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sexta-feira, 7 de março de 2008

Velhice - Anos de Plenitude

Existem muitas mudanças que ocorrem no envelhecimento.Pessoas idosas sofrem perdas que podem ter efeito sobre o seu bem- estar mental, emocional e físico.
  • A morte de um membro da família ou de um amigo pode ser uma perda emocional severa.

  • A aposentadoria causa a perda da atividade útil planejada e afeta o prestígio, a satisfação criativa, o relacionamento social, o respeito próprio e a renda.

  • Perdas ou danos físicos, especialmente os que afetam a visão e a audição podem levar à privação sensorial e à exclusão social.
O fato de envelhecer não significa um sinal, pelo contrário, pode ser o começo de uma vida sem as responsabilidades de educação de crianças ou exigências de um emprego.Atualmente a palavra "velho" é muito significativa, tomamos muitas decisões, ou os outros tomam por nós, baseados em pressupostos referentes à idade. Quando se negam oportunidades a jovens de 17 anos, e os indivíduos de 65 são constrangidos a aposentar-se, e ambas as atitudes se baseiam num estrito critério de idade, nos defrontamos com o "velhismo", ou seja, preconceito contra os idosos. E quem motiva esse preconceito é a sociedade que aplica a aposentadoria compulsória, como motivo para a colocação de jovens no mercado de trabalho, só que isso nem sempre acontece, existem muitos jovens desempregados no país. O modelo mais simples e usado para a classificação de idade, divide a população em jovens,adultos e velhos, seguindo o modelo do desenvolvimento psicossexual.Nossa sociedade continuará a insistir no uso da idade cronológica para muitos fins, pode-se conviver com essa prática se reconhecermos que o o estabelecimento para chamar alguém de velho é apenas uma questão de conveniência estatística. É um uso infeliz, mas difícil de evitar, até porque somos testemunha que o velho de antigamente era a pessoa com 60 anos que se aposentava e ficava em casa vendo TV, e por isso associamos velhice a enfermidade,esquecemos que pequenos sintomas ,detectados a tempo, podem ser esclarecidos antes de se tornarem problema grave. Mas hoje em dia, as pessoas estão se aposentando mais tarde ou, mesmo aposentadas continuam trabalhando, viajando, divertindo-se na agora chamada, melhor idade.Existem várias exceções a isso, as enfermidades e a aposentadoria compulsória estão entre as circunstâncias da vida que podem subitamente focalizar nossa atenção nas alterações físicas , que na verdade vinham ocorrendo há tempos, a consciência dessas transformações pode ser repentina e, às vezes desconcertante.Também é provável que o próprio ritmo de envelhecimento se acelere em algumas circunstâncias. A proporção que envelhece, a pessoa pode muito bem, aperfeiçoar-se em algumas áreas de seu funcionamento mental, em lugar de sofrer um retrocesso, a compreensão verbal representa uma das capacidades mentais que constitui um domínio cristalizado, mesmo assim , o conhecimento armazenado do indivíduo não é suficiente para levá-lo a dominar a situação que se defronte.Ele precisa imaginar coisas, solucionar o problema específico dentro de seus limites próprios. A maior parte das pessoas sofre um declínio de inteligência fluída , de lembra-se de fatos recentes, já a inteligência cristalizada o fará lembrar com mais rapidez de fatos que ocorreram há muito tempo atrás, na sua infância por exemplo.Daí a necessidade de estímulo, sempre aprender algo novo para exercitar a mente, fazer palavras cruzadas é um ótimo exercício. Outra coisa que acontece na terceira idade, fica-se mais lentos, vagarosos tanto na vida física quanto na mental, e isso pode trazer a depressão já que acontece a tomada de consciência de que não se tem mais , digamos, o vigor de antes, para vencer esta fase, muitos idosos procuram retirar forças do passado, das lembranças de quando era mais jovem, do casamento, da faculdade, de algumas festas das quais participou, de alguns amigos que ainda estão vivos, pois deprime muito a notícia de que seus amigos estão morrendo, a sensação é que o indivíduo em questão será o próximo.O estabelecimento de novos limites constitui um processo de adaptação em que a pessoa faz avaliações realistas do que pode e do que não pode continuar fazendo parte de sua vida ativa. Alguns idosos são responsáveis pelo próprio isolamento, acreditam que são um peso para a família, que contam histórias repetidas e por isso cansam a todos, já não é mais convidado a participar de encontros familiares, ou de participar de passeios, pois como são lentos e repetitivos, os membros mais jovens da família acabam por os excluírem.Mas ainda existem idosos que participam da vida social e acreditam que " as coisas que fazem continuam tão interessantes como sempre foram". Há muito a fazer para tornar a vida dos idosos satisfatória, a começar pelo acesso a teatros, cinemas, etc, pois o piso facilita quedas, o acesso muitas vezes é por escadarias que se tornam perigosas devido a mobilidade do idoso, entre outros fatores.Dentro de casa não é diferente, quantos não sofreram lesões graves em quedas no banheiro escorregadio, no piso encerado, na escadaria sem corrimão, nos batentes, etc. Sempre que possível, o idoso deve ter seu próprio quarto ou lugar na casa onde possa realizar suas atividades sem ser perturbada ou sem perturbar os outros, sempre no térreo e perto do banheiro.Um luz acesa durante à noite geralmente é útil para ajudá-las a se orientarem e evitar tropeços no escuro. Boa nutrição e exercício regular são uma parte importante para a manutenção da boa saúde, a alimentação deve incluir carne, peixe, aves, ovos, derivados do leite, pão, cereais, gorduras, vegetais e frutas, salvo se por recomendação médica haja a exclusão de alguns desses itens.O exercício melhora a circulação sanguínea, aumenta a capacidade respiratória, assim como mantém a força e a flexibilidade das articulações.Sempre com orientação médica. Mesmo quando se ama os familiares, pode-se experimentar sentimentos de raiva, ressentimento ou culpa.Pode-se ressentir da dependência deles, é difícil ver uma pessoa amada fraca e regredida mentalmente. Estes são sentimentos comuns, entendê-los ajudará a ser mais benevolentes com eles e consigo mesmo, por isso é necessário procurar ajuda, pois é normal esses sentimentos e com orientação específica, será mais fácil lidar com eles. Em ação conjunta da OAB Nacional e do Conselho Federal de Psicologia, com a participação do Movimento Social organizado e do Ministério Público,em alguns estados brasileiros foi realizada em setembro de 2007, inspeção conjunta em instituições de Longa Permanência para Idosos, o que se percebeu foi a ausência de psicólogos nessas instituições, o abandono de idosos,e a falta de cuidado personalizado.
Sabe-se que o envelhecimento é um processo biológico que pode ser controlado.
Há uma série de estudos afirmando que um estilo de vida saudável é uma das
chaves da longevidade.

Confira alguns deles:

1. COMA MENOS. Nos Estados Unidos, um estudo comparou cinquëntões que
viviam de dieta com outros que consumiam, em média, 2 000 calorias por
dia. A conclusão foi que o primeiro grupo teve uma expectativa de vida
cerca de 30% maior, além de aparentar ser mais jovem do que os congêneres
da mesma idade.
2. REDUZA O SAL. Essa medida é importante no tratamento e na prevenção da
hipertensão arterial, um dos fatores de risco para doença cardiovascular.
Evite mais de 6 gramas por dia, o equivalente a uma colher de chá.
3. CONSUMA VERDES . Vegetais verde-escuros, como espinafre, rúcula e
brócolis, são ricos em ácido fólico, uma substância que ajuda a manter a
integridade do DNA.
4. DE PREFERÊNCIA AOS PESCADOS. Peixes de água profunda, como salmão e
anchova, são ricos em ômega 3. Esse poderoso antioxidante, segundo o
jornal da Associação Médica Americana,pode reduzir em até 81% o risco de
morte súbita no homem.
5. BEBA COM MODERAÇÃO. Estudos mostram que o consumo diário de até duas
taças de vinho deve fazer parte da receita para uma vida longa. Até a
cerveja, quando consumida moderadamente, pode trazer benefícios à saúde,
apontam pesquisas recentes. Tomar água pura é excelente principalmente se for
tomada logo pela manhã ao leventar-se.
6. MODERAÇÃO COM A CARNE VERMELHA . Pesquisa sobre hábitos alimentares em
dez países europeus concluiu que oconsumo diário de carne vermelha aumenta
o risco de câncer de intestino em até 35% . Mas não a evite. Proteínas são
essenciais para quem faz atividade física regularmente, substitua-a por peixe,
não só porque dão resistência mas também porque ajudam a tornear os músculos
7. SEJA SOLIDÁRIO . Segundo estudo publicado na revista Psychology Science,
dar apoio físico ou emocional a outras pessoas reduz em até 60% o risco de
morte prematura no idoso.
8. TENHA FÉ. Segundo o International Journal of Psychiatry and Medicine,
ter uma crença forte em algo ajuda a combater o stress e problemas
emocionais.
9. PREFIRA AS COMÉDIAS. O riso espontâneo promove a dilatação dos vasos e
melhora o fluxo sanguíneo. Também reduz os níveis de adrenalina e cortisol
no sangue e aumenta a liberação de endorfinas, hormônios ligados às
sensações de bem-estar e prazer. Quer mais? Ainda emagrece. Estudos da
Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, concluíram que dar boas
risadas por um período de dez a quinze minutos faz uma pessoa queimar, em
média, 50 calorias.
10. MOVA-SE. De acordo com a Associação Americana do Coração, o
sedentarismo, por si só, aumenta o risco de doença coronariana em, pelo
menos, uma vez e meia. Exercícios diários moderados ajudam a aumentar
o tempo de vida qualitativa em até seis anos.
11. MORE PERTO DE UM PARQUE. Um estudo realizado por pesquisadores
japoneses concluiu que a expectativa de vida dos idosos que moram próximo
a áreas verdes é maior do que a daqueles que vivem cercados de
arranha-céus.
12. CURTA O CHOCOLATE . Em pequenas quantidades, ele pode ser benéfico à
saúde. A quantidade de flavonóides encontrada em 50 gramas de chocolate é equivalente à de seis maçãs, duas taças de vinho ou sete cebolas. Os flavonóides têm sido
apontados como importantes armas no combate aos radicais livres.
13. MANTENHA A MENTE ATIVA. Pesquisas mostram que a doença de Alzheimer
tem maior incidência entre as pessoas com baixo nível de instrução. Estudo
publicado no New England Journal of Medicine relaciona a leitura, os jogos
de cartas e de tabuleiro e as palavras cruzadas com a redução do risco de
demência em pessoas com mais de 75 anos.
14. TOME VITAMINAS. Cápsulas de vitamina C são as mais indicadas. Seu
consumo ajuda a prevenir a degeneração macular, que afeta 3 milhões de
brasileiros e é a maior causa de cegueira em pessoas com mais de 50 anos.
Consulte seu médico sobre a dosagem.
15. NÃO PULE O CAFÉ da MANHÃ. Pesquisa do Instituto de Gerontologia da
Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, averiguou que os centenários
não costumam dispensar a primeira refeição do dia. Inclua na dieta matinal ,cereais,
água ou chá e frutas frescas.
16. USE O FIO DENTAL. De acordo com pesquisadores da Universidade Harvard,
nos Estados Unidos, a inflamação bacteriana da gengiva, causada pelo
acúmulo de resíduos alimentares entre os dentes, aumenta em 72% o risco
de doença cardiovascular
17.FAÇA EXERCÍCIOS mas evite a prática de exercícios entre as 11 da manhã e a
1 da tarde. Neste Horário é quando a produção de adrenalina atinge seu pico. O sangue fica mais grosso do que o normal, a pressão arterial sobe e o batimento cardíaco se
eleva. Durante essas duas horas, é maior a probabilidade de uma placa de
gordura se romperem um vaso, o que pode provocar derrame cerebral ou
infarto no coração.
18.FAÇA SEXO .A atividade sexual traz sensações de prazer e bem-estar,
combate o stress, aumenta a auto-estima e ainda queima calorias. Estudos
mostram que as pessoas sexualmente ativas são mais saudáveis. Segundo a
OMS, o sexo é um dos quatro pilares da qualidade de vida, ao lado do
prazer no trabalho, da harmonia familiar e do lazer.
19. SEJA OTIMISTA. Após dez anos estudando como a personalidade de uma
pessoa pode influir no aumento ou na diminuição da expectativa de vida,
pesquisadores holandeses concluíram que ter uma atitude positiva pode
diminuir em até 55% o risco de morte prematura.
20. LARGUE O CIGARRO. Fumantes regulares vivem, em média, dez anos menos e pior do
que um não-fumante, além de prejudicar a atividade sexual. Cerca de 90% dos
casos de câncer nos pulmões, a neoplasia que mais mata no Brasil, estão relacionados
ao tabagismo.
21. TENHA UM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO . O conselho foi seguido por operadores da
bolsa de valores de Nova York,avaliados em um estudo. Foi tão eficaz no
combate ao stress que metade deles suspendeu o uso de medicamentos contra
a hipertensão. Quem tem um bichinho em casa vai ao médico com menor
frequência, afirmam pesquisadores da Universidade de Cambridge, na
Inglaterra.
22. COMA FRUTAS : De acordo com a Organização Mundial de Saúde, esse é
o número mínimo de porções de frutas e vegetais que uma pessoa deve comer
por dia. A OMS defende que uma alimentação balanceada e rica em vitaminas,
fibras e minerais pode reduzir em até 40% o risco de câncer.
23. DURMA BEM. Estudos sugerem que a falta de sono crônica pode ter um
impacto negativo nas funções metabólicas e endócrinas. Quando se dorme
menos de cinco horas, há um desequilíbrio no metabolismo .
24. SINTA-SE EM CAPRI. Está provado que uma dieta mediterrânea, rica em
vegetais, peixes e azeite de oliva, pode afastar doenças como hipertensão,
diabetes e obesidade, capazes de encurtar a vida em até dez anos.
A pesquisa foi feita com 1 507 homens e 832 mulheres, entre 70 e 90 anos, em
onze países europeus.
25. ABUSE DO MOLHO DE TOMATE.Dez colheres de molho de tomate
ingeridas semanalmente podem reduzir pela metade o risco de ocorrência de
onze tipos de câncer. O tomate é rico em licopeno, um antioxidante
encontrado nos vegetais vermelhos.

26.INVISTA EM CULTURA. Depois de acompanhar 12 000 pessoas por nove anos,
pesquisadores suecos observaram que, em média, as chances de uma pessoa
alcançar a longevidade foram 36% maiores naquelas que cultivavam o hábito
de realizar programas culturais, como visitar galerias de arte, assistir a peças de
teatro e frequentar concertos musicais.
27. IMITE OS BRITÂNICOS. Ser pontual é bom mas beber chá é melhor.
O hábito cultivado pelos ingleses pode ajudar no combate à doença de Alzheimer. Estudos indicam também que o consumo de chá reduz os riscos de câncer. O chá verde é o que
promete maiores benefícios.
28. VÁ AO OFTALMOLOGISTA. Depois dos 50 anos, a chamada vista cansada se
torna ainda mais comum. Com a idade, também aumentam os riscos de glaucoma
e catarata. Além disso, alterações de fundo de olho podem indicar a presença de
diabetes e hipertensão.
29. TENHA UM RELACIONAMENTO ESTÁVEL.As pessoas que se mantêm em longas e bem-sucedidas uniões têm uma expectativa de vida maior em comparação àquelas que se casam novamente ou terminam a vida divorciadas. (mas, por favor, ficar com a
pessoa errada causa mais problemas de saúde ainda... façam boas
escolhas...)
30. EXPRESSE SUAS EMOÇÕES. Journal of Clinical Psychology, da Inglaterra,
aqueles que manifestam suas emoções por meio de alguma atividade
artística, como canto, dança, fotografia, pintura, literatura são mais saudáveis do que as
pessoas que não o fazem.

A depressão é uma doença que precisa ser avaliada por um médico. De forma geral a depressão pode apresentar os seguintes sintomas:
* Tristeza profunda; * desânimo; * diminuição importante de interesses e atividades anteriores; * alterações no apetite; * alterações no sono; * dores e mal-estar físico; * irritabilidade; * dificuldade de concentração e de memória.
A depressão pode causar um forte impacto na relação familiar e afetar a qualidade de vida.

Fatores que facilitam a depressão:

* doenças físicas e cerebrais; * doenças crônicas que levam à incapacidade física; * medicação inadequada; * perdas financeiras; * diminuição do contato com familiares; * perdas de pessoas queridas.
As depressões moderadas ou graves podem ou não necessitar de medicação. Cabe ao médico avaliar o tipo de tratamento.
Cada pessoa tem uma indicação específica.

Para tratar a depressão no idoso pode-se usar formas de tratamento:
Psicoterapia individual ou em grupo : Ajuda ao idoso a lidar com os conflitos
Atividade física : Ajuda a manter o bem-estar físico e mental, melhora o apetite e o sono.
Terapia ocupacional : Colabora com a socialização e motiva o desenvolvimento de novos potenciais
Para o tratamento eficaz é importante a participação da família no tratamento.
O Estatuto do Idoso completou em primeiro de outubro - Dia Nacional do Idoso - , cinco anos, desde sua sanção pelo presidente Lula. A Lei 10.741/43 entrou em vigor em primeiro de janeiro de dois mil e quatro e garantiu diversos direitos às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, mas ainda é pouco divulgada.
Não são poucas as instituições a infringem suas determinações.
Uma das normas mais polêmicas fixadas pelo Estatuto do Idos foi a que garantiu gratuidade e desconto de passagens no sistema de transporte coletivo interestadual.Representando 117 permissionárias do serviço, a Associação Brasileira de Transporte Terrestre de Passagens ( Abrati) recorreu à Justiça, em 2004, sustentando que não havia previsão de fonte de custeio para o benefício aos idosos, o que iria gerar desequilíbrio econômico para as empresas do setor.Após algumas derrotas e vitórias da Agência Nacional de Transportes Terrestres(ANTT) no judiciário para garantir o cumprimento do estatuto, o Supremo Tribunal Federal(STF), no início de 2007, manteve a obrigação para as empresas.
Listamos alguns benefícios garantidos pela Lei:

Transporte: 
A
  • Os maiores de 65 anos têm direito à gratuidade no transporte coletivo público urbano mediante a apresentação de documento de identificação, sendo 10% dos assentos reservados aos idosos. Para os que têm entre 60 e 65 anos, fica a critério da legislação local decidir sobre a gratuidade nesse tipo de transporte.
Saúde:
  • Idosos têm atendimento preferencial no Sistema Único de Saúde ( SUS).
  • O estatuto dá direito a acompanhante para o idoso internado ou em observação em qualquer unidade de saúde.
  • É garantida a distribuição de remédios,principalmente os de uso contínuo, e de próteses e outros recursos relativos a tratamento, habilitação ou reabilitação.
  • Os planos de saúde não podem reajustar mensalidades de clientes com mais de 60anos. Mas há controvérsia sobre a aplicabilidade da lei para planos contratados antes de primeiro de janeiro de dois mil e quatro. A Agência Nacional de Saúde Suplementar(ANS), que antes do Estatuto do Idoso fixava sete faixas etárias para reajuste- duas delas para os idosos-, determinou, a partir da entrada em vigor da lei, a adoção de dez faixas.
Justiça:
  • Nas ações judiciais, os idosos podem ser representados pelo Ministério Público, União, estados, Distrito Federal, municípios e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
  • É assegurada prioridade na tramitação de processos judiciais acionados por idosos.
Violência:
  • Fica proibida toda forma de discriminação ou humilhação contra os idosos, sob pena de condenação a reclusão de seis meses a um ano e multa.
  • O abandono de idoso em hospitais e casas de saúde pode ser punido com detenção de seis a três anos e multa.
  • A pena para quem submeter idosas a condições desumanas, privados da alimentação e de cuidados indispensáveis é de dois meses a um ano de detenção e multa.
  • Se ocorrer a morte do idoso, a punição será de quatro a doze anos de reclusão.
  • A apropriação de bens, pensão ou qualquer rendimento de idoso pode levar a condenação, com pena que varia de um a quatro anos de reclusão e multa.
Assistência Social:
  • Fica assegurado benefício mensal de um salário mínimo aos idosos a partir de 65 anos que não possuam meios para prover sua subsistência nem de tê-la provida por sua família.
Trabalho:
  • Na admissão em qualquer trabalho ou emprego é proibida a discriminação e a fixação de limite máximo de idade, inclusive para concursos, ressalvados os casos em que a natureza do cargo assim exigir.O primeiro critério de desempate em concurso público será a idade, sendo privilegiado o candidato de idade mais elevada.
  • O governo deve criar programas de profissionalização para idosos e de estímulo às empresas privadas para contratação de maiores de 60 anos.
Benefícios: 
O Dia Mundial do Trabalho, é a data-base dos aposentados e pensionistas.
Habitação: 
Nos programas habitacionais públicos ou subsidiados por recursos públicos, é obrigatória a reserva de 3% das unidades residenciais para os idosos.
Lazer: Idosos tem direito a 50% de desconto em atividades culturais, esportivas e de lazer, além da garantia de acesso preferêncial. 

domingo, 2 de março de 2008

Conversando sobre a Esquizofrenia


A esquizofrenia pode consistir em uma só doença ou pode incluir muitas doenças com causas diferentes.
Quando aparecem repentinamente sintomas psicóticos muito graves, diz-se que o indivíduo tem esquizofrenia aguda, já o termo " psicótico" define a perda do sentido de realidade ou incapacidade de distinguir entre as experiências reais e imaginárias, algumas apresentam esse episódio uma única vez, outras tem vários episódios no decorrer da vida.
A pessoa com esquizofrenia crônica ( contínua ou recorrente) frequentemente não recupera integralmente suas funções normais e necessita, de tratamento a longo prazo.Aproximadamente 1% da população desenvolve esquizofrenia ao longo da vida, afeta homens e mulheres com igual frequência.
Em geral os primeiros sintomas ocorrem na adolescência, ou durante a década dos 20 anos.Sintomas menos evidentes, como retraimento social, podem acompanhar os sintomas psicóticos.
Os esquizofrênicos tem sua própria percepção da realidade, e em geral é bem diferente do que normalmente é percebida por indivíduos não esquizofrênicos, é um mundo instável onde falta pontos de referência estáveis, que eles possam confiar.
Também está cheio de alucinações, eles percebem estímulos e objetos que na realidade não existem.Apresentam crenças falsas, não sujeitas à razão, que são chamados de delírios, seus pensamentos também sofrem alteração devido a doença, a pessoa tem dificuldade de pensar estruturadamente, os pensamentos podem ir e vir de forma rápida que não é possível "retê-los".
Não sabe discernir o que realmente é importante no momento, geralmente vivem em um mundo à parte.
As pessoas com esquizofrenia às vezes manifestam o que chamamos de afeto inadequado, isso significa demonstrar uma emoção que não tem relação com o que a pessoa pensa ou diz.
Embora o termo " esquizofrenia" não tenha sido usado até princípios do século XX, esta doença é conhecida há muito tempo e tem sido encontrada em todos os tipos de sociedade.
Na sociedade ocidental, a "loucura" ou " insanidade" não foi em geral considerada como um problema de saúde até princípio do século XIX.Nessa época iniciou-se um movimento para se dar tratamento humanitário aos doentes mentais.
Crianças acima de 5 anos podem desenvolver esquizofrenia, porém essa doença é muito rara antes da adolescência.A maioria dos portadores de doença mental, ao contrário do que se pensa não é violenta, mas também é a que mais comete suicídio.
As causas da doença ainda são pesquisadas, mas parece que existem fatores genéticos que produzem uma predisposição à esquizofrenia, aliados a fatores ambientais que contribuem para o desenvolvimento de diferentes graus da doença em diferentes indivíduos.
Os parentes consanguíneos de pacientes esquizofrênicos têm maior probabilidade de desenvolver esquizofrenia do que consanguíneos de pessoas sem a doença, os pais também, ao contrário do que se pensava, não causam a esquizofrenia, talvez haja a possibilidade dos neurotransmissores(substâncias que possibilitam a comunicação entre as células nervosas) intervêm no desenvolvimento da doença.
As drogas antipsicóticas, também chamadas de neurolépticos, são usadas desde os meados dos anos 50, são muito eficazes para tratar alguns sintomas, como alucinações e delírios, elas ajudam o paciente a distinguir os sintomas psicóticos do mundo real, eles reduzem o risco de episódios psicóticos futuros nos pacientes recuperados, apenas 40% da população tratada sofreu recaída.
Como todo medicamento há efeitos colaterais, tais como: sonolência,inquietação, espasmos musculares,tremores, boca seca ou visão turva, que podem ser minimizados com a diminuição das doses ou com o uso concomitante de outros medicamentos.
O tratamento psicossocial é especialmente útil, programas de reabilitação à vida social, ajudam os pacientes com dificuldade nessa área, conversas periódicas com profissionais especializados, psicoterapia, ajudam a compartilhar o sofrimento, e a falar de seu mundo com alguém que o respeita mas está fora de seu "mundo".
A terapia de grupo incluem sessões com 6 à 12 pacientes, o objetivo é que o portador de doença mental aprenda com a experiência do outro, compartilhe suas dores, suas dúvidas, encontre pessoas que estão vivenciando a mesma realidade.
A terapia familiar é muito útil, proporciona a família compreensão e o apoio necessários em época de crise. Eis o que se sugere à família:
  • Dê tempo ao tempo: A recuperação é lenta, descansar é importante, as coisas melhoram com o tempo.

  • Mantenha a calma: Entusiasmo é normal, mantenha-o baixo.Diferença de opinião são normais, não se deve exceder.

  • Dê espaço: Tudo bem em dar uma saída,e em dizer "não".

  • Coloque limites: Todos precisam de regras, algumas regras mantém as coisas claras.

  • Ignore o que não se pode mudar: Deixe passar algumas coisas, só não ignore violência.

  • Simplifique:Diga o que se tem que dizer de forma clara, calma e firme.

  • Siga as instruções do médico:A medicação deve ser tomada, somente o que for receitado.

  • Continue suas atividades:Restabeleça a rotina familiar, mantenha contato com familiares e amigos.

  • Nada de tóxicos ou álcool: Eles pioram os sintomas.

  • Atenção aos sinais de recaída:Fique atento aos padrões de comportamento do paciente.Percebendo mudanças procure o médico.

  • Resolva os problemas passo a passo: Faça mudanças de forma gradual.Faça uma coisa por vez.

  • Diminua as expectativas temporariamente:Compare o progresso deste mês com o do mês passado, e não com o do ano passado, ou do ano que vem.

Transtorno Bipolar


É uma doença caracterizada pela alternância de humor. A pessoa sofre com picos de euforia ( episódios de mania) e de depressão, entremeados por períodos de normalidade.
As alterações dos estados de euforia para depressão, ou vice-versa, podem acontecer repentinamente. Sendo assim,muitos portadores não percebem essas mudanças ou consideram que as alterações do humor foram causadas por um fator momentâneo.Isso ocorre devido à perda do senso crítico e da capacidade de avaliação objetiva das situações, que ficam prejudicadas ou ausentes.
- Sintomas:
  • Humor Eufórico

  • Distração

  • Exaltação

  • Gastos Excessivos

  • Irritabilidade, impaciência, pavio curto

  • Pensamento acelerado

  • Aumento de energia e disposição

  • Otimismo exagerado, aumento da auto estima

  • Falta de senso crítico

  • Insônia
Em casos mais graves podem ocorrer:
  • Abuso de álcool ou drogas

  • Delírios e alucinações

  • Desinibição exagerada

  • Comportamentos inadequados

  • Ideias de suicídio
Sintomas que podem surgir num episódio de depressão:
  • Sentimento de medo , insegurança, desespero e vazio.

  • Isolamento social e familiar

  • Apatia , desmotivação

  • Desânimo, cansaço mental

  • Dificuldade de concentração, esquecimento

  • Aumento do sono

  • Alteração do apetite

  • Pessimismo, ideias de culpa

  • Baixa auto estima

  • Redução da libido
Em casos graves ocorrem:
  • Dores e problemas físicos,como cefaleia, sintomas gastrointestinais, dores no corpo e pressão no peito

  • Ideias suicidas
No Transtorno Bipolar, essas alterações são persistentes e os sintomas mais comuns são humor eufórico, irritabilidade, impaciência e exaltação, nos episódios de mania, e isolamento social, vazio, insegurança e desespero, nos episódios de depressão.
Como isso ocorre, é importante que familiares e amigos saibam reconhecer esses sintomas para direcionar o portador do distúrbio a um tratamento apropriado.Para melhor identificação, vale ressaltar que existem evidências de que fatores genéticos podem influir no aparecimento da doença.
Atualmente, a combinação de medicamentos com a psicoterapia é o método mais adequado para tratar o Transtorno Bipolar.Quanto mais cedo a pessoa for diagnosticada e fizer uma terapêutica adequada, melhor será sua recuperação, manutenção e qualidade de vida.
O conhecimento da doença e do processo de recuperação pelo paciente também é importante, pois assim ele aumenta as perspectivas para uma vida produtiva, com estabilidade, qualidade e felicidade.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Vagas do Edital- Candidato aprovado em concurso tem direito à Nomeação


O candidato aprovado em concurso público dentro do número de vagas previstas em edital possui direito líquido e certo à nomeação.
Esta decisão da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça muda o entendimento da corte sobre o tema. Por maioria, os ministros concluíram que o edital, uma vez veiculado, constitui-se em ato discricionário da administração pública. O que gera direito subjetivo à nomeação e à posse para os candidatos aprovados e classificados dentro do número de vagas previstas.
Para firmar essa posição, a Turma analisou um recurso do estado de São Paulo. Ainda dentro do prazo de validade do concurso, uma candidata aprovada entrou com pedido de Mandado de Segurança para assegurar sua nomeação. Ela disputava o cargo de oficial de Justiça da 1ª Circunscrição Judiciária (Comarca de Santos-SP). O edital previa 98 vagas e ela se classificou na 65º posição.
Durante a tramitação do pedido, o prazo de validade do concurso expirou. Para o Tribunal de Justiça de São Paulo, a aprovação e a classificação em concurso público gerariam mera expectativa de direito. E a proximidade do fim do prazo de validade do concurso não daria a ela o direito à nomeação a ponto de obrigar a administração a prorrogar sua validade.
O recurso chegou ao STJ em novembro de 2005 e, cinco meses depois, foi incluído na pauta de julgamentos da 6ª Turma. O relator, ministro Paulo Medina, atualmente afastado de suas funções no tribunal, votou no sentido de garantir o direito à candidata.
Para ele, a alegação de indisponibilidade financeira para nomeá-la ao cargo se relacionaria com a questão da governabilidade, “o que pressupõe um mínimo de responsabilidade para com os atos que praticam, mormente quando afetam de forma direta a esfera jurídica dos cidadãos”. Os ministros Nilson Naves e Paulo Gallotti acompanharam o voto do relator.
Já os ministros Hamilton Carvalhido e Hélio Quaglia Barbosa, que à época integrava o órgão, votaram no sentido de que o candidato aprovado possui mera expectativa de direito à nomeação, que deve ser praticada por conveniência da administração pública.
Para estes ministros, a aprovação da candidata se tornaria direito subjetivo se “houvesse manifestação inequívoca da necessidade de provimento do cargo durante o prazo de validade do concurso”. Ou, ainda, se “houvesse a contratação de pessoal, de forma temporária, para o preenchimento das vagas, em flagrante preterição àqueles que, regularmente aprovados, estariam aptos a ocupar o mesmo cargo”.

Revista Consultor Jurídico, 8 de fevereiro de 2008

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Sexualização na mídia afeta saúde mental das adolescentes



A exposição em revistas, televisão, videogames, videoclipes, filmes, letras de música, revistas, videogames e internet tem um efeito danoso para o desenvolvimento de garotas adolescentes, diz um relatório da Associação Americana de Psicologia, divulgado nesta segunda-feira.
A sexualização - que, segundo a associação, ocorre quando uma pessoa é vista como um objeto sexual e quando alguém é valorizado apenas por seu apelo ou comportamento sexual - pode levar à perda de auto-estima, depressão e anorexia.
Segundo o relatório de pesquisa, há exemplos da sexualização de jovens em todos esses veículos. Os casos teriam aumentado com o surgimento de novas mídias, como a internet, e com a popularização do acesso à informação. Entre os exemplos usados pelo relatório está um comercial de tênis que mostra a cantora Christina Aguilera vestida com uniforme escolar com a camisa desabotoada, lambendo um pirulito.
  • Efeitos negativos:
As consequências da sexualização de meninas na mídia hoje são muito reais e provavelmente terão uma influência negativa no desenvolvimento saudável das jovens se tem amplas evidências para concluir que essa sexualização tem efeitos negativos em uma série de áreas, incluindo o funcionamento cognitivo e físico, a saúde mental e o desenvolvimento sexual saudável.
As meninas podem acabar se sentindo desconfortáveis em seu próprio corpo, tendo problemas de autoestima, distúrbios alimentares, depressão e uma autoimagem sexual pouco saudável.
Como uma sociedade, nós precisamos substituir todas essas imagens 'sexualizadas' com outras que coloquem as meninas em cenários positivos, que mostrem como são competentes e especiais.
Segundo os psicólogos, os pais podem acabar contribuindo para o problema ou podem assumir uma posição protetora e educativa.
  • Responsabilidade:
Pais, educadores e profissionais de saúde fiquem atentos para o potencial impacto da sexualização sobre adolescentes,o objetivo é levar para todos os adolescentes, meninos e meninas, mensagens que levem a um desenvolvimento sexual saudável.

Escolas devem ter programas de educação sexual que mostrem aos alunos o impacto da exposição de jovens como objetos sexuais. Afinal , na maioria das vezes,se você olhar as revistas para meninas, é tudo sobre sexo.
Nós somos uma sociedade visualmente absorvida, nossa visão das pessoas é dominada pela aparência delas". 
Uma das chaves aqui é a responsabilidade social. Os anunciantes e outras mídias precisam estar cientes de que os produtos que produzem e as imagens associadas a eles têm um impacto, e esse impacto não é sempre bom.
No Brasil, eu acredito que acontece o mesmo, com a proliferação, de danças como o funk, em que meninas dançam de forma extremamente sensual, para não dizer sexual, e os apelidos que surgem para denominá-las, como Cachorra, por exemplo,com um forte apelo a fazer das meninas apenas objeto sexual, e que precisam se vestir e portar-se como tal, misturando modismos a um apelo machista de que mulher boa tem que ser burra e ser "quente", servindo aos machos, que nessas danças acumulam-se ao seu redor, transformando, não só o funk como também o carnaval em festas de cunho sexual.
E o engraçado é que quando se fala esclarecer a população sobre AIDS, de distribuir preservativos e outros métodos anticoncepcionais, de conversar sobre sexo nas escolas,
surgem entidades e pais que são contra,como se quisessem mascarar o que está acontecendo,por exemplo, se não falo, finjo que não vejo ou culpo a moda e fica tudo bem. Como em um quadro de um antigo programa de humor, onde em tudo que acontecia se culpava o governo.
Mas brasileiro é assim a realidade está aí,e nós fingimos que nada está acontecendo,seja na saúde, seja na política.
Ou se para e pensa seriamente no assunto, ou a saúde mental também vai para o "vinagre".

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O Brasil e a Intolerância Religiosa

Na 2ª feira, 21 de janeiro, pela primeira vez, o povo brasileiro vive o " Dia nacional de combate à intolerância religiosa", decretado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República no dia 27 de dezembro de2007, através da lei n. 11.635.
O decreto é muito conciso: "Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1o - Fica instituído o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, a ser comemorado anualmente em todo o território nacional no dia 21 de janeiro. Art. 2o - A data fica incluída no Calendário Cívico da União para efeitos de comemoração oficial. Art. 3o - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação".
Traz as assinaturas do presidente da República e do ministro da Cultura. Vale a pena aprofundar os motivos pelos quais esta medida é oportuna e quais os objetivos mais concretos que esta lei pode contribuir para alcançarmos.É muito comum as pessoas dizerem que no Brasil, já vigora tolerância e até diálogo entre as confissões religiosas.
De fato, o Brasil não vive a situação de certos países como a Índia, onde recentemente, no Natal de 2007, cristãos assassinaram um líder hindu fundamentalista e adeptos do hinduísmo queimaram três Igrejas cristãs, ameaçando de morte quem frequentasse a missa do Natal.
No Brasil, não existem guerras religiosas como ocorrem na Nigéria entre cristãos e muçulmanos, nem guerras socioeconômicas nas quais a religião no lugar de contribuir para a paz, se torna pretexto de violência, como ocorre entre judeus e palestinos em Israel e, uma vez ou outra, entre católicos e ortodoxos no leste europeu.
Por outro lado, mesmo em nosso Brasil, alguns programas de rádio e televisão se notabilizam por demonizar a religião dos outros e por falar de Deus como se este fosse um senhor truculento a ameaçar de condenação eterna a quem não seguir tal Igreja ou não obedecer ao pastor ou à pastora de plantão.
A escolha do dia 21 de janeiro para esta data de combate à intolerância religiosa não foi por acaso. No dia 21 de janeiro de 2000, no Rio de Janeiro, morreu a Mãe Gilda de Ogum. Ela teve um enfarto fulminante quando viu crentes que se consideram evangélicos invadirem e destruírem a sua casa de culto (Abassá de Ogum).
Embora os meios de comunicação quase não publicam, ainda proliferam no Brasil, aqui e ali, alguns conflitos violentos entre membros de determinadas Igrejas e outras confissões religiosas. Em Campina Grande, PB, já há quase 20 anos, acontece um"Encontro da Nova Consciência" que reúne pessoas de várias tradições espirituais comprometidas com a paz.
Há alguns anos, crentes de algumas confissões cristãs organizaram ao lado um encontro paralelo: "Encontro da Nova Consciência com Cristo" que não admite pessoas que não sejam de suas Igrejas. Estes fazem manifestações com som alto, justamente quando os religiosos das diversas tradições se unem para orar pela paz.
No ano passado, crentes deste grupo fundamentalista invadiram a celebração ecumênica feita pelos outros religiosos para impedir que os Hare-krisna cantassem seus mantras e expulsar o demônio dos adeptos da Umbanda e do Candomblé.
Eu e vários irmãos tivemos de atuar para impedir um confronto e para responder à revolta das pessoas agredidas que abriram um processo judicial contra os agressores.
Para fazer do Brasil um país no qual a pluralidade religiosa seja motivo de enriquecimento recíproco e não de intolerância, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República realizou uma cartilha e um vídeo sobre "Diversidade Religiosa e Direitos Humanos" que tem contribuído para criar um clima favorável ao respeito e à complementaridade mútua entre as diversas tradições culturais e religiosas.
Agora, a iniciativa deste dia nacional de combate pacífico contra a intolerância religiosa pode contribuir para que cada corrente espiritual veja que a outra não lhe é concorrente, mas complementar.
A diversidade cultural e religiosa é uma riqueza inspirada pelo próprio Espírito Divino e não só deve ser aceita ou assumida, como valorizada e incentivada através do diálogo que permite a cada tradição expressar sua peculiaridade própria e sua riqueza cultural. Na linguagem corrente, tolerar uma coisa é suportá-la.
Na convivência inter-cultural e inter-religiosa, tolerar não deveria bastar. Neste caso, o termo já denota a dificuldade que as religiões têm para admitir o direito da discordância e do dissenso. Na tradição cristã, os próprios evangelhos contam Jesus Cristo teve esta dificuldade com seus discípulos.
Uma vez, a caminho de Jerusalém, ele quis passar pela Galileia. Os habitantes daquelas aldeias galiléias não o quiseram receber pelo fato dele ser judeu. Ao saber disso, dois discípulos quiseram que Jesus castigasse aqueles infiéis fazendo descer sobre eles o fogo divino.
Jesus os repreendeu dizendo: "Vocês não sabem de que espírito são animados" (Lc 9, 55). A um discípulo que queria proibir alguém de expulsar o mal, porque esta pessoa não pertencia ao grupo deles (discípulos), Jesus responde: "Não o proíbam. Quem não está contra nós, está do nosso lado" (Lc 9, 49- 50).
Ele quis ensinar seus discípulos a descobrir Deus no diferente, como em um oficial romano,em uma mulher estrangeira e nos samaritanos hereges.Certamente, vale para toda pessoa espiritual, em qualquer tradição ou corrente religiosa, a palavra que, há alguns anos, os bispos católicos da Ásia escreveram: "Deus é amor e se dá de mil maneiras à humanidade. Não nos pede permissão para se revelar às diversas comunidades e grupos humanos.Reconhecer estas múltiplas formas como seu amor se revela é um modo importante de honrá-lo e corresponder ao seu amor".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Sindicato é condenado por Assédio Moral



Um sindicato que representa os interesses de servidores públicos terá de pagar indenização de R$70 mil a um ex-empregado.
Ele foi vítima de assédio moral, praticado por uma superior hierárquica e pelo presidente do sindicato.
Os dois agrediam verbalmente o empregado ridicularizando-o diante dos colegas de trabalho e até mesmo de filiados ao sindicato.
O processo foi julgado pelo juiz Denilson Bandeira Coelho, da 4ª Vara do Trabalho de Brasília. Para o magistrado "o que mais chama a atenção do episódio é a natureza da entidade/ré e o quê ela representa perante sua base de filiados no Distrito Federal".
Como órgão de classe laboral, o sindicato deveria combater situações semelhantes. Mas o oposto foi provado por testemunhas ouvidas durante o processo.
"Outro é o ambiente de seus próprios empregados, fadados a escutar xingamentos e comentários depreciativos que servem tão-somente para baixar-lhes seu potencial laborativo", concluiu o juiz Denilson Coelho.
Em sua defesa, o Sindijus (Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e Ministério Público da União e do Distrito Federal), alegou que "embora possa parecer socialmente criticável, o fato é que o uso de palavrões em todos os setores é corrente" e que o ambiente de trabalho no sindicato é saudável.

A Justiça do Direito Online

sábado, 19 de janeiro de 2008

Para não dizer que não falei da Reforma ( 2 )


"Hospitais,cadeias,manicômios, fábricas, escolas são lugares nos quais se leva a cabo e se perpetuam esses crimes em nome da ordem e da defesa do homem. Mas o homem que quer se defender não é o homem real, é aquilo que o homem deve ser depois da cura, do doutrinamento, da destruição e achatamento de suas potencialidades,a recuperação. É o homem cindido, separado, dividido, sobre o qual é possível este tipo de manipulação para sua total adaptação à ordem social que vive da discriminação e do crime." ( Basaglia,1977:78)

Programa " De Volta para Casa":Criado pelo Ministério da Saúde,é um programa de reintegração social de pessoas acometidas de transtornos mentais,egressas de longas internações, segundo critérios definidos na Lei nº 10.708 , de 31 de julho de 2003.O objetivo desse programa é contribuir efetivamente para o processo de inserção social, incentivando a organização de uma ampla e diversificada rede de recursos assistenciais e de cuidados, facilitadora do convívio social, capaz de assegurar o bem-estar global e estimular o exercício pleno de seus direitos civis, políticos e de cidadania.São responsabilidades dos gestores do SUS com o Programa "De Volta para Casa":
  • No âmbito municipal: 
  •  ser responsável pela atenção integral em saúde e assegurar a continuidade de cuidados em saúde mental, em programas extra0hospitalares, para beneficiários do programa; 
  • selecionar, avaliar, preencher e encaminhar ao Ministério da Saúde informações cadastrais necessárias para a inclusão dos beneficiários o programa; 
  • acompanhar os beneficiários inseridos no programa.
  • No âmbito estadual:
_ acompanhar as ações dos municípios vinculados ao programa;

_confirmar o município como apto a se inserir no programa;

_analisar os recursos provenientes das solicitações indeferidas pelos municípios;

_ter papel articulador entre os hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico e município, quanto da indicação de pessoas daquelas instituições em condições de serem beneficiadas pelo programa.
  • no âmbito federal:
_ cadastrar os beneficiários nos municípios habilitados no programa por portaria;

_organizar e consolidar os cadastros dos beneficiários e dos municípios inseridos no programa;

_zelar pelo monitoramento e avaliação do programa;

_definir critérios de prioridade da inclusão de beneficiários por municípios;

_julgar os recursos provenientes do âmbito municipal ou estadual;

_processamento mensal da folha de pagamento aos beneficiários do programa;

_constituir Comissão Gestora da Programa "De Volta para Casa".

Podem ser beneficiários desse programa as pessoas acometidas de transtornos mentais egressas desinternação psiquiátrica em hospitais cadastrados no SIH- SUS, por um período ininterrupto igual ou superior a dois anos,quando a situação clínica e social não justifique a permanência em ambiente hospitalar e indique a possibilidade de inclusão em programa de reintegração social.Pessoas residentes em moradias caracterizadas como serviços residenciais terapêuticos ou egressas da Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, em conformidade com a decisão judicial (Juízo de Execução Penal), também podem ser beneficiários do auxílio.
A inclusão dos municípios ao programa dar-se-á mediante a habilitação dos que solicitem a adesão,pelo Ministério da Saúde,em portaria específica, a partir da análise que irá considerara condições de implantação do programa e critérios de prioridade, definidos nos artigos 3º e 4º da Portaria nº 2077/GM, respectivamente, a serem analisados por município.
O município habilitado designará equipe de saúde específica de apoio direto aos beneficiários, para garantir-lhe a atenção continuada em saúde mental, na rede de saúde local ou regional.
Da equipe deverá fazer parte pelo menos um profissional da área de saúde mental do município com formação de nível superior.
O benefício constituirá em pagamento mensal de auxílio diretamente ao beneficiário, salvo na hipótese de incapacidade deste de exercer pessoalmente atos da vida civil, quando o benefício será entregue ao representante legal determinado pelo poder judiciário.
Após realização de cadastramento de beneficiários no programa e habilitação do município, o Ministério da Saúde, através do DATASUS, irá enviar arquivo com dados cadastrais para a instituição financeira que deverá proceder à geração de Número de Identificação Social (NIS) dos que não possuírem o NIS.
O representante legal do beneficiário do programa terá sua indicação e desempenho acompanhados pele equipe de saúde do município e deverá firmar termo de compromisso de fielmente zelar pelos direitos e deveres do beneficiário no âmbito do referido programa.
O beneficiário terá direito à renovação do benefício, após um anos de recebimento do mesmo, caso ainda o necessite para o seu processo de reabilitação psicossocial, de acordo com avaliação de equipe de saúde local que o acompanha.
Constatada alguma irregularidade caberá ao Ministério da Saúde, através de referida comissão, tipificar a natureza das irregularidades e determinar medidas cabíveis a cada ato irregular identificado, tais como:notificar poder executivo municipal e estadual;determinar suspensão dos pagamentos decorrentes de ato irregular praticado, cabendo análise específica da casos, para tentar evitar prejuízo ou perda de direitos do beneficiário, quando de irregularidades cometidas por representante leal ou elo município.
O programa De Volta para Casa criado pelo Ministério da Saúde, é um programa de reintegração social de pessoas acometidas de transtornos mentais, egressas de longas internações, segundo a Lei 10.708/03, que tem como parte integrante o pagamento do auxílio reabilitação psicossocial.
Esta estratégia vem ao encontro de recomendações da OPAS e OMS para a área de saúde mental com o objetivo de reverter gradativamente um modelo centrado na referência à internação em hospitais especializados por um modelo de atenção de base comunitária, consolidados em serviços territóriais e de atenção diária.
Estima-se em cerca de quinze mil usuários do SUS, a população que deve ser beneficiária do auxílio financeiro de que trata esse programa, sendo favorecida sua inserção no meio social mais amplo desde que atendidos os requisitos necessários para recebimento desse auxílio.
O objetivo desse programa é contribuir efetivamente para o processo de inserção social de portadores de transtornos mentais, incentivando a organização de uma rede ampla e diversificada de recursos assistenciais e de cuidados, facilitadora do convívio social, capaz de assegurar o bem estar global e estimular o exercício pleno de seus direitos civis, políticos, e de cidadania.
Os documentos que regulamentam esse Programa são:
- Lei 10.708/03
- Portaria nº 2077/GM, de 31 de outubro de 2003
O benefício consiste no pagamento mensal de auxílio - pecuniário, no valor de duzentos e quarenta reais ao beneficiário ou representante legal, com duração de um ano, podendo ser renovado por igual período a partir da avaliação da equipe municipal e de Parecer da Comissão de Acompanhamento do Programa De Volta para CASA.
Analisem os tópicos "Descaso em Hospital Psiquiátrico", e tirem suas próprias conclusões.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Para não dizer que não falei da Reforma ( 1)


"A cidade é o lugar de reabilitação."
(Basaglia,1982:401)

A exibição do documentário Em nome da Razão dura pouco mais que vinte minutos, neste espaço de tempo descotina-se, através da película, o degradante cotidiano do Hospital Psiquiátrico de Barbacena, em Minas Gerais.Lançado em 1979, o documentário revelou que o referido hospital, estava mais para campo de concentração do que par tratamento dos transtornos mentais,além de ser uma denúncia contundente, o documentário ajudou a impulsionar o questionamento da ordem psiquiátrica instituída, um movimento que coincidiu com a luta pelas liberdades democráticas no Brasil.
O final dos anos 70 marcou também a primeira passagem pelo País de Franco Basaglia, o precursor da reforma psiquiátrica italiana."O louco é uma pessoa como qualquer outra", afirmou Basaglia durante debate no Rio de Janeiro."E o manicômio é a resposta que a sociedade dá ao desespero",disse.
Falar sobre a política de saúde mental ontem e hoje, alternativas e possibilidades, como história de uma marginalização, é falar sobre a loucura, sobre a história do saber e das práticas que a Sociedade constitui sobre o louco, criando como objetivo de estudo, o espaço de observação de um novo ser patológico, nova doença que é a loucura.
A loucura e seus sintomas são confinados e vistos como ininteligíveis ou sem sentido.O saber médico compreende a loucura como desrazão estabelece o germe da dicotomia entre o normal e o patológico.Castel também comunga com Foucault em torno da idéia da produção de corpos dóceis politicamente e úteis economicamente, quer seja no lidar com a loucura, quer seja lidar com a "normalidade".
Ortega ( 1999, p.11-20) ,refere com clareza que a proposta ética de Foucault acentua a importância da amizade enquanto reinvenção das formas de relacionamento social, bem diferente do que vimos ainda hoje,com pacientes confinados em leitos sujos, ouvindo palavras ríspidas e sendo tratados de forma bastante grosseira pelo corpo clínico dessas instituições.
A função delegada ao médico do hospital manicomial, não é a de quebrar a instituição manicomial, mas mantê-la, não é de renunciar o poder ao médico, mas de utilizá-lo,nem de favorecer o poder de contestação dos exclusos e oprimidos, mas manter os privilégios de quem exclui,muitos psiquiatras não fazem nada além de sanar tecnicamente a exclusão já atuada pela sociedade, que automaticamente "recusa" aqueles que não se integram no jogo do sistema.
O movimento social de reforma psiquiátrica brasileira vem apontando, há quase 30 anos, a internação em hospital psiquiátrico como de baixa eficácia, violadora de direitos humanos e propondo a diminuição progressiva desses leitos. A implantação, todavia, de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico não pode desconhecer as características dos usuários internados.
A persistência opressora de uma lei injusta,o abandono no qual os internos são deixados pela sociedade, são motivos longamente discutidos, que contribuem para reduzir o papel da experiência fantasmática vivida em cada pessoa que esteja envolvida na situação.
Se hospício é produtor e mantededor de doença, cabe realizar a transformação deste espaço em um lugar terapêutico, pois a cura, deve estar relacionada a uma vida social mais ampla e com perspectivas futuras.
O hospital psiquiátrico,detinha no início dos anos 90, papel claramente hegemônico no conjunto dos serviços, decorrente de fatores históricos, econômicos e da conformação do sistema de saúde brasileiro. A população dos pacientes psiquiátricos internados na rede pública, são estimados em 97% dos portadores de transtornos psiquiátrico.
O movimento Anti manicomial no Brasil,estruturou-se durante o II Congresso Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental realizado em 1987, na cidade de Baúru, neste evento instituiu-se o dia 18 de maio como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o que ajudou a consolidar o movimento na sociedade como um todo.
Ainda em 1987,inaugurou-se em São Paulo, o primeiro Centro da Atenção Psicossocial        (CAPS) do Brasil.Atualmente, além de 426 residências terapêuticas, existem 882 CAPS espalhados pelo território nacional, sendo que 29 deles funcionam 24 horas por dia, segundo o relatório do Ministério da Saúde divulgado em junho de 2006.
Nesse processo Lei nº 10.216, conhecida como Lei Paulo Delgado, tem um papel fundamental,promulgada em abril de 2001, ela garantiu a proteção dos direitos humanos dos portadores de transtornos mentais e redirecionou o modelo de assistência à saúde mental.
O Brasil possui cerca de 228 hospitais psiquiátricos da rede do SUS, sendo a grande maioria do total de leitos correspondente ao setor privado,o número tem diminuído com o longo dos anos.De 72.514 em 1996,eles baixaram para 60.868 em 2000 e,em 2005 caiu par 42.076.
Nesse contexto o papel dos gestores de saúde mental têm um trabalho árduo: lidar com a resistência da maioria dos defensores de hospitais em aceitar o novo sistema de atenção psiquiátrica, dirigido por uma rede de base comunitária e com participação da sociedade.Desde 2001 o governo federal está implantando o Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares (PNASH), que faz fiscalizações periódicas nas instituições.Muitos hospitais através desavaliação foram descredenciados pelo SUS, mas continuam a funcionar graças a liminares conquistadas na Justiça.