sexta-feira, 2 de maio de 2008

Contribuição da Psicologia na Proteção às Testemunhas


As técnicas utilizadas pelo psicólogo quando participa de um trabalho de proteção a testemunha visam:


- Solução de problemas


- Tomada de decisões


-Pensamento Produtivo


- Participação ativa na criação de valores sociais


O profissional não só incentiva a discussão dos problemas e a planejar a superação das dificuldades, mas ajuda a pôr em prática estes planos na perspectiva de integrar a tomada de decisões.


Garantira a saúde mental dos beneficiários do Programa de Proteção à Testemunha é a principal missão da equipe de psicólogos, que para tanto, deverá atuar no sentido de :
  • Facilitar a adaptação da clientela às condições do programa;

  • Promover a interação entre os protetores e os protegidos;

  • Monitorar a evolução psicológica dos beneficiários (equilíbrio emocional, resgate da auto- estima, superação do medo, adaptação ao meio ambiente, auto - confiança e credibilidade quando a resolução da dificuldade vivenciada);

  • Estimular o fortalecimento dos laços afetivos familiares;

  • Realizar levantamento de interesses e aptidões dos beneficiários que irão desenvolver atividades produtivas.
Geralmente nesses programas existem uma equipe multidisciplinar onde a testemunha, vítimada violência e seus familiares são atendidos, trilhando as seguintes etapas:

  • Recepção dos casos: Ao chegarem, os clientes são recebidos pela equipe técnica composta por advogados, psicólogos e assistente social.Inicialmente a vítima ou familiar faz o relato do caso.Percebe-se que para eles, o núcleo de proteção a testemunha é a única e ultima esperança da garantia de vida, ao tomarem consciência de haver encontrado profissionais dispostos a ajudar verdadeiramente, eles começam a acreditar que não estão sozinhos.
O psicólogo deverá utilizar a escuta técnica, fazendo uma leitura do "não dito" contido na conversa inicial, o objetivo dessa entrevista é facilitar ao entrevistado a livre expressão dos seus processos mentais, o que nunca se consegue com um enquadre formal de perguntas e respostas.

No momento inicial da entrevista há um processo de angústia de ambas as partes, é necessário aceitar esse processo e não interferir. A escuta do psicólogo deve funcionar como um filtro, para que ele possa decifrar a mensagem expressa no discurso, nos momentos de silêncio e no comportamento do cliente.Com base nessa observação, o profissional da área de psicologia terá condições de opinar sobre a inclusão ou não da vítima na rede de proteção ou se o caso requer apenas apoio psicológico.

  • Triagem dos Casos: A equipe em reunião, sem a presença das vítimas ou dos seus familiares, discute o caso e resolve o tipo de encaminhamento a ser dado.Em seguida definem o perfil psico-social que será utilizado como subsídio, para respaldar um atendimento adequado. O profissional deverá registrar pari passu o acompanhamento psicológico e posteriormente realizar um estudo ciêntifico do caso.
Cumprida essa etapa a equipe dará início a uma investigação básica sobre a vida da testemunha junto aos familiares, comunidade e relações profissionais. Paralelamente, deverá estar acontecendo a investigação policial propriamente dita.

  • Encaminhamento ao local de proteção e/ou apoio: No caso da resolução ser favorável, o cliente e/ou seus responsáveis, deverá assinar um termo de compromisso contendo todas as normas de segurança previstas pelo Programa de apoio às Testemunhas.
Logo após a assinatura do referido documento, a vítima será encaminhada a um local de proteção, ocasião em que receberá aconselhamento e apoio psicológico. Nesse momento, o psicólogo começa a atuar em cima do medo que gera insegurança em seu cliente.Deve apoiar integralmente a sua adaptação ao meio ambiente, trabalhar a auto- estima, além das perdas emocionais e materiais que emergem da situação. Um pessoas que experimenta uma situação traumática sofre, em consequência disso, uma perda de controle.O simples processo de entrar em contato com uma pessoa que manifesta interesse em sua história tende a trazer alívio. O papel do psicólogo junto ao protetor responsável, é o de orientá-lo a promover um acolhimento adequado, que ofereça tranquilidade e segurança à pessoa vitimizada pela violência. É essencial que se estabeleça um bom entrosamento entre quem protege e quem necessita de proteção. O psicólogo deverá não só apoiar, mas sobretudo orientar a maneira mais adequada a lidar com essa nova situação de vida prevenindo o stress causado pelo nível de tensão. Como também encaminha-lo a uma atividade produtiva, sendo constantemente estimulados a desenvolverem sua criatividade, o que os levará ao aprimoramento da atividade desenvolvida, pois a ociosidade é considerada uma das maiores punições psicológicas.

  • Apoio às famílias das testemunhas: Os familiares são informados constantemente sobre a situação da pessoa que se encontra sob proteção.São agendados encontros periódicos visando a melhor compreensão dinâmica familiar pela equipe multidisciplinar.

4 comentários:

Donizete disse...

Ola Silvinha estou passando para dizer que gostei do seu blog e que escrevi sobre os direitos humanos ontem no meu blog
imigrantesbrasil.blogspot.com.

Faça uma visita por lá ...se quiser trocar um link ficaria feliz...
abraços

Anônimo disse...

Estava lendo sobre proteção psicológica e encontrei teu texto. Muito boa a tua visão sobre a relação entre psicologo e paciente.
Infelizmente alguns acham acham que o paciente deve sofrer uma "catarse" e detonam ainda mais o sujeito.

Anônimo disse...

Silvinha, gostei muito do seu blog.
Estou cursando o 1º periodo de Psicologia e encaminhei um e-mail para você.
Se puder me responder ficarei muito grata.
Forte e fraterno abraço,
Kátia Peçanha

Anônimo disse...

silvia, gostei muito do seu artigo, e gostaria se possivel entrar em contato com vc!! privacidade!! tb sou psicologa, e estou numa luta para não me fragilizar mais do que estou! não é fácil, ser testemunha de algo e denunciar... por isso, que muita gente prefere a omissão...ser testemunha, requer, não somente princípios éticos e bom caráter,ter força para enfrentar o andamento do processo, adoece o ser humano e se não tivermos cuidado, entramos num processo de bipolaridade entre a ansiedade e a depressão ... é uma situação dificílima!! grata!