sexta-feira, 27 de março de 2015

Fobia Social



Ansiedade social todos nós temos. É normal sentir certo grau de preocupação com a imagem e ao falar com uma autoridade ou com uma pessoa que não conhecemos, mas a maioria consegue lidar com essa sensação de desconforto. Algumas pessoas, porém, chegam a evitá-la de modo tão intenso que comprometem a qualidade de vida. Esse tipo é o que chamamos de fobia social.
Pacientes com fobia social têm sensibilidade mais aguçada para se sentirem humilhados ou rejeitados em contextos interpessoais, ou seja, em contextos que incluam pessoas desconhecidas, pouco íntimas ou muito críticas, do sexo oposto, ou autoridades. Por trás disso, existe o medo excessivo de ficarem embaraçados ou humilhados na frente dos outros. Essa é a essência da fobia social.
 A Fobia Social se caracteriza por ansiedade tão intensa nas situações de desempenho social que a pessoa deseja sair dela a qualquer preço, pode ter crises de pânico em certas situações. Por outro lado, na timidez a pessoa sente certo mal estar e até leve sensação de medo, mas não sente desejo de sair da situação (evitação ou fuga).
O que o fóbico pode sentir:
- Eu sinto vergonha de comprar roupas,
- Tenho vergonha de contar dinheiro em público,
- Em três anos de faculdade nunca fui na lanchonete por pura inibição,
- Não vou ao cinema por vergonha,
- Tenho vergonha de ser apresentado a pessoas novas,
- Nunca vou a festas ou eventos - mesmo quando sou convidado
- Tenho vergonha de fazer exercicios em publico. Apesar de conseguir caminhar para ir para casa ou o trabalho, quando eu vou especificamente para fazer exercícios me sinto constrangido.
- Eu simplesmente nunca tive nenhum tipo de relacionamento afetivo - nunca namorei, nem mesmo "fiquei".
A Fobia social pode ser chamada de outros nomes também por designaram-se a diferentes condições clínicas: São elas:
- Fobia Social Específica
- Ansiedade Social Específica;
- Fobia Social Generalizada
- Ansiedade Social Generalizada; 
- Crise de Ansiedade em Situação Social; 
- Transtornos da Ansiedade Social; 
 Em casos mais leves de fobia social, os pacientes são tomados por ansiedade excessiva quando desempenham tarefas na frente dos outros, como comer num restaurante, assinar um cheque ou outro documento qualquer, participar de uma dinâmica de grupo, de um seminário na faculdade, de uma entrevista de emprego e, principalmente, falar em público. À medida que esse transtorno evolui, passa para um tipo que chamamos de generalizado e, além das situações de desempenho, a pessoa evita as que favorecem o contato interpessoal ,como por exemplo ir a festas, ser apresentada a estranhos, iniciar uma paquera, e nas quais é indispensável perceber como está sendo sua aceitação pelo outro, a fim de nortear a pauta para seu comportamento.
Ele teme ser avaliado e de fato está sob avaliação num número enorme de situações. Na verdade, todos nós estamos sendo avaliados o tempo todo.
São crianças que se escondiam atrás da mãe quando chega um amigo da família em casa. Diferentes daquelas que têm essa reação no começo, mas dali a pouco estão sentadas no colo da visita, chamando-a de tia ou tio, querendo saber o que faz e onde mora, uma vez que não têm inibição comportamental perante adultos, as que se retraem correm maior risco de desenvolver o problema mais tarde.
A fobia social aumenta o risco de abuso de álcool e de outras drogas até porque a pessoa não consegue lidar muito bem com a pressão exercida por seus pares e acaba virando maria-vai-com-as-outras. Aumenta, também, o risco para depressão e problemas de ansiedade na vida adulta.
A fobia social,  por volta de 30% dos casos podem ser atribuídos a causas genéticas. O restante se deve a vivências complexas.
A criança nasce numa família e os pais constituem o primeiro modelo que conhece.   Observar como eles lidam com a adversidade, se veem o ambiente social como fonte de prazer e alegria ou como algo desconfortável e ameaçador, se são tímidos ou têm muitos amigos com filhos de idade próxima com os quais ela aprende a conviver de maneira harmoniosa, essa experiência precoce é muito importante.
Crianças provocadas e maltratadas pelos colegas de escola, que vivenciam experiências marcantes de rejeição e sofrimento no relacionamento interpessoal, são mais suscetíveis ao aparecimento da fobia social na vida adulta.
A inibição comportamental começa na infância, mas a maioria dos pacientes relata que os problemas surgiram na adolescência. Uma coisa importante, nem sempre valorizada pelos pais e pela escola, e que protege a criança contra o desenvolvimento da fobia social, é a oportunidade de aceitação num grupo em que consiga destacar-se de alguma forma.
A falta de vivência de aceitação é fator de risco para a fobia social, que pode não ser um distúrbio apenas geneticamente determinado, mas sofre forte influência do meio para instalar-se.
A história natural de jovens não tratados ou tratados com terapias inadequadas é procurar ajuda entre os 20 e os 25 anos de idade. Nessa fase da vida, as exigências são maiores.Quando procura tratamento só dez anos mais tarde, aos 35, 40 anos, a tendência é já ter manifestado depressão secundária ou certo consumo excessivo de álcool. A cada década que passa, o comprometimento da vida pessoal é um pouco maior.
Sempre são levados em conta os prejuízos que a fobia social provoca na vida da pessoa, sua incapacitação para trabalhar e estabelecer relacionamentos ou um comportamento de esquiva fóbica evidente.
O paciente com fobia social, se exposto subitamente a uma situação difícil, pode ter manifestações corporais como ansiedade, taquicardia, sudorese abundante, falta de ar, mãos geladas e úmidas, dor de barriga, diarreia, urgência miccional, ondas de calor, rosto ruborizado, tonturas. São manifestações chamadas de hiperatividade autonômica, ou seja, hiperatividade do sistema nervoso autônomo.
Em outros pacientes ,o que chama a atenção é a intensidade de pensamentos e a avaliação negativa. É o aspecto intelectual. A pessoa só percebe as dicas de não aceitação do ambiente. É como se a fobia social provocasse um desvio de memória e atenção que só deixasse perceber os estilos ameaçadores. Isso é comum nas pessoas ansiosas, uma vez que elas só percebem o que está dando errado, os revezes, e nada do que está dando certo.
Medicamentos como os antidepressivos e os tranquilizantes são necessários para apagar o excesso de reatividade emocional e ansiedade. O passo seguinte é a terapia pede-se que a pessoa se exponha aos piores medos de forma sistemática, gradual e progressiva de modo a ir obtendo vivências de sucesso, o que leva à diminuição da ansiedade antecipatória, o grande vilão que antecede ao enfrentamento das situações.
Há vários níveis de prevenção:
1.     É fundamental prestar atenção nos filhos de pacientes fóbico-sociais. Eles constituem o grupo de maior risco, porque compartilham a carga genética dos pais e o ambiente em que vivem. É interessante observar que, se um dos pais é tímido, frequentemente o outro também é, o que acarreta uma similaridade de relacionamento com as crianças e de modelos de comportamento.
2. A prevenção também pode ser realizada nas escolas, pois nem sempre os profissionais que ali trabalham têm sensibilidade para perceber que algumas crianças estão sendo vítimas de agressões e críticas, que podem induzi-las à fobia social, especialmente se já forem portadoras de certo grau de timidez. Essas crianças precisam mudar de classe, de ambiente, precisam de proteção.

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