAR, onde o AMADO, pode não corresponder as nossas expectativas criadas.

Quando, a nós é dada a felicidade de encontrarmos alguem meigo, carinhoso, íntegro e reto, muito pouco, ou quase nada nos será exigido, porem, quando encontrramos alguem arredio, pouco afável, de caracter dúvidoso e impreciso, TUDO nos será exigido, portanto, a pergunta deve estar centrada na dificuldade, pois, é Ela, caso exista, que determinará a felicidade ou infelicidade da opção feita.

Concordo, com Aqueles, que colocam ser a adoção é uma Ato de AMOR, mas principalmente, de CORAGEM, uma vez que, assumida a opção, Força, Perseverança e AMOR, MUITO AMOR serão necessários.

Não me considerei, não me considero, e acredito, não me considerarei apto a adotar, porem, me coloco aberto a esta possibilidade, uma vez que, é por demais pretencioso, afirmar que NUNCA o farei, mesmo porque, nada como uma dia após o outro, com uma noite no meio, para TUDO MUDAR...

Abraços Fraternos,
PLÍNIO

Anônimo disse...

Estou para ser inscrito, para ser inscrito ( desculpe a repetição)
na fila para adoção desde 2005. Imagine. Para ser inscrito.
É mole?

Paulo