sábado, 15 de outubro de 2011

Oncologia e o papel do psicólogo


A Psicologia da Saúde e a Medicina Psicossomática vêm fornecendo subsídios teóricos e práticos para a pesquisa e a atuação em Psico-oncologia, a qual busca estudar as duas dimensões psicológicas do câncer:
a) o impacto do câncer na função psicológica do paciente, na sua família e nos profissionais de
saúde que o cuidam;
b) o papel que as variáveis psicológicas e comportamentais possam ter no risco do câncer e na sobrevivência a este. Visando a uma melhor compreensão da doença e de formas
para lidar com ela,sempre focando a melhoria de qualidade de vida e o enfrentamento da doença.
A Medicina Psicossomática oferece subsídios para se compreender a relação entre os estados emocionais, e o aparecimento de sintomas somáticos e diferentes tipos de doenças físicas. Preocupa-se com a relação entre fatores sociais e psicológicos, funções biológicas e fisiológicas, assim como com o desenvolvimento de doenças físicas diversas.
O termo psico-oncologia é formado por: psico (de psique = mente), onco (do grego- "ogkos"= tumor) e logia (conhecimento, estudo).
Durante a intervenção psicológica, podem ser examinadas questões relativas a "maneira de viver", ou seja, atitudes e comportamentos, de alguma forma prejudiciais à saúde da pessoa,ajudando-a a perceber a necessidade de uma reorganização que possibilite uma vida mais saudável e satisfatória.
Intervenção em nível primário, que visa a atuar sobre três pontos principais: os estilos de vida do indivíduo, o estresse diário e o comportamento alimentar. Inclui:
• promover mudanças de atitudes e mudanças
comportamentais, que facilitem o aparecimento de estilos de vida saudáveis;
• promover o reconhecimento do papel de políticas econômicas, sociais, psicológicas e educacionais, no estilo de vida da população;
• educar a população para reconhecer e lidar com o estresse da vida diária, ou seja, orientá-la para perceber quando, de fato, começa a ficar sobrecarregada física ou emocionalmente no seu dia-a-dia;
• educar a população, no sentido de desenvolver estratégias adequadas para lidar com situações estressantes do ciclo vital como, por exemplo, a morte e a velhice;
• promover mudança de hábitos alimentares.
Intervenção em nível secundário, que diz respeito à educação para a detecção do câncer. Inclui:
• informar a população, em geral, e a de alto risco sobre os procedimentos preventivos de diversos tipos de câncer;
• promover a aquisição de hábitos periódicos e sistemáticos de detecção precoce;
• treinar profissionais de Saúde Pública, para melhor informar e lidar com a população, em geral, e a de alto risco;
• promover a análise de fatores psicológicos e sociais responsáveis pela não-adesão a programas preventivos;
• divulgar estratégias que facilitem a automatização de procedimentos preventivos aprendidos, pela população, em geral.
3. Intervenção em nível terciário, que se refere às intervenções que deverão ser realizadas durante o processo de tratamento. Inclui:
• levar o indivíduo portador de câncer a aderir às prescrições de tratamento, da melhor maneira possível, ou assumir conscientemente as consequências e os riscos de não aderir;
• promover o conhecimento de técnicas de enfrentamento psicológico, em indivíduos diagnosticados com câncer de diferentes tipos e em diferentes estágios da doença;
• promover o treinamento de profissionais de Saúde para lidar melhor com indivíduos portadores de câncer e suas famílias, bem como promover o treinamento em técnicas de enfrentamento, para lidar de forma eficiente com a depressão do próprio profissional e sua ansiedade diante do câncer;
• colaborar em vários tipos de resolução de problemas relevantes ao contexto de tratamento do câncer, tais como a comunicação do diagnóstico ou a preparação para a morte com pacientes terminais;
• colaborar na solução de problemas, potencialmente, modificáveis por meios psicológicos: náuseas e vômitos antecipatórios, devido aos tratamentos médicos prescritos, dor, ansiedade, depressão e insônia.
4. Intervenção na fase terminal, em que os objetivos são inúmeros e podem abordar os mais diferentes aspectos presentes, no contexto de morte da pessoa com câncer. Inclui:
• atender às necessidades emocionais da pessoa, considerando seus medos e ansiedade diante do sofrimento, da deterioração física e da iminência da morte;
• facilitar o processo de tomada de decisões e resoluções de possíveis problemas pendentes, tais como os que se referem à família, às finanças etc.;
• apoiar a família para lidar com as emoções presentes no contexto de morte e separação;
• apoiar a própria equipe de saúde, envolvida com a atenção ao paciente terminal, para que esta possa lidar melhor com a frustração e possíveis sentimentos de perda, diante da morte desse paciente;
• colaborar para que o tratamento oferecido à pessoa, em fase terminal, respeite sua dignidade e produza sua qualidade de vida.

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