domingo, 10 de maio de 2015

Dia das Mães – Na contramão do Carinho



Neste dia das mães, postarei algo que tem levado muitas pessoas aos consultórios de psicologia.
Para muitos é um dia festivo, dia de almoço com a mama, de presentes e alegria.
Mas para uma boa parcela da população, principalmente feminina, é uma época triste, de dor e depressão, não por uma perda física do ente materno, mas pelos conflitos existentes no relacionamento com a mãe, algo que sufoca desde as primeiras propagandas na mídia referindo-se a este dia, uma dor de rejeição e culpa.
Culpa, porque a filha passa sua existência sem entender os motivos que levam a sua mãe de trata-la tão mal, a rivalizar, se tornando uma verdadeira inimiga. A filha passa a se sentir inferior e má, pois segundo a sociedade, mães sempre vão amar seus filhos e se isso não acontece, claro que a culpa não seria da santa mãe, que é comparada nessa época,  a própria genitora do Criador, e sim da "malvada"  filha. E aí suscitam os mais diversos  sentimentos de inferioridade e culpa, como já foi dito.
Principalmente filhas, que não entendem o relacionamento desastroso com suas mães, de rejeição, rivalidade, perseguição, violências físicas e psicológicas, enfim, de abusos injustificáveis. De "portas batidas na cara" sem motivo aparente, onde as filhas saem a procura de justificativas para uma relação que chega a beira do animalesco, de tão cruéis que se tornam. Muitas delas, neste dia, só querem chorar e sumir.
Para um filho, os pais devem amá-lo sobre todas as coisas e dedicar todos os momentos de sua vida a ele. Não é preciso muita coisa para que a gente se sinta rejeitado. A tendência natural é pensar que ninguém gosta da gente, ou pelo menos não tanto quanto se precisa. E disso se precisa muito.
 A rejeição maternal, quando causada pela depressão pós-parto, cientificamente chamada de psicose puerperal, se apresenta em níveis diferentes de intensidade e tempo, podendo variar de um simples desânimo ou ansiedade, excesso de sono ou insônia, falta de desejo sexual, medos, sensação de estar falhando como mãe, desconcentração, e sentimentos ambivalentes em relação ao bebê, como se não conseguisse gostar dele. Em alguns casos, a mãe pode agredi-lo ou ainda atentar contra a sua vida.
Sejam quais forem as razões que levaram os pais a proteger mais um filho do que o outro, o fato pode culminar num distúrbio emocional tanto para um quanto para o outro lado: um se sente fora do contexto, pela falta de amor, fica revoltado; o outro sofre um desajuste, pelo excesso, podendo leva-lo a uma dependência emocional, a uma personalidade mais fragilizada, de tal forma que não consegue dar continuidade às metas estabelecidas, sente-se incapaz, é instável no emprego etc. 
Além disso, o filho mais protegido, às vezes, pode se sentir responsável por trazer mérito aos pais, por faze-los felizes, e quando ele não consegue cumprir exatamente aquilo que os pais esperavam dele, acaba se sentindo mal, infeliz e impotente. pessoa deve procurar ajuda emocional e psicológica. O psicoterapeuta ajuda a entender se houve mesmo rejeição ou se o que de fato aconteceu foi uma maior sintonia por um de seus irmãos devido a, por exemplo, esta mãe sentir que as fragilidades deste filho “preferido” são parecidas com suas próprias fragilidades.Quando a psicoterapia identificar que de fato houve uma rejeição, que esta pessoa foi preterida por sua própria mãe, iniciará um processo de autoconhecimento a ponto de se identificar os pontos fortes que não puderam ser reforçados pela própria mãe.
 A pessoa rejeitada se sente absolutamente sem qualquer atrativo físico ou intelectual. Esta percepção distorcida de si mesmo só será refeita com um processo sério de auto conscientização.O psicólogo acompanhará um verdadeiro processo de reconstrução interna, de percepção do seu verdadeiro “eu”.
 Os grandes tabus na psicologia familiar geram desconforto até mesmo em pensamento. Entre os temas abomináveis - e evitados a todo custo nas discussões em casa - estão a preferência do pai, ou da mãe, por um dos filhos, a rejeição pelo outro, a decepção com a imagem do bebê após o nascimento - quando se esperava uma criança mais bonita ou com determinadas características - e o desejo oculto dos pais de se livrar das crianças para curtir um momento a sós.
 No terreno das hostilidades veladas, nada é mais difícil para uma mãe do que admitir uma competição com a filha, que geralmente toma a iniciativa para lavar a roupa suja em diários, sessões de terapia ou na literatura.
A primeira dificuldade na superação da rivalidade começa pela falta do reconhecimento da existência da disputa, principalmente por parte da mãe. 
Afinal, o senso comum confere à filha o direito ao erro e à imaturidade, mas cobra da mãe um comportamento impecável, de amor incondicional. As mães também tem suas limitações, e nem sempre estão preparadas para ter um filho e amá-lo, são humanas e nem todas são dóceis e afetuosas, como prega a mídia quando sugerem presentes para as mesmas  no intuito de aumentar suas vendas, existem às que rivalizam, detestam, se arrependem de ter colocado o filho no mundo. As mães que sustentaram as suas vidas na beleza, por exemplo, ao chegar à terceira idade, têm dificuldade em tolerar a juventude das filhas.
Os casos mais dramáticos de rivalidade podem ter suas explicações nas gerações anteriores. A experiência que a mãe teve com a sua própria mãe é decisiva para compreender a competição.
Para uma maternidade equilibrada, deve haver maturidade emocional da genitora, que precisa entrar em sintonia com os seus processos mentais e assumir as suas limitações. E em todas tem consciência de que precisam de ajuda profissional para este tipo de problema, e culpam suas filhas por se comportarem, com elas , da forma que se comportam.

Tipos de Maternidades Rivais:
-  Mãe Esposa: A sua razão de viver é o companheiro.Sente-se enciumada e excluída da relação entre a filha e o pai e a responsabiliza pelo afastamento do marido. As divorciadas e viúvas transferem a amargura para as crianças.
- Mãe Superior: Não consegue lidar com a inversão na hierarquia de poder, quando é superada pela filha adulta e com independência financeira.Para manter a autoridade, bloqueia e entrava o desenvolvimento psíquico da filha.
- Mãe Frustrada: Projeta seus desejos insatisfeitos na filha e a encarrega de adquirir suas aptidões reais ou fantasiadas.Obcecada pelas próprias falhas, enfatiza as  insuficiências da filha com críticas incessantes.
- Mãe Narcisista: Não aceita o envelhecimento e a  degradação da própria imagem  e percebe na filha mais jovem uma ameaça à sua identidade. Teme que a própria idade seja revelada pela idade da filha e recorre às plásticas.

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